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A maior fabricante de balas de gelatina do mundo desistiu do Brasil de forma definitiva, fechou a produção em Bauru, demitiu 150 funcionários e agora promete abastecer o país com estoques que vão acabar, enquanto a verdadeira razão do abandono continua sendo um mistério que a empresa se recusa a revelar

Publicado em 30/04/2026 às 23:38
Atualizado em 30/04/2026 às 23:47
A maior fabricante de balas de gelatina fechou fábrica em Bauru. A Haribo deixa o Brasil após 10 anos e promete abastecer por estoques limitados.
A maior fabricante de balas de gelatina fechou fábrica em Bauru. A Haribo deixa o Brasil após 10 anos e promete abastecer por estoques limitados.
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A Haribo, a maior fabricante de balas de gelatina do mundo com 106 anos de história, anunciou o encerramento definitivo de sua única fábrica no Brasil e na América do Sul, localizada em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade funcionará até julho e depois será desativada, impactando cerca de 150 trabalhadores. A empresa afirma que continuará atendendo o mercado brasileiro por estoques, mas não revelou os motivos do fechamento. A Haribo deixa o continente sul-americano após apenas uma década.

A maior fabricante de balas de gelatina do mundo decidiu que o Brasil não vale mais o investimento. A Haribo, marca alemã com 106 anos de história e presença em quase 200 países, anunciou o encerramento definitivo de sua única fábrica no Brasil e em toda a América do Sul, localizada em Bauru, no interior de São Paulo. A unidade funcionará até julho de 2026 e depois será desativada, encerrando uma operação de 10 anos que empregava cerca de 150 trabalhadores e que era a única base de produção da empresa no continente sul-americano.

O que torna o caso particularmente intrigante é o silêncio da empresa sobre os motivos. A Haribo não informou quais fatores motivaram o fechamento da fábrica brasileira. Em nota, limitou-se a dizer que “a decisão é definitiva e será conduzida de forma responsável, com respeito às pessoas e em conformidade com a legislação”. A empresa promete continuar atendendo o mercado brasileiro por meio de estoques já existentes, mas não explicou por quanto tempo esses estoques serão suficientes nem como pretende manter a presença em um país de 210 milhões de consumidores sem nenhuma produção local.

O que a Haribo é e por que a saída do Brasil importa

A Haribo é a maior fabricante de balas de gelatina e alcaçuz do planeta. Fundada por Hans Riegel em Bonn, na Alemanha, a empresa carrega no próprio nome a origem: HAns RIegel BOnn. Com 106 anos de trajetória, a companhia informa estar presente em quase 200 países, com 16 unidades produtivas em 11 mercados, 73 lojas próprias e 8.500 funcionários. As balas de urso, conhecidas como Goldbären, são um dos doces mais reconhecidos do mundo.

A saída do Brasil não é apenas uma decisão empresarial: é o abandono de um mercado que consome bilhões em doces e guloseimas por ano. A fábrica de Bauru era a única da Haribo em toda a América do Sul, o que significa que o fechamento elimina qualquer capacidade de produção da marca no continente. A empresa mantém outra fábrica nas Américas, nos Estados Unidos, mas nenhuma operação industrial que possa suprir a demanda sul-americana com a mesma eficiência.

Os 150 trabalhadores que ficam sem emprego em Bauru

Segundo informações divulgadas pelo portal ndmais, o impacto mais imediato recai sobre os cerca de 150 funcionários que atuavam na unidade de Bauru. A empresa afirma que a produção seguirá funcionando até julho, o que concentra a transição nos próximos meses e dá tempo para que os trabalhadores busquem alternativas no mercado de trabalho local. A Haribo informou que a medida será conduzida “dentro da legislação trabalhista”, sem detalhar valores de indenização ou programas de recolocação.

Para Bauru, cidade do interior paulista que tem economia diversificada mas que depende de cada emprego industrial, a perda de 150 postos de trabalho é significativa. A fábrica operava há 10 anos e representava um investimento estrangeiro que trazia tecnologia, geração de renda e inserção na cadeia global de uma marca centenária. O encerramento deixa um vazio que dificilmente será preenchido por outra operação do mesmo porte no curto prazo.

A promessa de abastecer o Brasil por estoques e por que ela preocupa

A Haribo afirma que não deixará de atender os consumidores brasileiros mesmo após o fechamento da fábrica. O abastecimento continuará por meio de estoques já existentes, mas a empresa não informou o volume disponível nem por quanto tempo conseguirá manter a presença nas prateleiras dos supermercados sem produção local. A lógica é simples: estoques são finitos, e sem fábrica para repô-los, a disponibilidade do produto tende a diminuir até desaparecer.

A alternativa seria a importação direta de outras fábricas da Haribo, como a dos Estados Unidos, mas o custo logístico de trazer balas de gelatina do hemisfério norte para o Brasil pode tornar o produto inviável no mercado brasileiro, onde concorrentes locais oferecem itens semelhantes a preços muito menores. A promessa de manter a presença por estoques pode ser, na prática, uma forma de encerrar a operação gradualmente sem anunciar a saída completa de uma vez.

O mistério sobre os motivos do fechamento

A Haribo não explicou por que fechou a fábrica de Bauru, e a ausência de justificativa alimenta especulações. Dificuldades com a carga tributária brasileira, custos trabalhistas, câmbio desfavorável e complexidade regulatória são fatores que empresas estrangeiras frequentemente citam ao reduzir operações no Brasil, mas nenhum deles foi mencionado pela empresa em seu comunicado.

Outra possibilidade é que a Haribo esteja reorganizando suas operações internacionais e concentrando a produção em mercados onde a escala justifica o investimento. A empresa mantém 16 unidades produtivas em 11 mercados, e o Brasil, apesar de ser o maior país da América do Sul, pode não ter gerado volume de vendas suficiente para justificar uma fábrica própria quando a mesma capacidade pode ser alocada em mercados europeus ou norte-americanos com margens mais altas.

O que o caso revela sobre o Brasil como destino de investimento industrial

A saída da Haribo se soma a outros casos recentes de multinacionais que reduziram ou encerraram operações no Brasil, levantando a questão de se o país oferece condições competitivas para a produção industrial estrangeira. A maior fabricante de balas de gelatina do mundo chegou, investiu, operou por uma década e decidiu ir embora, e o fato de não explicar os motivos sugere que a decisão foi motivada por fatores estruturais que a empresa prefere não expor publicamente.

Para o consumidor brasileiro, a consequência prática é que as balas Haribo podem se tornar cada vez mais raras nas prateleiras até desaparecerem completamente. Para o mercado de trabalho de Bauru, são 150 empregos perdidos sem substituto imediato. E para o Brasil como destino de investimento, é mais um sinal de que atrair fábricas estrangeiras é muito mais fácil do que mantê-las operando por décadas, especialmente quando o mercado global oferece alternativas com menos burocracia e custos mais previsíveis.

Você sabia que a Haribo tinha fábrica no Brasil ou descobriu agora que ela já fechou? Conte nos comentários se consome balas de gelatina da marca e o que acha de uma empresa centenária abandonar o país sem explicar os motivos.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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