Os veículos elétricos atingiram um ponto de inflexão na Europa e na China, com crescimento exponencial das vendas, queda dos modelos a combustão, avanço da variedade de opções no mercado e previsão de paridade de preços entre 2025 e 2028.
As vendas de veículos elétricos na China e na Europa chegaram a um limite considerado ponto de inflexão, capaz de impulsionar uma mudança difícil de reverter em relação aos carros movidos a gasolina e diesel. A conclusão aparece em pesquisa publicada na Nature Communications, após análise das vendas globais entre 2016 e 2023.
O estudo identificou crescimento exponencial das vendas de veículos elétricos em 32 países. A frota global de carros elétricos e híbridos dobrou a cada 1,5 ano no período analisado, enquanto os mercados líderes avançaram em ritmo ainda mais forte.
Na União Europeia, as vendas dobraram a cada 1,3 ano; na China, a cada 1 ano; e nos Estados Unidos, a cada 1,7 ano. Em sentido oposto, as vendas de carros tradicionais começaram a cair de forma constante por volta de 2019, com impacto adicional provocado pela pandemia de Covid-19.
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Mercado tradicional perde força
Mesmo após a recuperação das economias no período pós-pandemia, as vendas de carros a combustão continuaram em queda. As vendas de veículos elétricos e híbridos plug-in permaneceram firmes, reforçando os sinais de mudança estrutural no setor automotivo.
A pesquisa aponta como sinais centrais desse ponto de virada o aumento rápido da participação dos veículos elétricos, a queda acentuada dos carros a combustão e o enfraquecimento da resistência do mercado de veículos movidos por combustíveis fósseis. Outro indicador foi a maior variedade de modelos elétricos, acompanhada da redução da variedade de carros tradicionais.
A paridade de preços também aparece como elemento decisivo. Modelagens avançadas indicam que, na trajetória atual das políticas públicas, os veículos elétricos devem alcançar preços equivalentes aos dos carros a combustão na Europa e na China entre 2025 e 2028.
Paridade de preços deve avançar para outros mercados
Depois da Europa e da China, a paridade de preços deve chegar aos Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul entre 2026 e 2030. Para o restante do mundo, a projeção indica avanço entre 2030 e 2035.
Os pesquisadores identificaram os sinais críticos do ponto de inflexão ao analisar a volatilidade das participações de mercado dos veículos convencionais antes da pandemia. As oscilações ficaram mais intensas e, ao mesmo tempo, mais lentas, padrão descrito no estudo como assinatura clássica do início de um ponto de virada.
Professor da University of Exeter, Tim Lenton afirmou que os dados de mercado mostram, pela primeira vez, sinais antecipados de oportunidade antes de um ponto de inflexão positivo. A adoção dos veículos elétricos e a queda dos carros movidos a combustíveis fósseis passam a ganhar força própria nesse cenário.
Políticas públicas sustentaram avanço dos veículos elétricos
Embora a adesão aos veículos elétricos na China e na Europa tenha se tornado autossustentável, o ritmo ainda não é suficiente para os objetivos climáticos existentes. As metas exigem eliminação das emissões do transporte até 2050 na Europa e até 2060 na China.
Jean-François Mercure, diretor de Política Climática de Exeter, relaciona a mudança tecnológica a um conjunto de políticas adotadas nos anos 2000 e 2010. A combinação de subsídios, compras públicas e exigências de venda de veículos elétricos ajudou a formar massa crítica, enquanto impostos sobre carbono tiveram pouco papel ou nenhum efeito relevante.
A avaliação indica que subsídios tornam os veículos elétricos mais acessíveis, enquanto compras públicas e mandatos aumentam a disponibilidade de modelos no mercado. Para os pesquisadores, manter ou intensificar essas políticas na China e na Europa pode continuar reduzindo custos e facilitar a transição em regiões como Sudeste Asiático, África e América Latina.
Impacto chega ao petróleo e à economia global
A redução do consumo de petróleo pode trazer benefícios econômicos relevantes para países importadores, incluindo menor poluição, redução de doenças associadas e maior poder de compra internacional pela balança comercial. Esses recursos poderiam ser direcionados a outros objetivos de desenvolvimento.
Mercure também relaciona o declínio rápido dos motores a combustão a efeitos amplos sobre o mercado global de petróleo. Na trajetória tecnológica atual, a demanda por petróleo tende a atingir seu pico antes de 2030 ou pouco depois.
O avanço dos veículos elétricos pode beneficiar especialmente países em desenvolvimento que importam petróleo, ao liberar capacidade de compra internacional. Ao mesmo tempo, economias em desenvolvimento dependentes da produção de petróleo podem enfrentar dificuldades fiscais ou financeiras com a mudança.
Clique aqui para acessar o estudo.

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