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A Rússia, na verdade, tem motivos para “comemorar” após ataques dos EUA e Israel contra o Irã; entenda

Publicado em 05/03/2026 às 20:57
Atualizado em 05/03/2026 às 21:00
Rússia, Ataques, Conflito
Imagem: Ilustração
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Rússia critica ataques ao Irã, fechamento do Estreito de Ormuz reduz tráfego de petroleiros em 90% e crise no Oriente Médio pode gerar efeitos estratégicos na guerra da Ucrânia

O agravamento do conflito no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã gerou reação da Rússia e provocou efeitos econômicos e militares que podem influenciar a guerra na Ucrânia, além de impactar o mercado global de energia.

A ofensiva contra o Irã foi criticada pelo governo russo, aliado de Teerã. Para Moscou, o episódio reforça o que autoridades descrevem como intervenções militares do Ocidente para derrubar governos adversários.

A interpretação fortalece a narrativa defendida pelo presidente Vladimir Putin sobre a necessidade de ações preventivas para proteger a soberania russa.

Na quarta-feira, a Rússia acusou os Estados Unidos de utilizarem uma “ameaça imaginária” representada pelo Irã como justificativa para interferir na ordem constitucional.

Segundo a agência estatal Tass, Putin classificou os ataques e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, como uma “violação cínica de todas as normas de moralidade humana e do direito internacional”.

Relação militar entre Rússia e Irã no contexto do conflito no Oriente Médio

A parceria entre Moscou e Teerã ganhou importância nos últimos anos, especialmente no campo militar.

O Irã é apontado como um dos principais fornecedores de drones utilizados pela Rússia no conflito contra a Ucrânia.

Essa cooperação aprofundou os laços estratégicos entre os dois países. Apesar da relação, não há indicação de que a Rússia pretenda intervir militarmente em defesa do Irã no atual conflito no Oriente Médio.

Fechamento do Estreito de Ormuz e impacto no comércio global de petróleo

Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e declarou que qualquer navio que tentasse cruzar a passagem seria incendiado.

O bloqueio praticamente paralisou a circulação de embarcações comerciais na rota estratégica. Cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passa pelo estreito.

Dados divulgados na quarta-feira, 4, pela consultoria de análise marítima Kpler indicam que o tráfego de petroleiros caiu 90% em apenas uma semana após o anúncio iraniano.

A interrupção parcial da rota já provocou aumento nos preços globais de petróleo e gás, que são as principais fontes de receita da Rússia.

Possíveis ganhos econômicos para Moscou em meio ao conflito no Oriente Médio

A redução do fluxo energético na região pode alterar a dinâmica do comércio internacional de petróleo. Grandes importadores, como China e Índia, podem ampliar a compra de petróleo russo.

Para especialistas, o cenário pode gerar vantagens econômicas para Moscou. Sergey Vakulenko, membro sênior do Carnegie Russia Eurasia Centre e especialista no setor energético russo, afirmou ao jornal britânico The Guardian que o bloqueio da rota favorece o país.

Segundo ele, quando uma parcela significativa do suprimento global de petróleo e do comércio marítimo é interrompida, o impacto tende a beneficiar exportadores alternativos como a Rússia.

Impacto do conflito no Oriente Médio na guerra entre Rússia e Ucrânia

Além dos efeitos econômicos, a crise regional pode produzir reflexos indiretos no conflito entre Rússia e Ucrânia.

Um eventual aumento do envolvimento militar dos Estados Unidos no Oriente Médio pode reduzir a disponibilidade de armamentos para Kiev.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou na segunda-feira que a prioridade dada à segurança de aliados na região pode dificultar o envio de sistemas de defesa aérea.

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Zelensky disse que a Ucrânia pode enfrentar dificuldades para adquirir mísseis Patriot e outros equipamentos militares.

O líder ucraniano também lembrou que ataques do Irã contra Israel em junho do ano passado já haviam provocado atrasos em algumas entregas de armamentos.

Segundo Zelensky, os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio podem precisar desses sistemas para autodefesa, o que reduziria a disponibilidade de equipamentos destinados à Ucrânia.

Para Moscou, uma eventual redistribuição dos recursos militares americanos e de seus aliados poderia aliviar a pressão sobre as forças russas que atuam no front ucraniano, criando um novo cenário estratégico dentro do atual conflito no Oriente Médio e seus efeitos globais.

Com informações de Veja.

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Romário Pereira de Carvalho

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