Com aprovação da ANAC e do Decea, a Wilson Sons passou a usar drones da Speedbird Aero para entregar documentos a navios de suprimento de plataformas — o percurso de 8 km que antes exigia uma lancha agora é feito em apenas 9 minutos
Ninguém mais precisa atravessar a Baía de Guanabara de lancha para levar documentos a navios offshore — a Wilson Sons resolveu o problema com drones offshore que cobrem 8 quilômetros em apenas 9 minutos.
Segundo anúncio publicado nesta terça-feira (29) pela Marine Link, a empresa de logística marítima iniciou a operação comercial de drones para entrega e coleta de documentos em embarcações de suprimento de plataformas na sua base de apoio offshore na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.
Os testes começaram em 6 de abril de 2026, com aprovação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), conforme detalha a Wilson Sons em sua comunicação oficial.
-
Banco do Japão eleva juros para 1% e atinge maior nível em mais de três décadas
-
Enquanto navios gigantes ainda queimam combustível pesado e o setor marítimo corre contra metas climáticas, Maersk e Vale começam a apostar no etanol como nova rota para reduzir emissões no mar
-
ANP paralisa reforma do GLP, e Sindigás vê cautela técnica como ponto decisivo para segurança, investimentos e futuro do botijão no Brasil
-
Mancha de petróleo no Caribe acende alerta ambiental e amplia tensão entre Venezuela e Trinidad e Tobago
- Tempo de entrega: aproximadamente 9 minutos para percursos de 8 km
- Carga máxima: até 5 kg por voo (documentos e itens leves)
- Operador dos drones: Speedbird Aero
- Aprovações: ANAC + Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo)
- Início dos testes: 6 de abril de 2026
Além disso, a operação é realizada pela Speedbird Aero, empresa especializada em drones de logística, que fornece e opera os equipamentos usados nas rotas offshore da Wilson Sons.
Drones offshore Wilson Sons: 9 minutos, 8 km e até 5 kg por voo
A Wilson Sons drones opera a partir da base de apoio offshore na Baía de Guanabara, onde a empresa tem duas instalações com oito berços operacionais ativos.
Os drones decolam da base em terra, cruzam os 8 quilômetros de baía em aproximadamente 9 minutos e pousam nos navios de suprimento de plataformas ancorados na região.
Segundo Edwardo Valverde, Gerente Geral de Operações da Base de Apoio Offshore da Wilson Sons, a tecnologia aumenta a eficiência operacional e contribui com as metas de sustentabilidade do setor de energia offshore.
Por isso, a operação atual foca em documentos e itens leves — a capacidade máxima de carga dos drones é de 5 quilogramas.
Na prática, isso cobre a maior parte do fluxo de papéis, autorizações, certificados e comunicados que precisam circular entre a base em terra e as embarcações de suporte às plataformas de petróleo e gás.
Conforme Rodrigo Lopes, Gerente de Operações da companhia, o projeto representa um avanço concreto na modernização da logística offshore brasileira.
O que muda na segurança dos trabalhadores offshore
Por trás dos 9 minutos e dos 8 km, há um impacto mais importante do que a velocidade: a segurança dos trabalhadores.
No modelo anterior, a entrega de documentos entre a base e os navios exigia o uso de embarcações menores — lanchas e botes de apoio que precisam cruzar a Baía de Guanabara em qualquer condição climática.
Em dias de ventos fortes, maré alta ou visibilidade reduzida, essas travessias representam risco real para os tripulantes das embarcações menores.
Contudo, com os drones offshore, o percurso não depende mais de equipe humana embarcada. O operador fica em terra, e o drone segue sua rota de forma autônoma.
Além disso, a eliminação dessas travessias repetidas reduz o número de movimentações de embarcações menores na baía — o que também diminui riscos de colisão e acidentes portuários.
Dessa forma, a inovação da Wilson Sons não é apenas sobre velocidade de entrega. É sobre retirar trabalhadores de rotas de risco rotineiras.
Para ter uma ideia, a Baía de Guanabara é uma das áreas de maior tráfego marítimo do Brasil — com dezenas de navios, balsas, lanchas e embarcações de apoio circulando simultaneamente, o risco de incidentes em embarcações menores é permanente.

A Speedbird Aero e a tecnologia por trás da operação
A Speedbird Aero é a empresa responsável pelos drones usados na operação da Wilson Sons na Baía de Guanabara.
A companhia atua no segmento de logística com drones offshore e já acumula experiência em operações de entrega em ambientes portuários e marítimos.
No entanto, o diferencial desta parceria é o ambiente operacional: a Baía de Guanabara apresenta condições específicas de ventos, tráfego aéreo e naval que exigiram um processo regulatório rigoroso.
Apesar disso, a dupla aprovação — ANAC (aviação civil) e Decea (controle do espaço aéreo) — garante que os voos estão integrados ao sistema de gestão de tráfego aéreo da região metropolitana do Rio de Janeiro.
Sobretudo, isso significa que os drones da Wilson Sons voam de forma coordenada com o tráfego de helicópteros offshore que também operam na baía — uma exigência crítica para evitar conflitos de rota no espaço aéreo costeiro.
Do Porto de Salvador à Guanabara: o histórico que pavimentou o caminho
A operação na Baía de Guanabara não surgiu do zero.
A Wilson Sons realizou testes anteriores de drones para entregas no Porto de Salvador, onde testou o conceito em ambiente portuário antes de escalar para as operações offshore do Rio de Janeiro.
Portanto, a operação comercial iniciada em abril de 2026 representa a maturidade de um projeto que levou meses de validação técnica, regulatória e operacional.
Além disso, a Wilson Sons tem mais de 21 anos de experiência em logística de suporte offshore no Brasil, com bases estratégicas na Baía de Guanabara e histórico de atendimento a embarcações que operam nos campos de petróleo da Bacia de Campos e do pré-sal.
Da mesma forma, outros operadores de bases offshore no Brasil já observam o piloto da Wilson Sons como referência para possíveis implementações similares nas suas próprias operações.
Projetos como a expansão da Petrobras no pré-sal com R$ 60 bilhões em novos FPSOs vão demandar cada vez mais logística offshore eficiente — e os drones entram nesse contexto como uma peça do quebra-cabeça de operações cada vez mais automatizadas.

Menos lanchas, menos emissões: os drones offshore que mudam a logística de O&G
A Wilson Sons destaca a redução de emissões como um dos benefícios centrais da operação de drones offshore na Baía de Guanabara.
Cada travessia de lancha entre a base e um navio consome combustível e emite carbono — especialmente quando a viagem acontece para entregar apenas um conjunto de documentos.
No entanto, um drone elétrico que cobre o mesmo percurso em 9 minutos consome uma fração da energia e não gera emissões locais durante o voo.
Em resumo, para um operador que realiza dezenas dessas travessias por dia, a substituição por drones pode representar uma redução significativa na pegada de carbono das operações em terra.
Isso alinha a iniciativa às metas de sustentabilidade que empresas do setor de óleo e gás vêm sendo pressionadas a cumprir — tanto por regulações ambientais quanto por exigências de investidores ESG.
Trabalhadores como os soldadores submarinos que atuam nas plataformas de petróleo dependem de uma cadeia logística funcional e segura — e os drones são mais um elo dessa modernização.
O que ainda não se sabe — e por que vale acompanhar
Por fim, há uma ressalva importante: a operação ainda é um piloto comercial em fase inicial.
A capacidade atual de 5 kg limita os drones a documentos e itens leves — peças de reposição, equipamentos maiores e suprimentos pesados ainda exigem embarcações convencionais.
Contudo, se o piloto mostrar resultados consistentes de pontualidade, segurança e redução de emissões, a Wilson Sons tem infraestrutura para escalar a operação para mais rotas e mais navios na baía.
Ainda assim, há questões em aberto: o que acontece com os drones em condições de vento extremo? A aprovação do Decea permite voos noturnos? Haverá integração com o sistema de rastreamento de embarcações já existente?
Nesse sentido, o modelo da Wilson Sons na Baía de Guanabara pode se tornar referência para o setor offshore brasileiro — ou pode esbarrar em limitações operacionais que ainda não apareceram nos testes.

Será que o Brasil está finalmente pronto para incorporar os drones como infraestrutura permanente de logística offshore — ou esse será mais um piloto que fica parado nos relatórios de inovação?

Seja o primeiro a reagir!