Com a guerra e o risco no Estreito de Ormuz, o país teme impacto nos nitrogenados que importam, na exportação de milho ao Irã e no custo do diesel, enquanto medidas internas tentam reduzir a dependência
A guerra no Oriente Médio volta a acender um alerta direto sobre o agro e o consumo: quando um corredor estratégico trava, o efeito chega na lavoura e no preço final. A preocupação central é dupla, porque o Brasil depende de rotas e insumos que passam pela região e, ao mesmo tempo, ampliou a venda de grãos para aquele mercado.
Segundo a análise apresentada, o Estreito de Ormuz é vital para a entrada de fertilizantes e para a dinâmica de exportação, o que cria risco para custos, frete e planejamento da safra neste ano. No meio disso, entram o diesel importado, a cadeia logística e medidas para aumentar a produção nacional de fertilizantes.
Guerra e Estreito de Ormuz: por que esse gargalo pesa no Brasil
A guerra é citada como fator de impacto na expectativa do volume de grãos colhido neste ano, com tendência de ficar um pouco abaixo do recorde do ano passado. O motivo é o efeito em cadeia: insumos, logística e custos sobem quando a rota fica mais arriscada.
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O ponto-chave é o Estreito de Ormuz. De acordo com o que foi explicado, passa por ali um fluxo crucial para o Brasil, porque o país é um grande importador de fertilizantes e, ao mesmo tempo, um dos maiores exportadores de alimentos.
Guerra e fertilizantes: 35% dos nitrogenados passam pela rota
A guerra aumenta a atenção sobre um componente considerado essencial para a produtividade no campo: os nitrogenados. Foi informado que o Brasil importa 35% de um grupo importante de fertilizantes, os nitrogenados, associados à amônia, dentro do conjunto de macronutrientes citados.
Dentro desse número, foi dito que cerca de 20% desses 35% vêm do Irã, enquanto oficialmente entram 7% a 8% por conta de embargos, com uso de “hubs” na região para envio ao Brasil. A mensagem é direta: se a rota fica instável, o risco de custo e abastecimento cresce.
Guerra e a resposta interna: reabertura de fábricas e busca por autossuficiência
A guerra aparece como gatilho para acelerar uma agenda de menor dependência. Foi afirmado que a Petrobras está reabrindo fábricas de nitrogenados que haviam sido fechadas, e que 3 de 4 unidades já foram reabertas, o que representaria 20% de autossuficiência.
A projeção apresentada é que, com a abertura da quarta fábrica, o Brasil ficaria 35% independente nesse componente nitrogenado. A lógica é reduzir a vulnerabilidade externa quando a guerra altera o risco de fornecimento.
Guerra e exportação: milho para o Irã virou parte do problema
O outro lado da guerra não é só o que entra, mas também o que sai. Foi destacado que o Brasil virou, nos últimos anos, um grande exportador de milho para o Oriente Médio, especialmente para o Irã.
Na fala, foi informado que o Irã cresceu 280% nas importações de milho do Brasil em cinco anos. Também foi dito que de 20% a 23% da produção de milho do Brasil vai para o Irã e que, somando países do entorno como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, 27% do milho produzido no Brasil vai para esses destinos. Com a guerra, esse fluxo vira preocupação para produtores e para a logística de escoamento.
Guerra, diesel e logística: custo e risco sobem junto
A guerra também encosta no tema do combustível. Foi afirmado que o Brasil ainda importa 30% do diesel, o que torna o país sensível a choques na cadeia de energia e transporte. Quando o diesel encarece, o frete sente primeiro e o consumidor sente depois.
Na mesma linha, foi dito que o frete aumentou muito com os riscos ligados à guerra, com a menção de uma variação “de 25% do valor da carga para até 1% do valor da carga” dentro do contexto de risco e custo.
O ponto prático, na narrativa, é que a guerra empurra incerteza para a logística do agro, afetando fertilizantes, milho e outros itens exportados.
Guerra e medidas para segurar preço: PIS/Cofins, subvenção e incentivo à produção
Para lidar com a pressão da guerra sobre combustíveis, foi citado que o governo tomou uma medida rápida ligada a impostos, com isenção de PIS/Cofins que representou 32 centavos por litro e uma subvenção de mais 0,32 por litro, totalizando 0,64 por litro como alívio informado.
Também foi mencionado um decreto deste ano para regulamentar a produção de fertilizantes no Brasil e um projeto de lei ligado à contribuição de exploração mineral do calcário, com redução citada de 1% para 0,25.
O calcário foi descrito como um impulsionador de eficiência, porque melhora o aproveitamento do fertilizante no solo, reduzindo a necessidade total quando bem aplicado.
Por fim, foi dito que o BNDES está atuando na mineração, especialmente em fosfato e potássio, para apoiar a busca de autossuficiência. A ideia, dentro desse conjunto, é diminuir o peso que a guerra pode ter no custo do campo e no preço dos alimentos.
Pergunta rápida: com a guerra elevando riscos em fertilizante, milho e diesel, você acha que o Brasil deveria priorizar ainda mais a produção interna de insumos, mesmo que isso exija investimentos maiores agora?

