Rússia critica ataques ao Irã, fechamento do Estreito de Ormuz reduz tráfego de petroleiros em 90% e crise no Oriente Médio pode gerar efeitos estratégicos na guerra da Ucrânia
O agravamento do conflito no Oriente Médio após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã gerou reação da Rússia e provocou efeitos econômicos e militares que podem influenciar a guerra na Ucrânia, além de impactar o mercado global de energia.
A ofensiva contra o Irã foi criticada pelo governo russo, aliado de Teerã. Para Moscou, o episódio reforça o que autoridades descrevem como intervenções militares do Ocidente para derrubar governos adversários.
A interpretação fortalece a narrativa defendida pelo presidente Vladimir Putin sobre a necessidade de ações preventivas para proteger a soberania russa.
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Na quarta-feira, a Rússia acusou os Estados Unidos de utilizarem uma “ameaça imaginária” representada pelo Irã como justificativa para interferir na ordem constitucional.
Segundo a agência estatal Tass, Putin classificou os ataques e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, como uma “violação cínica de todas as normas de moralidade humana e do direito internacional”.
Relação militar entre Rússia e Irã no contexto do conflito no Oriente Médio
A parceria entre Moscou e Teerã ganhou importância nos últimos anos, especialmente no campo militar.
O Irã é apontado como um dos principais fornecedores de drones utilizados pela Rússia no conflito contra a Ucrânia.
Essa cooperação aprofundou os laços estratégicos entre os dois países. Apesar da relação, não há indicação de que a Rússia pretenda intervir militarmente em defesa do Irã no atual conflito no Oriente Médio.
Fechamento do Estreito de Ormuz e impacto no comércio global de petróleo
Na segunda-feira, a Guarda Revolucionária iraniana anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e declarou que qualquer navio que tentasse cruzar a passagem seria incendiado.
O bloqueio praticamente paralisou a circulação de embarcações comerciais na rota estratégica. Cerca de 20% de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo passa pelo estreito.
Dados divulgados na quarta-feira, 4, pela consultoria de análise marítima Kpler indicam que o tráfego de petroleiros caiu 90% em apenas uma semana após o anúncio iraniano.
A interrupção parcial da rota já provocou aumento nos preços globais de petróleo e gás, que são as principais fontes de receita da Rússia.
Possíveis ganhos econômicos para Moscou em meio ao conflito no Oriente Médio
A redução do fluxo energético na região pode alterar a dinâmica do comércio internacional de petróleo. Grandes importadores, como China e Índia, podem ampliar a compra de petróleo russo.
Para especialistas, o cenário pode gerar vantagens econômicas para Moscou. Sergey Vakulenko, membro sênior do Carnegie Russia Eurasia Centre e especialista no setor energético russo, afirmou ao jornal britânico The Guardian que o bloqueio da rota favorece o país.
Segundo ele, quando uma parcela significativa do suprimento global de petróleo e do comércio marítimo é interrompida, o impacto tende a beneficiar exportadores alternativos como a Rússia.
Impacto do conflito no Oriente Médio na guerra entre Rússia e Ucrânia
Além dos efeitos econômicos, a crise regional pode produzir reflexos indiretos no conflito entre Rússia e Ucrânia.
Um eventual aumento do envolvimento militar dos Estados Unidos no Oriente Médio pode reduzir a disponibilidade de armamentos para Kiev.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou na segunda-feira que a prioridade dada à segurança de aliados na região pode dificultar o envio de sistemas de defesa aérea.
Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Zelensky disse que a Ucrânia pode enfrentar dificuldades para adquirir mísseis Patriot e outros equipamentos militares.
O líder ucraniano também lembrou que ataques do Irã contra Israel em junho do ano passado já haviam provocado atrasos em algumas entregas de armamentos.
Segundo Zelensky, os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio podem precisar desses sistemas para autodefesa, o que reduziria a disponibilidade de equipamentos destinados à Ucrânia.
Para Moscou, uma eventual redistribuição dos recursos militares americanos e de seus aliados poderia aliviar a pressão sobre as forças russas que atuam no front ucraniano, criando um novo cenário estratégico dentro do atual conflito no Oriente Médio e seus efeitos globais.
Com informações de Veja.

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