Gigante do varejo aposta em impressoras robóticas que depositam concreto em camadas, relata economia de 15% nas obras e transforma experiência de 40 dias em operação de apenas uma semana
O Walmart encontrou uma maneira diferente de acelerar a construção de suas lojas nos Estados Unidos. A varejista começou a utilizar impressoras 3D robóticas capazes de erguer paredes com camadas de concreto, reduzindo a dependência dos métodos convencionais nessa etapa. A experiência já alcançou cinco ampliações e abriu caminho para um programa com mais de 30 projetos até 2027. A construtora responsável relata economia de custos e redução de prazos, conforme reportagem publicada pela Fast Company em agosto de 2026.
Primeira experiência levou 40 dias, mas Walmart conseguiu reduzir a impressão das paredes para apenas uma semana
A transformação começou em setembro de 2024, quando o Walmart decidiu testar a tecnologia em uma unidade de Athens, no Tennessee.
Inicialmente, a construtora FMGI havia recebido a tarefa de executar uma ampliação convencional. Entretanto, a varejista mudou os planos e decidiu utilizar equipamentos da Alquist 3D, empresa especializada em impressão de concreto.
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O objetivo era construir uma área adicional de aproximadamente 743 metros quadrados, com paredes de cerca de seis metros de altura. O novo espaço atenderia ao crescimento dos serviços de retirada e entrega de compras realizadas pela internet.
A operação, porém, apresentou dificuldades. A equipe precisou aprender a trabalhar com um braço robótico instalado sobre trilhos. Além disso, teve de adaptar os projetos e submetê-los novamente às autoridades municipais.
Ao todo, foram necessários 40 dias para executar a impressão das paredes, incluindo o aprendizado operacional.
A experiência mudou o desempenho da equipe. Em fevereiro de 2025, a FMGI concluiu a impressão das paredes de uma segunda ampliação, desta vez no Alabama, em apenas uma semana.
A diferença mostrou que o treinamento dos operadores e a familiaridade com os equipamentos poderiam acelerar a execução das estruturas. Esse avanço acompanha a adoção de robôs nos canteiros de obras, que automatizam tarefas e ampliam as possibilidades de produtividade na construção civil.
Braço robótico deposita concreto em camadas e construtora relata economia de 15% nos custos das obras
O funcionamento da tecnologia combina planejamento digital, automação e um composto especial de concreto. A evolução dos materiais também integra esse processo de inovação, com pesquisas sobre novas misturas de concreto que buscam modificar a composição e o desempenho do material utilizado na construção civil.
Primeiro, a equipe prepara o projeto da estrutura em um sistema digital. Em seguida, transforma as informações em comandos que orientam os movimentos da impressora.

O braço robótico percorre o trajeto programado e deposita sucessivas camadas de concreto. Assim, a máquina constrói as paredes progressivamente, seguindo as dimensões definidas no projeto.
A tecnologia não imprime uma loja inteira pronta para funcionamento. Ela executa principalmente as paredes, enquanto outras etapas, como instalações elétricas, hidráulicas e acabamentos, continuam necessárias.
Segundo a FMGI, a aplicação do sistema nos projetos do Walmart proporciona redução de aproximadamente 33% no tempo de construção e economia de cerca de 15% nos custos das obras.
Esses percentuais representam resultados relatados pela construtora, e não uma garantia de desempenho para qualquer empreendimento.
Atualmente, a FMGI possui quatro impressoras robóticas da Alquist, cada uma avaliada em pouco menos de US$ 300 mil, em média.
A tecnologia também oferece uma alternativa para executar paredes de grandes dimensões com menos trabalho manual nessa etapa.
Entretanto, a impressão não elimina a necessidade de profissionais especializados. Operadores, engenheiros e equipes de construção continuam essenciais para preparar, supervisionar e finalizar os empreendimentos.
Calor de 43°C provocou falhas nas máquinas, mas Walmart pretende ampliar a tecnologia até 2027
Apesar dos resultados, a tecnologia ainda enfrenta limitações importantes.
Durante o projeto no Tennessee, a temperatura ambiente chegou a aproximadamente 43°C. O calor dificultou o controle da mistura de concreto e provocou problemas nas mangueiras que transportavam o material até o bico da impressora.
Para contornar a situação, os trabalhadores passaram a adicionar gelo ao sistema e realizar parte das operações durante a noite.
O composto precisa permanecer dentro de uma faixa adequada de temperatura. Além disso, ventos fortes podem comprometer a estabilidade do equipamento e a precisão das camadas depositadas.
Mesmo com esses obstáculos, o Walmart decidiu ampliar a experiência.
A parceria com a FMGI prevê mais de 30 projetos até 2027, incluindo principalmente postos de combustível independentes e novas áreas destinadas à retirada e entrega de pedidos online.
Isso não significa que a rede construirá 30 supermercados inteiros por impressão 3D. O programa reúne diferentes tipos de estruturas e ampliações, com o uso da tecnologia concentrado nas paredes.
Em agosto de 2026, a FMGI também anunciou a conclusão de uma ampliação de aproximadamente 406 metros quadrados em McCook, Nebraska, destinada às operações de pedidos online.
Segundo a construtora, esse foi seu primeiro projeto de impressão 3D de concreto executado de forma totalmente independente.
Dessa maneira, o Walmart passa a testar não apenas a velocidade das máquinas, mas também a possibilidade de transformar a impressão de concreto em um processo construtivo repetível em diferentes unidades comerciais.
