Volume do rio Iguaçu começou a subir em 31 de agosto, atingiu o maior nível do episódio em 2 de setembro e permaneceu muito acima do normal no dia seguinte, sem interromper a visitação no lado brasileiro
As Cataratas do Iguaçu, no Paraná, ganharam uma aparência ainda mais impressionante no início de setembro de 2026. Depois de dias de chuva sobre a bacia do rio Iguaçu, a vazão disparou e chegou a 8,37 milhões de litros de água por segundo, volume mais de cinco vezes superior ao normalmente observado no conjunto de quedas.
O pico ocorreu na tarde de 2 de setembro, segundo a concessionária Urbia+Cataratas. Mesmo com a força da água e o cenário tomado por quedas volumosas e uma grande quantidade de névoa, a passarela com vista para a Garganta do Diabo e a Trilha das Cataratas permaneceram abertas, enquanto equipes acompanhavam continuamente o comportamento do rio.
Cataratas passaram de 8 milhões de litros por segundo e atingiram o pico às 13h
O aumento vinha sendo observado desde 31 de agosto, quando o volume de água começou a crescer em consequência das chuvas acumuladas na extensa bacia do rio Iguaçu. O avanço continuou durante os dias seguintes até alcançar o ponto mais elevado desse episódio.
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Às 13h de 2 de setembro, as Cataratas registraram 8 milhões e 370 mil litros de água por segundo. A média histórica é de aproximadamente 1,5 milhão de litros por segundo, o que significa que naquele momento o fluxo chegou a cerca de 5,6 vezes o volume considerado normal.
No dia seguinte, 7,75 milhões de litros ainda passavam pelas quedas a cada segundo

Apesar de começar a recuar depois do pico, a vazão continuou extremamente elevada. Na manhã de 3 de setembro, eram aproximadamente 7,75 milhões de litros de água por segundo, segundo dados citados pela Folha de S.Paulo.
Na prática, isso significava que, a cada segundo, uma quantidade equivalente a milhões de garrafas e caixas-d’água passava pelo conjunto de quedas. Mesmo abaixo dos 8,37 milhões registrados no dia anterior, o volume ainda correspondia a mais de cinco vezes a média histórica das Cataratas.
Chuvas a centenas de quilômetros das Cataratas ajudam a explicar aumento repentino do rio
O aumento não depende apenas da chuva registrada em Foz do Iguaçu. O rio percorre grande parte do Paraná, e a água acumulada em diferentes pontos da bacia acaba avançando pelo sistema até chegar às Cataratas.
Segundo o Simepar, as chuvas ocorridas principalmente nas regiões Sul e Oeste do Paraná contribuíram para elevar o volume do rio Iguaçu. O estado atravessa um período de maior instabilidade atmosférica, com sucessivas áreas de chuva e tempestades.
Isso ajuda a explicar por que o nível das Cataratas pode subir de forma tão intensa mesmo quando as condições meteorológicas observadas naquele instante em Foz do Iguaçu não parecem suficientes, por si só, para produzir tamanha mudança.
Agosto terminou com chuva acima da média em praticamente todo o Paraná
O terreno já estava bastante úmido antes mesmo da virada para setembro. O Simepar informou que agosto de 2026 terminou com volumes de chuva acima da média na maior parte do Paraná, depois de tempestades registradas nos últimos dias do mês.
A sequência deixou rios e solos mais carregados de água justamente antes da chegada de novas instabilidades. Setembro, que climatologicamente já costuma marcar o aumento das precipitações no estado, começou mantendo essa tendência.
El Niño favorece um setembro mais chuvoso no Paraná

O Simepar também prevê chuvas acima da média em todas as regiões do Paraná durante setembro de 2026, especialmente na primeira quinzena. Entre os fatores estão a passagem de várias frentes frias, sistemas de baixa pressão e a influência do El Niño.
O fenômeno está ativo no Oceano Pacífico Equatorial e historicamente favorece o aumento das precipitações sobre o Sul do Brasil. Para o Paraná, a expectativa é de maior frequência de episódios de chuva intensa e acumulados superiores aos padrões climatológicos.
Esse cenário significa que novas oscilações importantes nos rios paranaenses podem ocorrer ao longo das próximas semanas, dependendo da distribuição e intensidade das chuvas sobre cada bacia.
Mesmo com a força da água, passarela da Garganta do Diabo permaneceu aberta
Um dos pontos que mais chamaram atenção durante o aumento da vazão foi a manutenção da visitação. Apesar dos mais de 8 milhões de litros por segundo, a passarela que aproxima os visitantes da Garganta do Diabo continuou funcionando no lado brasileiro.
A Trilha das Cataratas e os demais atrativos do Parque Nacional do Iguaçu também permaneceram abertos. Técnicos da Urbia+Cataratas e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ficaram responsáveis por acompanhar e avaliar a situação do rio em tempo real.
Isso não significa, porém, que a abertura seja mantida independentemente do volume. As condições da passarela, a tendência de alta ou queda do rio e as condições meteorológicas entram na avaliação das equipes responsáveis pela segurança.
Vazões próximas de 9 milhões de litros por segundo podem levar a restrições
A Folha informou que acessos podem ser interditados quando o volume se aproxima de 9 milhões de litros por segundo, dependendo das condições observadas no momento. Durante o episódio de setembro, porém, o pico de 8,37 milhões não levou ao fechamento da estrutura brasileira.
Por isso, não existe uma leitura simples de que determinado número provoque automaticamente uma interdição. A administração acompanha fatores como velocidade da elevação, previsão de novas chuvas e comportamento do rio antes de decidir restringir o acesso dos visitantes.
Volume impressiona, mas está muito distante das maiores cheias já vistas nas Cataratas
Embora 8,37 milhões de litros por segundo seja um número impressionante, o episódio de setembro de 2026 não representa o recorde histórico das Cataratas do Iguaçu.
Grandes cheias anteriores já produziram volumes muito superiores e exigiram medidas mais severas de segurança. Isso coloca o episódio atual em perspectiva: o fluxo ficou excepcionalmente alto em relação à média, mas não se aproxima dos maiores eventos hidrológicos já registrados no local.
Espetáculo natural muda completamente quando a vazão multiplica
Com mais água descendo pelo rio, quedas menores praticamente se unem, a névoa aumenta e o tom da água pode ficar mais escuro devido aos sedimentos carregados pela correnteza. Para quem visita o parque nesses períodos, a paisagem é bastante diferente daquela encontrada durante uma vazão próxima da média.
O cenário também mostra como acontecimentos meteorológicos registrados em diferentes partes do Paraná podem se transformar, dias depois, em mudanças visíveis em um dos pontos turísticos mais conhecidos do país.
O Parque Nacional do Iguaçu, administrado pelo ICMBio, é reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO. A visitação turística é gerida pela Urbia+Cataratas, que manteve o acompanhamento do rio enquanto a vazão permanecia muito acima do padrão.

