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A atmosfera de Vênus é tão densa que conseguiu inverter a rotação inteira do planeta ao longo de bilhões de anos, um estudo publicado na Nature Astronomy revela que estar na superfície seria como afundar em um oceano de 475 graus Celsius

Publicado em 27/05/2026 às 16:49
Atualizado em 27/05/2026 às 16:55
Vênus gira na direção oposta à dos outros planetas do Sistema Solar. Atmosfera densa inverteu a rotação ao longo de bilhões de anos. Superfície chega a 475°C.
Vênus gira na direção oposta à dos outros planetas do Sistema Solar. Atmosfera densa inverteu a rotação ao longo de bilhões de anos. Superfície chega a 475°C.
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Vênus é o único planeta do Sistema Solar que gira na direção oposta à de todos os outros. Enquanto a Terra e os demais planetas giram no sentido anti-horário de oeste para leste, Vênus possui uma rotação retrógrada causada pela influência de sua atmosfera extremamente densa. Um estudo publicado na Nature Astronomy explica que a atração gravitacional do Sol sobre as massas atmosféricas deformadas de Vênus criou um torque que inverteu sua rotação ao longo de bilhões de anos. Um dia em Vênus equivale a 243 dias terrestres, e a temperatura na superfície chega a 475°C.

Vênus é o planeta mais brilhante visível da Terra, mas também é o mais estranho do Sistema Solar. Enquanto todos os outros planetas giram no sentido anti-horário quando vistos do Polo Norte, Vênus gira na direção oposta, no sentido horário, completando uma rotação sobre seu próprio eixo a cada 243 dias terrestres. Essa rotação retrógrada faz de Vênus uma anomalia que intrigou astrônomos por décadas, até que um estudo publicado na Nature Astronomy revelou o mecanismo responsável: a atmosfera do planeta é tão densa que a gravidade do Sol atuando sobre ela conseguiu inverter a rotação inteira ao longo de bilhões de anos.

O pesquisador Kane, citado pela Nature, descreveu a experiência de estar na superfície de Vênus com uma comparação que dispensa explicações técnicas: “Seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente, chegando a temperaturas de até 475°C.” A pressão atmosférica na superfície de Vênus é 90 vezes maior que a da Terra, equivalente à pressão encontrada a 900 metros de profundidade no oceano terrestre. É essa massa atmosférica descomunal que tornou possível a inversão da rotação do planeta.

Por que Vênus gira na direção contrária

imagem: NASA/JPL-Caltech
imagem: NASA/JPL-Caltech

A explicação aceita pela comunidade científica está na interação entre a atmosfera densa de Vênus e a gravidade do Sol. A atmosfera do planeta é tão espessa e pesada que forma massas deformadas pela atração gravitacional solar, criando um efeito de fricção ou torque que, ao longo de bilhões de anos, desacelerou a rotação original e a inverteu completamente.

Segundo o Jornal da USP, esse mecanismo funciona porque a atmosfera de Vênus não acompanha perfeitamente a rotação do planeta. Ela se deforma em resposta à gravidade do Sol, e essa deformação cria uma força de arrasto que age contra o movimento rotacional. Existe uma teoria alternativa, pouco aceita pelos cientistas, que sugere que Vênus foi atingido por outro corpo celeste que alterou sua trajetória original. No entanto, a hipótese do impacto gigante é considerada improvável porque não explicaria a lentidão extrema da rotação atual.

Os números que tornam Vênus único no Sistema Solar

A rotação de Vênus é tão lenta que um dia no planeta dura mais do que um ano. Um dia completo em Vênus, o tempo para girar uma vez sobre seu eixo, equivale a 243 dias terrestres. Já sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres, segundo a NASA Science. Isso significa que Vênus completa uma volta inteira ao redor do Sol antes de completar uma única rotação sobre si mesmo.

Visto do Polo Norte, Vênus é o único planeta do Sistema Solar com movimento horário. Na prática, se alguém pudesse sobreviver na superfície de Vênus, veria o Sol nascer no oeste e se pôr no leste, exatamente o inverso do que acontece na Terra. A combinação de rotação retrógrada com velocidade extremamente lenta faz de Vênus um mundo onde o conceito de “dia” e “noite” tem dimensões completamente diferentes das que conhecemos.

Como é estar na superfície de Vênus

A superfície de Vênus é o ambiente mais hostil de qualquer planeta rochoso do Sistema Solar. A temperatura média na superfície é de 475°C, mais quente do que Mercúrio, que está muito mais perto do Sol. Essa temperatura é alta o suficiente para derreter chumbo e zinco, e permanece praticamente constante entre o dia e a noite por causa da atmosfera espessa que retém calor de forma extremamente eficiente.

A pressão atmosférica na superfície de Vênus esmaga qualquer equipamento não projetado especificamente para suportá-la. As poucas sondas que pousaram no planeta, as soviéticas Venera nos anos 1970 e 1980, sobreviveram entre 23 e 127 minutos antes de sucumbirem ao calor e à pressão. A atmosfera de Vênus é composta predominantemente de dióxido de carbono com nuvens de ácido sulfúrico, criando um efeito estufa descontrolado que explica por que o planeta retém tanto calor.

O que Vênus ensina sobre o futuro da Terra

O estudo da rotação e da atmosfera de Vênus não é apenas curiosidade astronômica. Vênus provavelmente já teve oceanos e condições habitáveis bilhões de anos atrás, mas o efeito estufa descontrolado transformou o planeta em um forno que evaporou toda a água e criou a atmosfera densa que hoje inverte sua própria rotação.

Para cientistas que estudam mudanças climáticas, Vênus é o exemplo extremo do que pode acontecer quando o efeito estufa sai de controle. A Terra não corre risco imediato de se tornar Vênus com seus 475°C, mas o mecanismo fundamental é o mesmo: gases de efeito estufa retêm calor, aquecem a atmosfera e alteram as condições do planeta. O caso de Vênus demonstra que esses processos, uma vez iniciados, podem se tornar irreversíveis em escala geológica.

Você sabia que Vênus gira na direção contrária à de todos os outros planetas e que um dia lá dura mais que um ano? O que mais impressiona: a rotação invertida, os 475°C de temperatura ou a pressão 90 vezes maior que a da Terra? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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