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A mais de 4.000 metros no fundo do oceano, robôs chineses testam a extração de nódulos polimetálicos ricos em níquel, cobalto e manganês, colocando a China no centro da nova corrida global pela mineração submarina

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/02/2026 às 10:30
Atualizado em 05/02/2026 às 10:34
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Com testes a mais de 4.000 metros, a China avança na mineração de nódulos polimetálicos e transforma o fundo do oceano em nova fronteira estratégica de metais críticos.

Por décadas, o fundo dos oceanos foi tratado como um território praticamente inalcançável, mais associado à pesquisa científica do que à exploração econômica. Isso começou a mudar de forma acelerada nos últimos anos, e poucos países avançaram tanto quanto a China. Testes reais conduzidos a profundidades superiores a 4.000 metros mostram que Pequim já não está apenas estudando a mineração em águas profundas, mas desenvolvendo, testando e refinando tecnologias capazes de transformar o leito oceânico em uma nova fronteira estratégica de recursos minerais.

O foco dessa ofensiva são os chamados nódulos polimetálicos, estruturas rochosas arredondadas, do tamanho de batatas ou laranjas, espalhadas pelo fundo oceânico. Esses nódulos se formam ao longo de milhões de anos e concentram metais considerados críticos para a economia moderna, como níquel, cobalto, manganês e traços de cobre. São exatamente esses elementos que sustentam baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, ligas especiais para a indústria aeroespacial e sistemas militares avançados.

A relevância estratégica desse movimento não está apenas na geologia, mas na combinação entre tecnologia, geopolítica e cadeias globais de suprimento. Em um mundo cada vez mais dependente de minerais críticos, dominar o fundo do oceano pode significar reduzir vulnerabilidades econômicas e ampliar influência global.

O que são os nódulos polimetálicos e por que eles importam tanto

Os nódulos polimetálicos se acumulam principalmente em grandes planícies abissais, a profundidades que variam entre 3.500 e 6.000 metros. A região mais conhecida do planeta é a Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico, entre o Havaí e o México, onde trilhões desses nódulos cobrem milhares de quilômetros quadrados.

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Cada nódulo é, na prática, um concentrado natural de metais estratégicos. Estudos da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos indicam que um único nódulo pode conter até 30% de manganês, além de porcentagens menores, porém economicamente relevantes, de níquel e cobalto.

Esses dois últimos são especialmente sensíveis do ponto de vista geopolítico, pois hoje dependem fortemente de minas terrestres concentradas em poucos países.

A transição energética global ampliou de forma exponencial a demanda por esses metais. Um carro elétrico pode exigir várias vezes mais níquel e cobalto do que um veículo convencional. Ao mesmo tempo, restrições ambientais, instabilidade política e disputas comerciais tornam o acesso a esses recursos cada vez mais complexo. É nesse cenário que a mineração submarina passa de curiosidade científica a prioridade estratégica.

Como a China entrou na corrida do fundo do mar

A atuação chinesa na mineração em águas profundas não surgiu de forma improvisada. Desde o início dos anos 2000, o país investe de maneira contínua em pesquisa oceanográfica, engenharia submarina e direito internacional do mar.

Um dos pilares dessa estratégia é a COMRA, entidade estatal chinesa responsável por coordenar pesquisas e contratos de exploração em áreas internacionais do oceano.

A China possui múltiplos contratos de exploração concedidos pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, órgão ligado às Nações Unidas que regula atividades em áreas além das jurisdições nacionais.

Esses contratos permitem estudos detalhados do fundo oceânico, coleta de amostras e testes tecnológicos, embora a exploração comercial em larga escala ainda dependa de regulamentações definitivas.

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Nos últimos anos, a China deu um passo além da teoria. Protótipos de robôs mineradores submarinos foram testados em condições reais, operando a profundidades superiores a 4.000 metros. Esses veículos são capazes de se deslocar sobre o fundo marinho, identificar nódulos, coletá-los mecanicamente e enviá-los à superfície por sistemas de elevação.

Esses testes não são simulações em laboratório. Eles envolvem descidas reais, pressão extrema, temperaturas próximas de zero e comunicação limitada, desafios que apenas um pequeno grupo de países consegue enfrentar.

A engenharia por trás dos robôs mineradores chineses

Operar a mais de 4.000 metros de profundidade significa lidar com pressões superiores a 400 atmosferas, o equivalente a dezenas de toneladas comprimindo cada metro quadrado do equipamento. Para funcionar nesse ambiente, os robôs chineses utilizam ligas metálicas especiais, sistemas hidráulicos selados e eletrônica protegida contra infiltração e corrosão.

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Esses veículos são projetados para operar de forma semiautônoma, já que o atraso de comunicação entre a superfície e o fundo oceânico torna o controle em tempo real inviável. Sensores, câmeras de alta resistência e sistemas de navegação permitem que o robô siga rotas pré-programadas, evite obstáculos e maximize a coleta de nódulos.

Outro desafio crítico é o impacto ambiental. Durante os testes, engenheiros chineses estudam a suspensão de sedimentos, a dispersão de partículas e o efeito sobre ecossistemas bentônicos pouco conhecidos.

Esses dados são fundamentais tanto para aprimorar a tecnologia quanto para embasar negociações internacionais sobre limites e regras da mineração submarina.

O papel da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos

A mineração em áreas internacionais do oceano não pode ser feita de forma unilateral. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos é responsável por regular contratos, fiscalizar pesquisas e, futuramente, autorizar ou não a exploração comercial.

A mais de 4.000 metros no fundo do oceano, robôs chineses testam a extração de nódulos polimetálicos ricos em níquel, cobalto e manganês, colocando a China no centro da nova corrida global pela mineração submarina
A mais de 4.000 metros no fundo do oceano, robôs chineses testam a extração de nódulos polimetálicos ricos em níquel, cobalto e manganês, colocando a China no centro da nova corrida global pela mineração submarina

A China, assim como outros países, utiliza seus testes para demonstrar capacidade técnica e ganhar influência dentro desse órgão. Quanto mais dados, equipamentos e experiência um país acumula, maior tende a ser seu peso nas discussões sobre regras, royalties e repartição de benefícios.

Esse ponto é crucial. A mineração submarina não é apenas uma disputa tecnológica, mas também jurídica e política. Quem chegar primeiro com soluções viáveis tende a moldar o marco regulatório global.

Por que o movimento chinês preocupa e ao mesmo tempo inspira outros países

A atuação chinesa no fundo do oceano não passa despercebida. Países como Japão, Coreia do Sul, França e Alemanha também mantêm programas ativos de pesquisa em mineração submarina. No entanto, poucos avançaram tão rapidamente da fase experimental para testes integrados em grande profundidade.

Para alguns analistas, isso representa um risco de concentração excessiva de poder sobre minerais críticos. Para outros, é um sinal de que a mineração submarina pode se tornar inevitável diante da explosão da demanda global por metais e das limitações da mineração terrestre.

Há ainda o debate ambiental. Cientistas alertam que os ecossistemas das planícies abissais são extremamente lentos para se regenerar. Uma área perturbada hoje pode levar séculos ou milênios para se recuperar. Por isso, cada teste tecnológico é acompanhado com atenção por comunidades científicas internacionais.

Uma nova fronteira estratégica em formação

O que está em jogo vai muito além da coleta de nódulos no fundo do mar. Trata-se da abertura de uma nova fronteira econômica, comparável à corrida por petróleo em águas profundas no século XX.

Países que dominarem essa tecnologia terão acesso a reservas minerais praticamente intocadas, capazes de sustentar indústrias inteiras por décadas.

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No caso da China, essa estratégia se encaixa em um plano mais amplo de redução de dependência externa, fortalecimento da indústria de alta tecnologia e projeção de poder em áreas tradicionalmente dominadas por poucas nações.

Ao testar robôs mineradores a mais de 4.000 metros de profundidade, Pequim envia um recado claro: o fundo do oceano deixou de ser apenas um objeto de estudo científico e passou a integrar o tabuleiro geopolítico global. A corrida pela mineração submarina já começou, e seus efeitos podem redefinir cadeias produtivas, acordos internacionais e o próprio conceito de soberania sobre os recursos do planeta.

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Mr. Serious
Mr. Serious
06/02/2026 23:05

You forgot to mention this is a huge environmental concern for marine life because these nodules produce dark oxygen which is the deep marine life’s main source of oxygen.

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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