Will Jimeno tinha 33 anos quando ficou soterrado nos escombros do World Trade Center por 13 horas após o colapso das torres em 11 de setembro. Sobreviveu, passou por oito cirurgias e quase três meses internado e, 25 anos depois, celebra ter acompanhado as filhas crescerem ao lado da esposa.
Will Jimeno era um policial novato de 33 anos da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey quando ficou preso sob os escombros do World Trade Center em 11 de setembro de 2001. Depois de cerca de 13 horas entre o soterramento e a retirada, ele sobreviveu, enfrentou duas paradas cardíacas, oito cirurgias e quase três meses de internação, carregando consequências físicas e emocionais daquele dia.
Segundo reportagem da PEOPLE, assinada por Johnny Dodd e Diane Herbst, Jimeno olha para os 25 anos desde os ataques destacando sobretudo a vida familiar que pôde acompanhar ao lado da esposa, Allison, e das filhas Bianca e Olivia. “Pude ver minhas filhas crescerem”, afirmou ao recordar aniversários, formaturas e outros momentos dos quais conseguiu participar.
Jimeno corria para ajudar na evacuação quando a torre sul desabou

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Ele havia visto funcionários desesperados saltando das janelas e seguia pelo shopping center localizado sob as torres quando ouviu uma explosão. A torre sul, de 110 andares, desabou, lançando destroços e uma bola de fogo sobre o local.
Dois policiais morreram imediatamente sob os destroços

O impacto jogou Jimeno de costas e matou dois de seus companheiros, Christopher Amoroso e Antonio Rodrigues.
O policial ficou preso em completa escuridão sob os escombros. Menos de 30 minutos depois, a torre norte também caiu, ampliando a destruição ao redor.
Terceiro companheiro morreu após a queda da torre norte

Jimeno ainda presenciou a morte de outro policial, Dominick Pezzulo.
Perto dele, o supervisor da equipe, sargento John McLoughlin, também estava vivo, mas preso sob uma parede desabada.
Jimeno recordou ter pensado naquele momento que os dois morreriam.
Esposa estava grávida de sete meses
Os pensamentos de Jimeno se voltaram para Allison, que estava grávida de sete meses.
Ele pediu a McLoughlin que usasse o rádio para transmitir uma mensagem à esposa, sem saber que o equipamento não estava funcionando.
O pedido era para que, caso ele não sobrevivesse, a filha que estava para nascer recebesse o nome de Olivia.
Socorristas ouviram os gritos após dez horas sob os escombros
Jimeno e McLoughlin permaneceram aproximadamente dez horas sob cerca de 9 metros de destroços antes de serem localizados.
Dois fuzileiros navais e um civil ouviram os gritos dos homens e conseguiram determinar onde estavam presos.
Operação para retirar Jimeno levou outras três horas
Depois da localização, começou uma operação de alto risco que durou aproximadamente três horas até a retirada de Jimeno.
Os policiais do Departamento de Polícia de Nova York Scott Strauss e Patrick McGee estiveram entre os socorristas envolvidos.
McLoughlin seria retirado do local cerca de oito horas depois.
Bombeiros chegaram a pedir que equipe abandonasse o local
O fogo ainda ameaçava a operação de salvamento.
Scott Strauss, hoje aposentado, relatou que bombeiros pediam a retirada dos socorristas porque as chamas não estavam controladas.
Strauss afirmou que a equipe decidiu permanecer para tentar retirar os policiais soterrados.
Jimeno estava preso por concreto e vergalhão no tornozelo
Horas antes do resgate, o policial permanecia em um espaço apertado, quente e tomado por fumaça e poeira.
Uma parede de concreto estava sobre ele, enquanto um pedaço de vergalhão preso ao concreto envolvia seu tornozelo esquerdo.
McLoughlin disse que a sobrevivência dependeria da capacidade dos dois de permanecer acordados.
Os dois passaram horas rezando para não adormecer
Jimeno e McLoughlin lutaram durante horas contra a dor e a vontade de fechar os olhos.
“Rezamos muito, fizemos muitas Ave-Marias”, contou Jimeno.
O policial recorda que a orientação de seu supervisor era direta: se adormecessem, poderiam morrer.
Resgate ocorreu por volta das 23h
Jimeno finalmente foi retirado dos escombros por volta das 23h.
Quando viu ao luar a pilha de aço e destroços onde antes estavam as torres, perguntou a um bombeiro onde estava tudo.
Segundo a PEOPLE, ele foi um dos apenas 20 sobreviventes resgatados dos destroços.
Quase 3 mil pessoas morreram nos ataques
O resgate ocorreu em uma cidade ainda tomada pela dimensão da tragédia.
Quase 3.000 pessoas morreram na série de ataques terroristas da Al-Qaeda em 11 de setembro, segundo a reportagem.
Os ataques posteriormente levaram os Estados Unidos à invasão do Afeganistão.
Duas paradas cardíacas ocorreram no Hospital Bellevue
Jimeno foi levado às pressas para o Hospital Bellevue, em Nova York.
Na sala de emergência, sofreu duas paradas cardíacas.
A recuperação física exigiria ainda uma sequência de procedimentos e meses de hospitalização.
Oito cirurgias e quase três meses de internação
O policial passou por oito cirurgias e permaneceu hospitalizado por quase três meses.
As lesões deixaram sua perna esquerda parcialmente paralisada e, segundo ele, há dias em que o membro praticamente não funciona.
Jimeno descreve essa consequência como um preço pequeno diante da oportunidade de continuar com a família.
Olivia nasceu em novembro no aniversário de 34 anos do pai

Em novembro de 2001, poucas semanas depois do resgate, Allison deu à luz Olivia.
Jimeno acompanhou o nascimento sentado em uma cadeira de rodas, justamente no dia em que completava 34 anos.
A partir daí, ele e Allison seguiram criando Olivia e Bianca, a filha mais velha.
Bianca tinha 4 anos na manhã de 11 de setembro
Antes de sair para trabalhar naquele dia, Jimeno havia se despedido da esposa grávida e de Bianca, então com 4 anos.
Ele seguia para o turno das 7h no Terminal Rodoviário da Autoridade Portuária, em Midtown Manhattan.
O dia havia começado poucos meses depois de o então policial conseguir o que descrevia como o emprego dos sonhos e comprar sua primeira casa em Clifton, Nova Jersey.
Veterano da Marinha era filho de imigrantes colombianos
Antes de trabalhar na Autoridade Portuária, Jimeno havia servido na Marinha.
Seus pais emigraram da Colômbia pouco depois de ele completar 2 anos, segundo a reportagem.
A trajetória profissional acabaria sendo profundamente alterada pelas lesões sofridas nos ataques.
Lesões levaram à aposentadoria em 2004
As consequências físicas acabaram impedindo a continuidade da carreira.
Jimeno se aposentou da Autoridade Portuária em 2004 em razão das lesões decorrentes do 11 de setembro.
Os efeitos daquele dia também se estenderam à saúde emocional.
Trauma provocou episódios de raiva e exigiu tratamento
Jimeno relatou que passou a enfrentar explosões de raiva e transtorno de estresse pós-traumático.
No fim de 2002, percebeu que precisava de ajuda e iniciou acompanhamento com um terapeuta.
Segundo ele, aprender a reconhecer os próprios gatilhos foi um processo longo.
Compartilhar a história virou parte de sua recuperação
Com o passar dos anos, Jimeno passou a contar publicamente o que viveu.
Ele afirma que compartilhar a experiência lhe permitiu ajudar outras pessoas a lidar com suas próprias dores.
“Todos se concentram na escuridão”, disse. “Mas eu me concentro na luz.”
Olivia, hoje com 24 anos, cresceu com o pai presente

imagem: de William Jimeno
Olivia tem atualmente 24 anos e trabalha para o Departamento de Assuntos de Veteranos em Auburn, Alabama.
Ela cresceu sem memória pessoal dos ataques, mas com a história do 11 de setembro presente dentro da família.
Jimeno participou de suas competições de líderes de torcida, jogos de vôlei e também foi responsável por ensiná-la a caçar perus.
Pai acompanhou comunhões, aniversários e formaturas das filhas
Aos 58 anos, Jimeno destaca os acontecimentos familiares dos quais pôde participar depois de sobreviver.
Ele recorda ter acompanhado comunhões, festas de aniversário e formaturas de Bianca e Olivia, além de vê-las se tornarem adultas.
Jimeno afirma que ele e Allison sentem orgulho das filhas e vê a própria sobrevivência como uma segunda oportunidade de vida.
Família segue reunida 25 anos depois do 11 de setembro
Vinte e cinco anos depois dos ataques, Jimeno vive ao lado de Allison, que também está aposentada, e acompanha a vida adulta das duas filhas.
Ao olhar para o que aconteceu sob os escombros e para tudo o que veio depois, ele diz que procura se concentrar na oportunidade que teve de continuar presente para a família e aconselha quem atravessa tragédias a se levantar, juntar os pedaços e seguir em frente.
Na sua opinião, o que mais marca a trajetória de Will Jimeno: sobreviver cerca de 13 horas sob os escombros, enfrentar anos de recuperação ou ter conseguido acompanhar o crescimento das duas filhas ao lado da esposa? Deixe sua opinião nos comentários.

