A União Europeia rejeitou formalmente o pedido do governo brasileiro para uma transição gradual no uso de antimicrobianos na pecuária e manteve a decisão de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina e outros produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro. O veto atinge carne bovina, frango, ovos, mel, peixes e animais vivos. O Brasil havia proposto se adequar 100% às regras europeias até 2029, mas a resposta foi imediata: não. Segundo informações do portal itatiaia, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo está preparando documentos para entregar aos europeus.
A União Europeia bateu o martelo pela segunda vez em duas semanas e rejeitou a proposta brasileira de adotar gradualmente as normas sanitárias europeias sobre antimicrobianos na pecuária. A decisão mantém a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne bovina, frango, ovos, mel, peixes e animais vivos para o bloco, com data de corte em 3 de setembro de 2026. O fundamento para o veto à carne bovina é o uso de substâncias antimicrobianas como promotoras de crescimento no rebanho, prática proibida pela legislação europeia que o Brasil ainda não demonstrou ter eliminado em toda a cadeia produtiva.
A gravidade da situação está no fato de que o Brasil sabia das exigências desde outubro de 2024, quando o primeiro acordo Mercosul e União Europeia foi assinado. Em abril de 2026, as autoridades europeias enviaram um aviso formal cobrando o cumprimento das regras sanitárias, e em 12 de maio a decisão de retirada foi publicada. A tentativa brasileira de negociar uma transição até 2029 foi descartada sem abertura para flexibilização, sinalizando que a paciência do bloco com a carne bovina brasileira se esgotou.
O que a União Europeia proíbe e o Brasil ainda não cumpre
A legislação europeia proíbe taxativamente o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento ou para potencializar o rendimento de carcaça na pecuária. As substâncias vetadas incluem virginiamicina, avoparcina, tilosina, espiramicina, avilamicina e bacitracina, compostos que são utilizados em larga escala na produção brasileira de carne bovina e de outras proteínas animais.
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O bloco europeu também veta medicamentos veterinários que contenham princípios ativos reservados ao tratamento de infecções na medicina humana. O objetivo é evitar a chamada resistência antimicrobiana, situação em que bactérias passam a resistir aos medicamentos e comprometem tratamentos de saúde pública.
Para a União Europeia, permitir que a carne bovina de países que ainda usam essas substâncias entre no mercado significaria enfraquecer suas próprias regras e colocar a saúde dos consumidores europeus em risco.
O que o Brasil propôs e por que a Europa recusou
O governo brasileiro apresentou uma proposta de transição gradual, na qual se comprometia a eliminar o uso de antimicrobianos na cadeia de carne bovina de forma progressiva até 2029. A resposta da União Europeia foi imediata e categórica: não há espaço para transição gradual ou flexibilização das normas sanitárias, segundo informações obtidas pelo jornal Valor Econômico junto a fontes europeias.
A recusa se baseia no argumento de que o Brasil teve tempo suficiente para se adequar desde que as regras foram comunicadas em 2024.
Do ponto de vista europeu, a carne bovina brasileira e os demais produtos de origem animal devem atender aos mesmos padrões exigidos de qualquer outro fornecedor, sem concessões de prazo que criariam precedentes para outros países.
O impacto para exportadores de carne bovina
A União Europeia é um dos principais destinos das exportações brasileiras de carne bovina em valor, apesar de representar um volume menor do que a China. A perda de acesso ao bloco a partir de setembro não afeta apenas a carne bovina: frango, ovos, mel, peixes e animais vivos também estão no escopo do veto, ampliando o impacto para setores que dependem do mercado europeu.
Os frigoríficos que operam linhas dedicadas à exportação de carne bovina para a Europa precisarão redirecionar volumes para outros destinos, como Oriente Médio e Ásia, em condições de preço potencialmente inferiores.
A incerteza regulatória também prejudica negociações com Japão e Coreia do Sul, mercados que ainda não autorizaram a entrada de carne bovina brasileira e que podem interpretar o veto europeu como sinal de que os padrões sanitários brasileiros são insuficientes.
O que falta para o Brasil recuperar o acesso ao mercado europeu
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo está preparando todos os documentos que serão entregues às autoridades europeias. O caminho para recuperar o acesso ao mercado de carne bovina envolve demonstrar, com evidências auditáveis, que os antimicrobianos vetados foram efetivamente eliminados da cadeia produtiva em todas as etapas, da criação ao abate.
A decisão da Comissão Europeia ainda precisa ser formalizada no diário oficial do bloco para produzir efeitos legais definitivos, o que dá ao Brasil uma janela para apresentar garantias antes de 3 de setembro.
No entanto, a dupla recusa em duas semanas sugere que apenas documentos não serão suficientes e que a Europa exigirá comprovação prática e verificável de que a carne bovina brasileira atende integralmente aos padrões sanitários do bloco.
Você acha que o Brasil vai conseguir se adequar às regras europeias antes de setembro, ou vai perder o mercado de carne bovina na Europa? A culpa é do governo, dos frigoríficos ou das regras europeias serem rígidas demais? Conta nos comentários.

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