Usinas solares gigantes podem reduzir custos em 22% e tempo de instalação em 30% com automação, estruturas de aço, encaixe de módulos e pré-montagem local.
As usinas solares de grande porte podem ter seus custos diretos de instalação reduzidos em cerca de 22% e o tempo de construção encurtado em até 30% com uma nova combinação de tecnologias. A abordagem reúne perfuração automatizada, estruturas de aço, instalação de módulos sem parafusos e pré-montagem realizada no próprio local dos projetos.
Segundo a pv magazine, em reportagem publicada em 22 de outubro de 2026, os números fazem parte da fase inicial do Programa NextGen Solar, da Lightsource bp. A análise avaliou soluções já observadas na China, Europa e América do Norte e agora seguirá para testes em projetos reais na Austrália e nos Estados Unidos.
Usinas solares podem mudar forma de construção em escala de gigawatts

A proposta da Lightsource bp busca atacar uma das limitações enfrentadas por projetos fotovoltaicos muito grandes: a velocidade e o custo para instalar milhares ou até milhões de componentes em áreas extensas.
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Em vez de depender apenas dos métodos tradicionais, o programa combina quatro frentes de inovação. A estimativa inicial aponta redução de aproximadamente 22% nos custos diretos de instalação quando essas soluções são utilizadas em conjunto.
O tempo necessário para construir as plantas também poderia cair em até 30%, segundo os cálculos apresentados pela empresa.
Esses percentuais, entretanto, não devem ser interpretados como resultados garantidos para qualquer empreendimento. A análise ainda está migrando da modelagem para a validação prática, e fatores como terreno, mão de obra, logística e configuração de cada projeto podem alterar o desempenho.
Robôs começam pela instalação das estacas
Uma das tecnologias estudadas está na etapa inicial da construção: a colocação das estacas que sustentam as estruturas dos painéis.
O programa avalia equipamentos automatizados capazes de utilizar sistemas de precisão por GPS para posicionar e instalar as fundações com menos intervenção manual.
A estimativa é de que essa automação possa reduzir em até 12,5% o tempo gasto na instalação das estacas.
Além da velocidade, a Lightsource bp avalia ganhos de consistência no posicionamento e uma possível redução da exposição dos trabalhadores a determinadas tarefas físicas no canteiro.
O sistema automatizado substituiria parte do processo convencional de cravação manual ou de operação intensiva, mas a pesquisa ainda precisa confirmar em campo os resultados calculados durante a fase inicial.
Módulos por encaixe tentam eliminar parafusos e grampos
Outra mudança importante está na própria fixação dos painéis solares.
A solução estudada abandona parte dos grampos e parafusos convencionais e utiliza um sistema em que os módulos são encaixados diretamente na posição projetada.
A expectativa é simplificar a montagem e reduzir a quantidade de etapas repetitivas realizadas pelos instaladores.
Quando combinada com a perfuração automatizada e o novo desenho dos módulos, essa abordagem pode contribuir para uma redução de até 30% no tempo de instalação, segundo a análise.
Em usinas solares de escala gigawatt, pequenas economias em cada módulo podem ganhar dimensão significativa porque o mesmo procedimento é repetido milhares de vezes.
Ainda assim, o programa deverá verificar se o encaixe mantém desempenho, precisão e segurança em condições reais de operação.
Estruturas de aço podem substituir alumínio
A terceira frente está nos materiais empregados nas estruturas dos módulos.
A Lightsource bp investiga substituir componentes tradicionalmente feitos de alumínio por alternativas produzidas em aço.
O objetivo é avaliar se o material pode contribuir para uma construção mais eficiente e compatível com métodos de fabricação e montagem em grande escala.
A empresa não divulgou estimativas individuais de economia associadas ao aço por questões de confidencialidade.
Por isso, não é possível afirmar quanto dessa redução total de 22% viria especificamente da troca de alumínio por aço.
A mudança precisa considerar não apenas preço do material, mas também peso, resistência, transporte, instalação, durabilidade e integração com o restante do sistema.
Pré-montagem tenta levar fábrica para dentro do canteiro
A quarta inovação é a pré-montagem no próprio local da obra.
A lógica consiste em organizar determinadas etapas antes que os componentes cheguem ao ponto definitivo de instalação, criando um fluxo mais próximo de uma linha de montagem industrial.
Em projetos muito grandes, essa estratégia pode reduzir deslocamentos, tarefas repetidas e tempo gasto na preparação individual de peças.
A proposta é transformar parte do canteiro das usinas solares em uma operação mais padronizada e sequencial, reduzindo a dependência de métodos artesanais.
A combinação com robôs e sistemas de encaixe aumenta essa possibilidade porque equipamentos automatizados funcionam melhor quando as etapas seguem padrões precisos.
O desafio será verificar se essa organização continua eficiente em terrenos diferentes e sob condições ambientais variadas.
Testes na Austrália e nos Estados Unidos serão decisivos
O Programa NextGen Solar agora entra em uma etapa mais importante: validar as premissas fora dos modelos e estudos.
A Lightsource bp pretende testar soluções em projetos ativos na Austrália e nos Estados Unidos.
Entre as tecnologias previstas estão sistemas automatizados de instalação de estacas, posicionamento robótico de módulos e soluções avançadas de cabeamento.
Os primeiros resultados dessa validação são esperados dentro dos próximos 18 meses, segundo as informações divulgadas pela empresa.
Essa fase deverá mostrar se as economias de tempo, custo e segurança calculadas inicialmente conseguem se repetir sob condições reais.
Até que os testes sejam concluídos, os percentuais de 22% e 30% devem ser tratados como potencial identificado pela pesquisa, e não como redução já comprovada comercialmente.
Construção mais rápida pode destravar projetos maiores
O interesse pela automação cresce à medida que o tamanho das plantas solares aumenta.
Projetos na escala de gigawatts exigem enorme quantidade de equipamentos, trabalhadores, fundações, cabos e módulos, o que torna a construção um dos pontos críticos do cronograma.
Chris Buckland, diretor técnico global da Lightsource bp, afirmou que os métodos atuais de construção podem limitar o desenvolvimento de plantas muito grandes.
A intenção é preparar uma abordagem capaz de acompanhar o crescimento da demanda por energia solar sem elevar na mesma proporção a complexidade do canteiro.
A empresa trabalha com a perspectiva de que a combinação das quatro tecnologias possa se tornar relevante para grandes projetos a partir de 2028.
Essa previsão também permanece condicionada ao desempenho das próximas etapas de teste.
Usinas solares entram em nova fase de industrialização
A pesquisa aponta para uma mudança importante na maneira como grandes projetos fotovoltaicos podem ser construídos.
Em vez de buscar apenas módulos mais eficientes ou baterias melhores, a indústria começa a olhar com mais atenção para o processo físico de montagem das próprias usinas solares.
Robôs, perfuração guiada por GPS, aço, encaixes rápidos e pré-montagem podem transformar atividades repetitivas em processos mais industrializados.
Se os testes confirmarem as estimativas, reduzir custos em 22% e tempo de instalação em até 30% poderia alterar significativamente a viabilidade de projetos solares gigantes.
Mas a etapa decisiva ainda está pela frente: provar que os ganhos observados na modelagem permanecem quando máquinas, estruturas e equipes enfrentarem terrenos, clima e condições reais de construção. E você, acredita que robôs e sistemas de encaixe serão o próximo grande salto na energia solar ou o custo e a complexidade da automação ainda podem limitar essa transformação? Deixe sua opinião nos comentários.
