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Mineração brasileira movimenta US$ 8,2 bilhões em 13 negócios desde 2025, com terras raras concentrando 42% do valor e empresas estrangeiras disputando minas e projetos estratégicos no país

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Escrito por Felipe Alves da Silva Publicado em 14/10/2026 às 23:46
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Grande mina a céu aberto no Brasil com caminhões transportando minério e instalações industriais de processamento mineral.
Fusões e aquisições envolvendo ativos de mineração no Brasil somaram US$ 8,2 bilhões entre janeiro de 2025 e outubro de 2026, segundo levantamento da Alvarez & Marsal. Imagem ilustrativa criada por IA.
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Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal revela que fusões e aquisições no setor mineral brasileiro aceleraram em 2026, com US$ 5,9 bilhões anunciados até outubro e forte participação de investidores dos Estados Unidos, China, Austrália e Europa.

A mineração brasileira movimentou US$ 8,2 bilhões em fusões e aquisições desde janeiro de 2025, em uma sequência de operações que está redesenhando o controle de minas e projetos minerais no país. Foram identificados 13 negócios com valores divulgados, envolvendo desde minas de ouro e níquel até depósitos de terras raras considerados estratégicos para a indústria mundial.

O levantamento foi realizado pela consultoria Alvarez & Marsal (A&M), com dados compilados até 2 de outubro de 2026, e divulgado pela CNN Brasil em 8 de outubro.

O resultado chama atenção pela velocidade das negociações. Somente em 2026, foram anunciados US$ 5,9 bilhões em transações, aproximadamente 2,6 vezes os US$ 2,3 bilhões registrados durante todo o ano de 2025.

As terras raras ocupam posição central nesse movimento. Apenas duas aquisições envolvendo projetos brasileiros desse grupo de minerais representam 42% de todo o valor identificado no levantamento.

Os compradores incluem empresas americanas, australianas, chinesas e europeias, interessadas em ativos que poderão ganhar importância no abastecimento internacional de matérias-primas utilizadas em veículos elétricos, equipamentos industriais e tecnologias energéticas.

Dos US$ 8,2 bilhões anunciados, US$ 3,6 bilhões ainda dependem de conclusão dos negócios

O levantamento da Alvarez & Marsal identificou 13 operações com valores publicamente divulgados entre janeiro de 2025 e 2 de outubro de 2026.

Desse total, oito transações, avaliadas em aproximadamente US$ 4,6 bilhões, já foram concluídas.

As outras cinco representam US$ 3,6 bilhões e permanecem sujeitas a fechamento, aprovação regulatória ou outras condições estabelecidas nos respectivos contratos.

Os números mostram que a movimentação bilionária anunciada não equivale necessariamente a dinheiro já desembolsado ou a investimentos realizados na construção de minas.

Uma aquisição pode envolver a compra de participações societárias, transferência de controle empresarial ou reorganização de ativos existentes. Isso é diferente de aplicar o mesmo valor na expansão da produção mineral.

A distinção é importante porque parte das operações anunciadas ainda poderá enfrentar etapas administrativas antes de se tornar definitiva.

A consultoria identificou também mais de uma dezena de transações menores ou sem valores públicos, que não integram o total de US$ 8,2 bilhões.

O movimento revela um mercado no qual grandes grupos estão reorganizando seus negócios enquanto investidores especializados disputam ativos considerados estratégicos.

Empresas americanas e australianas protagonizam aquisições bilionárias de terras raras em Goiás e Minas Gerais

O segmento de terras raras concentra as duas operações que mais chamam atenção pelo peso conjunto no levantamento.

A primeira envolve a compra da Serra Verde, proprietária da mina Pela Ema, localizada em Minaçu, no norte de Goiás.

A aquisição pela americana USA Rare Earth foi concluída em setembro de 2026. A Alvarez & Marsal avaliou a operação em US$ 2,8 bilhões.

O empreendimento brasileiro ganhou relevância por produzir concentrados de terras raras, incluindo elementos utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho.

A segunda transação envolve a australiana Lynas Rare Earths, que anunciou um acordo para adquirir a Meteoric Resources, controladora do Projeto Caldeira, em Minas Gerais.

A negociação foi avaliada em aproximadamente US$ 672 milhões.

O projeto mineiro é voltado ao desenvolvimento de depósitos de terras raras associados a argilas iônicas, uma das fontes de interesse internacional para elementos magnéticos estratégicos.

Somadas, as operações da Serra Verde e da Meteoric chegam a aproximadamente US$ 3,47 bilhões.

Esse montante corresponde a cerca de 42% dos US$ 8,2 bilhões identificados no levantamento.

O dado mostra uma mudança importante no perfil das grandes negociações minerais brasileiras: empreendimentos ligados a elementos tecnológicos passaram a disputar espaço com ativos tradicionais de mineração entre as maiores transações do setor.

A aquisição de uma empresa, entretanto, não significa que todos os projetos sob seu controle já estejam produzindo comercialmente. Cada empreendimento possui estágio próprio de desenvolvimento, licenciamento e implantação.

China responde por cerca de 30% dos valores negociados e amplia presença na mineração brasileira

As empresas chinesas também aparecem entre os compradores mais relevantes de ativos minerais brasileiros.

Segundo o levantamento, grupos ligados à China respondem por aproximadamente 30% do valor das transações anunciadas no período.

Entre os negócios citados estão aquisições envolvendo a CMOC, a Chalco e a MMG.

Uma das operações mais expressivas foi a negociação dos ativos brasileiros de ouro da Equinox Gold para a chinesa CMOC, por até US$ 1,015 bilhão.

Outro movimento envolve a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

A operação que prevê a entrada da Chalco, em conjunto com a Rio Tinto, no controle da companhia foi avaliada em US$ 903 milhões no levantamento.

No segmento de níquel, a MMG firmou acordo para adquirir ativos brasileiros da Anglo American em Goiás e no Pará, em uma transação de até US$ 500 milhões.

Esse negócio ainda depende de etapas regulatórias, incluindo análise na União Europeia.

O interesse chinês não está restrito a um único mineral. Ouro, níquel e alumínio aparecem entre os segmentos envolvidos nas negociações.

Para a indústria brasileira, essa movimentação coloca em evidência a mudança no controle societário de operações existentes e a entrada de novos grupos internacionais na cadeia mineral nacional.

Também reforça uma questão estratégica: a propriedade das minas e a localização das etapas industriais de processamento não são necessariamente a mesma coisa.

Uma operação pode permanecer produzindo no Brasil mesmo quando seu controle passa a uma empresa estrangeira.

Votorantim negocia participação na Nexa por US$ 1,31 bilhão, enquanto grandes mineradoras reorganizam portfólios

O levantamento também mostra que a movimentação de capital no setor não ocorre apenas por causa das terras raras.

Entre as maiores transações está a venda da participação de 64,7% da Votorantim na Nexa Resources para a sueca Boliden, em um negócio avaliado em US$ 1,31 bilhão.

A Nexa atua na produção de zinco e outros metais, com operações minerais e industriais na América Latina.

O acordo representa uma mudança relevante na estrutura societária de uma companhia tradicional do setor de metais.

Outras mineradoras internacionais também aparecem no movimento de revisão de ativos, incluindo Anglo American, BHP, AngloGold Ashanti, South32, Mosaic e Equinox Gold.

Parte dessas empresas busca reduzir exposição a determinados segmentos ou concentrar investimentos nas operações consideradas prioritárias.

Para os compradores, a movimentação pode representar oportunidade de adquirir minas já produtivas, projetos em desenvolvimento ou participações em companhias com reservas minerais relevantes.

O fenômeno combina dois movimentos diferentes.

De um lado, empresas estabelecidas vendem ativos para reorganizar seus portfólios. Do outro, investidores procuram ampliar presença em minerais com demanda industrial e importância estratégica.

O resultado é um mercado de aquisições no qual o interesse por minerais críticos convive com negócios tradicionais de ouro, zinco, alumínio e outros metais.

Nova política brasileira de minerais críticos amplia discussão sobre processamento industrial no país

A intensificação das aquisições ocorre em um momento de mudanças nas políticas públicas relacionadas aos minerais críticos e estratégicos.

O Brasil procura ampliar a participação nacional nas etapas industriais da cadeia mineral, evitando que a geração de valor econômico fique concentrada exclusivamente na extração e exportação de matérias-primas.

O desafio é particularmente visível no segmento de terras raras.

A existência de depósitos minerais não garante que o país tenha capacidade industrial suficiente para separar, refinar e transformar esses elementos em componentes utilizados por fabricantes de equipamentos.

Essas atividades exigem instalações especializadas, tecnologia e novos investimentos.

Rafael Marchi, sócio-diretor da Alvarez & Marsal Infra, afirmou à CNN Brasil que empresas já começam a adaptar seus projetos à intenção de ampliar a verticalização da indústria mineral brasileira.

O executivo também avaliou que as mudanças regulatórias recentes não foram responsáveis por antecipar as aquisições. Segundo sua análise, a discussão sobre as novas regras chegou a provocar insegurança em determinados processos.

A avaliação é relevante porque diferencia o interesse comercial pelos ativos brasileiros das decisões de política industrial.

As compras estão acontecendo, mas a transformação desse capital em novas minas, plantas de processamento e produção industrial depende de decisões posteriores dos investidores.

Mercado acompanha novas vendas de minas e ativos portuários que podem movimentar bilhões de dólares

A movimentação identificada pela Alvarez & Marsal poderá continuar nos próximos meses.

Entre os ativos acompanhados pelo mercado está a possível venda conjunta do Porto Sudeste e da Mineração Morro do Ipê.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil com base no levantamento, os vendedores buscam aproximadamente US$ 5 bilhões pelos empreendimentos.

Também existem processos envolvendo a Bahia Mineração (BAMIN) e uma participação minoritária na LHG Mining.

Esses negócios, entretanto, não estavam assinados até 2 de outubro de 2026 e, por esse motivo, não integram o total de US$ 8,2 bilhões.

O interesse por ativos que combinam mineração e infraestrutura logística chama atenção porque a competitividade do setor depende não apenas da qualidade dos depósitos, mas também da capacidade de transportar grandes volumes até os mercados compradores.

Para os próximos meses, o mercado deverá acompanhar a conclusão das operações pendentes, possíveis novos anúncios e os planos industriais apresentados pelos compradores.

O dado central do levantamento é que a mineração brasileira já reúne US$ 8,2 bilhões em transações anunciadas, mas US$ 3,6 bilhões desse valor ainda dependem de conclusão.

O próximo desafio será verificar quanto dessa movimentação financeira se converterá efetivamente em novas operações, empregos, capacidade de processamento e expansão da produção mineral no Brasil.

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Felipe Alves da Silva

Sou Felipe Alves, com experiência na produção de conteúdo sobre segurança nacional, geopolítica, tecnologia e temas estratégicos que impactam diretamente o cenário contemporâneo. Ao longo da minha trajetória, busco oferecer análises claras, confiáveis e atualizadas, voltadas a especialistas, entusiastas e profissionais da área de segurança e geopolítica. Meu compromisso é contribuir para uma compreensão acessível e qualificada dos desafios e transformações no campo estratégico global. Sugestões de pauta, dúvidas ou contato institucional: fa06279@gmail.com

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