A estratégia usa lonas brancas para refletir o sol, preservar gelo em pontos específicos e manter atividades econômicas ligadas à neve nos Alpes.
A Suíça passou a cobrir partes de suas montanhas com enormes mantas brancas para tentar frear o derretimento dos glaciares no verão. Nos Alpes, o branco já não vem apenas da neve, mas também do material geotêxtil aplicado sobre o gelo.
No Glaciar do Ródano, um dos mais antigos e visitados da Europa, a medida virou rotina anual e mudou a paisagem. A ideia é proteger trechos estratégicos, mesmo com a perda acelerada de volume em áreas ao redor.
O que mudou no Glaciar do Ródano com as mantas brancas
A cobertura cria um contraste visível entre o gelo protegido e o restante do glaciar. Enquanto a área coberta se mantém mais preservada, regiões expostas continuam derretendo com força durante os meses mais quentes.
-
Cientistas “ouvem o coração” do Sol e, após 40 anos, descobrem algo verdadeiramente surpreendente
-
Falta de atividade física pode acelerar a perda de memória, reduzir a circulação no cérebro e aumentar riscos ligados ao declínio cognitivo
-
Na China, o maior carrossel de ordenha totalmente automático do mundo usa 2 plataformas de 80 pontos, coloca mais de 5.000 vacas em uma linha circular e mostra como o leite virou operação industrial de alta precisão
-
Roblox muda as regras para crianças e adolescentes no Brasil e promete uma plataforma mais segura com selfie e controle dos pais
A prática começou como experimento há quase duas décadas e hoje é repetida todos os anos. O objetivo é manter pontos essenciais funcionando por mais tempo, principalmente ligados ao turismo.
Como o efeito albedo ajuda a segurar o gelo no calor

A estratégia se apoia no efeito albedo, que define o quanto uma superfície reflete a luz do sol. Quando o gelo escurece por poeira e poluição, ele absorve mais calor e derrete mais rápido.
As mantas funcionam como um escudo, bloqueando a radiação direta e refletindo parte da luz. Com isso, o derretimento da neve e do gelo sob a lona cai entre 50% e 70%.
O que são as lonas geotêxteis usadas nos Alpes
As mantas são feitas com fibras de poliéster e polipropileno, preparadas para resistir à radiação UV e ao clima extremo. Elas permitem a passagem de certa umidade, mas reduzem o aquecimento direto sobre o gelo.
Na prática, a lona ajuda a manter a temperatura mais baixa na área coberta. O resultado é uma preservação localizada, sem impedir a perda total do glaciar.
Por que a operação é cara e exige trabalho manual
A instalação acontece na primavera, quando equipes sobem até as áreas mais altas para desenrolar e ajustar as mantas. Depois, elas são costuradas e presas com sacos de areia e pedras para resistir a tempestades e ventos fortes.
No outono, o material precisa ser retirado antes da neve do inverno. Se congelar junto ao gelo, pode se danificar e aumentar ainda mais os custos.
Quanto custa e por que o foco é turismo e pistas de esqui
O custo varia entre 60.000 e 85.000 dólares por hectare ao ano, o que limita a aplicação em grandes áreas. Por isso, a medida se concentra em pontos comerciais, como pistas de esqui e áreas turísticas.
Um dos locais protegidos é a gruta de gelo do Glaciar do Ródano, que gera renda para a região. A manta ajuda a manter essa atração ativa por mais tempo.
Microplásticos e limite de escala aumentam as críticas
Com o desgaste, as mantas podem liberar fibras que viram microplásticos, atingindo o gelo e seguindo com a água do degelo para rios e ecossistemas alpinos. Isso levanta dúvidas sobre o impacto ambiental da solução.
Além disso, a Suíça tem cerca de 1.400 glaciares, e cobrir todos seria inviável. Nos últimos dois anos, os glaciares suíços perderam 10% do volume total, mostrando que a técnica protege apenas áreas pequenas enquanto o problema maior continua avançando.

-
-
5 pessoas reagiram a isso.