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A Suíça está cobrindo glaciares com mantas geotêxteis brancas para refletir o sol e reduzir o derretimento no verão; a técnica corta perdas em 50% a 70%, mas levanta críticas sobre microplásticos e custo

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 13/01/2026 às 21:31
Atualizado em 13/01/2026 às 21:32
A Suíça está cobrindo glaciares com mantas geotêxteis brancas para refletir o sol e reduzir o derretimento no verão; a técnica corta perdas em 50% a 70%, mas levanta críticas sobre microplásticos e custo
A estratégia usa lonas brancas para refletir o sol, preservar gelo em pontos específicos e manter atividades econômicas ligadas à neve nos Alpes.
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A estratégia usa lonas brancas para refletir o sol, preservar gelo em pontos específicos e manter atividades econômicas ligadas à neve nos Alpes.

A Suíça passou a cobrir partes de suas montanhas com enormes mantas brancas para tentar frear o derretimento dos glaciares no verão. Nos Alpes, o branco já não vem apenas da neve, mas também do material geotêxtil aplicado sobre o gelo.

No Glaciar do Ródano, um dos mais antigos e visitados da Europa, a medida virou rotina anual e mudou a paisagem. A ideia é proteger trechos estratégicos, mesmo com a perda acelerada de volume em áreas ao redor.

O que mudou no Glaciar do Ródano com as mantas brancas

A cobertura cria um contraste visível entre o gelo protegido e o restante do glaciar. Enquanto a área coberta se mantém mais preservada, regiões expostas continuam derretendo com força durante os meses mais quentes.

A prática começou como experimento há quase duas décadas e hoje é repetida todos os anos. O objetivo é manter pontos essenciais funcionando por mais tempo, principalmente ligados ao turismo.

Como o efeito albedo ajuda a segurar o gelo no calor

A estratégia se apoia no efeito albedo, que define o quanto uma superfície reflete a luz do sol. Quando o gelo escurece por poeira e poluição, ele absorve mais calor e derrete mais rápido.

As mantas funcionam como um escudo, bloqueando a radiação direta e refletindo parte da luz. Com isso, o derretimento da neve e do gelo sob a lona cai entre 50% e 70%.

O que são as lonas geotêxteis usadas nos Alpes

As mantas são feitas com fibras de poliéster e polipropileno, preparadas para resistir à radiação UV e ao clima extremo. Elas permitem a passagem de certa umidade, mas reduzem o aquecimento direto sobre o gelo.

Na prática, a lona ajuda a manter a temperatura mais baixa na área coberta. O resultado é uma preservação localizada, sem impedir a perda total do glaciar.

Por que a operação é cara e exige trabalho manual

A instalação acontece na primavera, quando equipes sobem até as áreas mais altas para desenrolar e ajustar as mantas. Depois, elas são costuradas e presas com sacos de areia e pedras para resistir a tempestades e ventos fortes.

No outono, o material precisa ser retirado antes da neve do inverno. Se congelar junto ao gelo, pode se danificar e aumentar ainda mais os custos.

Quanto custa e por que o foco é turismo e pistas de esqui

O custo varia entre 60.000 e 85.000 dólares por hectare ao ano, o que limita a aplicação em grandes áreas. Por isso, a medida se concentra em pontos comerciais, como pistas de esqui e áreas turísticas.

Um dos locais protegidos é a gruta de gelo do Glaciar do Ródano, que gera renda para a região. A manta ajuda a manter essa atração ativa por mais tempo.

Microplásticos e limite de escala aumentam as críticas

Com o desgaste, as mantas podem liberar fibras que viram microplásticos, atingindo o gelo e seguindo com a água do degelo para rios e ecossistemas alpinos. Isso levanta dúvidas sobre o impacto ambiental da solução.

Além disso, a Suíça tem cerca de 1.400 glaciares, e cobrir todos seria inviável. Nos últimos dois anos, os glaciares suíços perderam 10% do volume total, mostrando que a técnica protege apenas áreas pequenas enquanto o problema maior continua avançando.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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