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Panasonic cria bateria de estado sólido que opera a 150°C, adota novo formato prismático e prepara amostras para envio entre outubro e dezembro de 2026 para indústria e sensores

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 22/09/2026 às 11:14 Atualizado em 22/09/2026 às 11:18
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Célula de bateria de estado sólido em desenvolvimento pela Panasonic Energy
Célula all-solid-state em desenvolvimento pela Panasonic Energy, tecnologia voltada a aplicações industriais e sensores. Crédito: Panasonic Energy.
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A Panasonic Energy elevou de 125°C para 150°C a temperatura máxima de sua bateria all-solid-state, criou uma célula prismática menor e prepara amostras para outubro a dezembro de 2026, mirando sensores e máquinas.

A Panasonic Energy levou sua bateria de estado sólido para uma faixa térmica de até 150°C e, ao mesmo tempo, criou um novo formato prismático pequeno para facilitar a instalação em equipamentos industriais e sensores automotivos.

A nova etapa foi revelada pelo diretor de tecnologia da companhia, Shoichiro Watanabe, durante uma conferência do setor no Japão. Até agora, as baterias all-solid-state em desenvolvimento pela Panasonic operavam com limite de aproximadamente 125°C. O novo projeto amplia essa faixa em 25°C e prepara a tecnologia para ambientes em que calor elevado encurta a vida útil de baterias convencionais.

O avanço vem acompanhado de outra mudança concreta: além das células em formato semelhante a moeda já testadas pela empresa, a Panasonic desenvolveu uma célula prismática pequena. O desenho retangular facilita o encaixe dentro de produtos e sistemas onde o espaço interno precisa ser aproveitado com mais liberdade.

Amostras começam a sair entre outubro e dezembro de 2026

A Panasonic pretende iniciar o envio de amostras entre outubro e dezembro de 2026. Essa fase colocará a bateria nas mãos de clientes e parceiros para testes em condições reais antes da produção em escala maior.

O foco inicial está em máquinas industriais e sensores de veículos, dois mercados em que temperaturas elevadas e dificuldade de manutenção tornam uma bateria resistente ao calor especialmente valiosa.

Em fábricas, por exemplo, motores e robôs trabalham em ritmo intenso e podem elevar a temperatura interna de sensores e controladores. Em veículos, sistemas instalados próximos a rodas, motores ou componentes expostos ao calor enfrentam condições semelhantes. A Panasonic também cita aplicações ligadas à esterilização de equipamentos médicos, onde temperaturas altas fazem parte do processo normal de operação.

O objetivo comercial é começar em nichos onde a resistência térmica entregue um benefício claro. A própria Panasonic já vinha defendendo essa estratégia: lançar baterias all-solid-state primeiro em aplicações difíceis para sistemas líquidos, em vez de tentar entrar imediatamente em mercados de volume gigantesco como o de veículos elétricos.

Linha de prototipagem de células no Energy Innovation Square da Panasonic Energy
Linha de prototipagem de células no Energy Innovation Square, centro de P&D da Panasonic Energy em Osaka. Crédito: Panasonic Energy.

Formato prismático tenta resolver um problema prático de integração

O novo formato prismático ataca uma limitação simples de engenharia. Células redondas ou em formato de moeda podem ser eficientes para determinadas funções, mas restringem a organização interna de sensores e equipamentos compactos. Uma célula retangular pequena pode ser posicionada com mais flexibilidade ao lado de placas, motores, módulos eletrônicos e outros componentes.

Segundo Watanabe, essa mudança pode facilitar o desenho final dos produtos que receberão a bateria. A companhia pretende oferecer diferentes formatos conforme a aplicação, sem abandonar os testes com células tipo moeda.

A tecnologia all-solid-state substitui o eletrólito líquido por um material sólido. Esse tipo de construção pode ampliar a estabilidade em temperaturas elevadas e reduzir limitações que aparecem em baterias convencionais quando o ambiente de operação fica muito quente.

A Panasonic ressalta que o desenvolvimento depende de controlar com precisão o contato entre eletrodos e eletrólito sólido. Em uma bateria líquida, o eletrólito se espalha e acompanha a superfície do eletrodo. Em uma bateria sólida, qualquer perda de contato pode atrapalhar a passagem de íons e reduzir o desempenho.

Produção em massa é planejada para um a dois anos depois das amostras

Se os testes com clientes avançarem como esperado, a Panasonic pretende iniciar a produção em massa um a dois anos após o começo dos envios de amostras. Esse intervalo será usado para avaliar desempenho, integração nos produtos e estabilidade em diferentes condições de uso.

A empresa também reforçou recentemente sua estrutura de pesquisa no Japão com o Energy Innovation Square, em Osaka. O centro reúne desenvolvimento de materiais, projeto de células, prototipagem e análise, aproximando etapas que antes estavam distribuídas entre diferentes instalações.

Vista externa do Energy Innovation Square da Panasonic Energy em Osaka
Vista externa do Energy Innovation Square, centro da Panasonic Energy dedicado ao desenvolvimento de novas baterias em Osaka. Crédito: Panasonic Energy.

Essa concentração de engenharia ajuda a reduzir o tempo entre laboratório e produção. A Panasonic quer acelerar a passagem de novas químicas e formatos de célula para linhas capazes de fabricar amostras e, depois, volumes comerciais.

Além das pequenas baterias sólidas, Watanabe afirmou que a companhia também pretende acelerar o desenvolvimento de baterias cilíndricas para robôs humanoides. O formato cilíndrico pode se encaixar melhor em braços, articulações e estruturas curvas, onde o espaço disponível é limitado.

A nova bateria de 150°C mostra que a corrida pelas baterias de estado sólido já avança em aplicações industriais. A Panasonic está tentando abrir mercado primeiro onde o calor, a manutenção e o espaço interno criam problemas concretos hoje.

Se as amostras confirmarem o desempenho em sensores, máquinas e ambientes de esterilização, a tecnologia pode chegar ao mercado em aplicações industriais antes de aparecer em veículos de passeio. Compartilhe a matéria e deixe sua opinião nos comentários sobre qual uso dessa bateria parece mais promissor.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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