Poço recém-aberto não ofereceu vazão suficiente, e a geração ocorreu com uma fonte hidrotermal natural próxima. O protótipo ainda precisa sustentar o funcionamento por mais tempo.
A startup americana Endurance Energy informou em comunicado de 19 de outubro de 2026, distribuído pela PR Newswire, que sua usina experimental Adélie produziu mais eletricidade do que consumiu durante 8,7 segundos no fundo do Pacífico. O teste ocorreu em 27 de setembro, no Axial Seamount, um vulcão submarino ativo a cerca de 480 quilômetros da costa do Oregon, nos Estados Unidos.
A planta de 3 toneladas foi instalada a aproximadamente 1.500 metros de profundidade, durante uma expedição de três semanas. Na mesma missão, a equipe perfurou e completou um poço geotérmico, feito que a empresa apresenta como o primeiro desse tipo no mundo em ambiente submarino.
O poço encontrou fluido quente, mas restringia demais sua passagem para operar a usina. Por isso, o resultado de geração acima do consumo foi obtido com a Adélie conectada a uma fonte hidrotermal natural próxima, que liberava fluido a aproximadamente 281 °C.
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Poço de 16 metros encontrou fluido a 260 °C

Na caldeira do vulcão, a perfuratriz fez dois furos separados por menos de 60 centímetros. Ambos encontraram fluido hidrotermal, mas foi o segundo que recebeu revestimento, cimento e uma válvula de fechamento, formando um poço de 16 metros.
Essa medida corresponde ao trecho perfurado sob o fundo do mar. Já os cerca de 1.500 metros indicam a profundidade da água até o local onde os equipamentos trabalharam.
Depois da cimentação, o poço liberou fluido a 260 °C. A temperatura demonstrava a presença de calor disponível, mas o caminho aberto para a passagem desse fluido não oferecia vazão suficiente para alimentar a planta.
Na prática, encontrar calor era apenas uma parte do desafio. Para funcionar, a instalação também precisava receber uma quantidade adequada de fluido quente, condição que o poço recém-construído não atendeu durante o teste.
O poço tem cerca de 5 centímetros de largura. A perfuração utilizou água do mar filtrada, sem lama de perfuração, e foi realizada afastada das chaminés hidrotermais e dos organismos que vivem ao redor delas.
O que os 8,7 segundos demonstraram

A proposta da Adélie é converter o calor do fluido hidrotermal em eletricidade. Com a planta conectada à fonte natural, sua turbina chegou a aproximadamente 26 mil rotações por minuto.
Durante o intervalo de geração líquida positiva, a potência teve mediana de cerca de 2 kW líquidos e pico de 16,5 kW líquidos. Esses valores já consideram o consumo do próprio sistema. O pico representa o maior valor registrado, sem significar que essa potência tenha sido mantida durante todo o funcionamento.
Os 8,7 segundos, portanto, correspondem ao período em que a produção superou o consumo da instalação. A Adélie foi construída para testar a tecnologia e revelar problemas de engenharia, sem operar como uma usina comercial.
A corrida foi interrompida quando a proteção de sobrecorrente da bateria desligou o sistema. Cerca de 10 minutos depois, durante uma tentativa de reinício, falhou um cabo de alimentação da bomba de refrigeração, encerrando o mergulho.
Além da geração, a missão testou o comando dos equipamentos a longa distância. A operação foi conduzida em tempo real a partir de Seattle, por meio da Regional Cabled Array, uma rede submarina de fibra óptica da Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos.
Essa infraestrutura é operada pela Universidade de Washington dentro da Ocean Observatories Initiative. Ela permitiu que a equipe em terra comandasse a planta instalada no fundo do Pacífico.
Monitoramento acompanhou a perfuração e a vida marinha
Antes de instalar os equipamentos, a equipe mapeou o fundo do mar e escolheu uma área para reduzir a interferência da operação. Durante a missão, coletou água antes e depois das atividades e registrou em vídeo a comunidade marinha em cada mergulho.
Os resultados foram comparados com medições de 11 instrumentos operados por cientistas externos. Segundo a Endurance, o acompanhamento não indicou atividade sísmica ou vulcânica incomum, nem mudanças significativas na comunidade do fundo do mar ou na atividade hidrotermal natural do local.
Mais de 40 amostras de água, rocha e minerais estavam em laboratórios independentes para análise quando o comunicado foi publicado. As observações ambientais divulgadas se referem à missão experimental realizada no Axial Seamount.
Próxima versão buscará mais potência e geração prolongada
A próxima etapa anunciada é o envio do Gentoo, uma versão reformada e melhorada da Adélie, durante o inverno de 2026 a 2027 no hemisfério norte. A meta é aumentar a potência e prolongar o período de geração.
Outra frente será obter maior fluxo de fluido. Embora o poço dessa missão tenha alcançado 16 metros, a perfuratriz atual da empresa pode chegar a 80 metros. A expectativa da startup é que poços mais profundos forneçam a vazão necessária para sustentar o funcionamento.
Em paralelo, a Endurance desenvolve o Leopard, um gerador comercial de 2 MW. O equipamento faz parte do esforço para avançar dos testes submarinos para a geração comercial.
O primeiro projeto comercial da empresa está em desenvolvimento no Reino de Tonga, com previsão de começar a gerar eletricidade em 2027. A intenção é fornecer energia diretamente à rede do país, que depende em grande parte de diesel importado.
Você acredita que usinas no fundo do mar podem virar uma fonte de energia comum? Deixe sua opinião nos comentários.
