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Granja em Minas instala seis baterias para enfrentar apagões e prevê reduzir conta de luz em 50%

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Escrito por Carla Teles Publicado em 23/10/2026 às 18:15 Atualizado em 23/10/2026 às 18:20
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Rivelli instalou um sistema de 1,29 MWh para reforçar o fornecimento de energia. Imagem: Reprodução/PowerSafe
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Sistema de 1,29 MWh instalado em Carmo do Cajuru integra geração fotovoltaica, rede elétrica e gerador a diesel para proteger uma operação avícola.

Uma granja de reprodução de aves em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, passou a utilizar seis grandes baterias industriais para manter o fornecimento de eletricidade durante apagões e diminuir os gastos com energia. O sistema, instalado na unidade da Rivelli Alimentos, armazena até 1,29 megawatt-hora (MWh) e trabalha em conjunto com 540 painéis solares, a rede da Cemig e um gerador a diesel. As empresas responsáveis projetam uma redução de aproximadamente 50% na conta de luz.

As informações foram divulgadas pela Exame, em 20 de outubro de 2026, e detalhadas pela pv magazine Brasil, em 22 de outubro. A instalação foi desenvolvida pela Powersafe e pela Zipp Energia, com equipamentos da Huawei e participação de outras empresas de engenharia. Segundo os responsáveis, trata-se do primeiro sistema desse tipo para um cliente privado em Minas Gerais com homologação integral pela Cemig Distribuição.

Seis baterias Huawei armazenam energia produzida por 540 painéis solares

Granja em Minas instala seis baterias para enfrentar apagões e prevê reduzir conta de luz em 50%
Rivelli instalou um sistema de 1,29 MWh para reforçar o fornecimento de energia. Imagem: Reprodução/PowerSafe

A instalação utiliza seis gabinetes Huawei LUNA2000, cada um com capacidade de armazenamento de 215 quilowatts-hora (kWh). Juntos, os equipamentos totalizam 1.290 kWh, equivalentes a 1,29 MWh.

As baterias são fabricadas com tecnologia de lítio-ferro-fosfato (LFP), utilizada em sistemas estacionários de armazenamento de energia. Cada gabinete possui conversor integrado com potência nominal de 108 quilowatts (kW).

A ficha técnica da Huawei confirma a capacidade de 215 kWh por unidade e apresenta recursos de gerenciamento térmico e controle das operações de carga e descarga.

A estrutura fotovoltaica foi distribuída sobre três galpões da granja. São 540 módulos de 700 watts-pico (Wp), que somam 378 quilowatts-pico (kWp) de capacidade instalada, conectados a três inversores de 100 kW.

O projeto também recebeu uma subestação dedicada de 13,8 quilovolts para 380 volts, necessária à integração dos equipamentos com a infraestrutura elétrica da propriedade.

A diferença entre geração e armazenamento é central para entender o funcionamento. Os painéis produzem eletricidade quando existe radiação solar suficiente, enquanto as baterias guardam parte da energia para utilização em outro horário.

Essa combinação permite aproveitar a geração fotovoltaica mesmo quando a necessidade de consumo da granja não coincide com o período de maior produção solar.

Sistema pode manter cargas essenciais por até 27 horas durante uma falta de energia

A continuidade do fornecimento elétrico é especialmente relevante em granjas de matrizes, dedicadas à criação de aves reprodutoras.

As instalações dependem de ventilação, circulação de ar e controle ambiental. Uma interrupção prolongada da eletricidade pode comprometer as condições internas dos galpões e provocar prejuízos à criação.

Antes da instalação, a resposta às falhas da rede dependia do acionamento do grupo gerador a diesel. Agora, as baterias podem assumir automaticamente o fornecimento, enquanto o gerador permanece disponível como proteção adicional.

O dimensionamento apresentado pelas empresas considera diferentes cenários de interrupção.

Em uma situação crítica, com chuvas intensas e perda do fornecimento da concessionária após o horário de ponta, a autonomia estimada é de aproximadamente dez horas.

Quando equipamentos considerados não essenciais são desligados para reduzir o consumo, essa duração pode chegar a 27 horas, conforme o estudo do projeto.

O prazo não significa que todos os equipamentos da granja consigam funcionar por 27 horas exclusivamente com as baterias. A autonomia depende da quantidade de energia disponível no momento da falha e da potência exigida pelas cargas mantidas em operação.

Em dias ensolarados, a geração fotovoltaica pode prolongar o fornecimento, desde que produza eletricidade suficiente para atender parte do consumo.

A estratégia se aproxima de outras soluções de sistemas solares híbridos, que combinam fontes de geração e armazenamento para reduzir a dependência imediata da rede durante interrupções.

Economia de 50% depende de deslocar o consumo para horários mais baratos

As baterias também foram instaladas para atuar diariamente no gerenciamento energético da propriedade, mesmo quando não há apagões.

Uma das funções é o peak shaving, expressão utilizada para a redução dos picos de demanda. O sistema fornece parte da eletricidade necessária nos momentos de maior consumo, evitando que toda a potência seja solicitada simultaneamente à concessionária.

Outra aplicação é o load shifting, que consiste em armazenar energia em períodos favoráveis para utilizá-la quando a tarifa é mais elevada.

Segundo as informações apresentadas pelos responsáveis, a instalação foi dimensionada para controlar a demanda máxima em até 360 kW.

Durante o horário de ponta, o uso combinado das baterias e da geração disponível pode reduzir a zero a retirada de eletricidade da rede, dependendo das condições de funcionamento.

O projeto também realiza compensação de energia reativa, recurso que pode reduzir cobranças relacionadas ao fator de potência da instalação.

A Powersafe e a Zipp Energia estimam uma economia de aproximadamente 50% na conta de eletricidade da granja. Entretanto, não foram divulgadas faturas anteriores e posteriores à instalação nem a metodologia detalhada utilizada no cálculo.

O valor investido no sistema e seu prazo de retorno financeiro também não foram informados. Portanto, a redução de custos deve ser tratada como uma expectativa das empresas, e não como um resultado financeiro já comprovado.

Homologação da Cemig permite operar baterias sem enviar excedentes à rede

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O projeto também se diferencia pelo processo de conexão com a distribuidora mineira.

Segundo as empresas responsáveis, a unidade recebeu homologação integral da Cemig Distribuição, sendo apresentada como a primeira instalação privada desse tipo no estado a concluir o procedimento.

O sistema utiliza uma estratégia de operação sem exportação de eletricidade, conhecida como zero grid. Nesse modelo, a geração fotovoltaica e o armazenamento são controlados para atender às necessidades internas, evitando a injeção de excedentes na rede da concessionária.

Isso não significa que a propriedade deixou de utilizar eletricidade da Cemig. A rede continua integrada à instalação e pode complementar o fornecimento quando necessário.

A Powersafe ficou responsável pelo fornecimento dos equipamentos de armazenamento, além de participar dos testes e do comissionamento com a Zipp Energia e a Huawei.

A HDT Energy atuou na estruturação e no fornecimento da solução. Já a Zipp Energia e a KBTZ Engenharia participaram do desenvolvimento, das obras elétricas, da subestação e da integração dos sistemas.

A homologação foi informada pelos participantes do projeto. Não foi disponibilizado publicamente, nas fontes consultadas, o documento da Cemig que permita verificar de maneira independente a alegação de pioneirismo.

Investimento de R$ 430 milhões da Rivelli acompanha expansão da produção avícola

A implantação das baterias ocorre durante uma etapa de crescimento da Rivelli Alimentos, empresa fundada em 1985 e atuante em diferentes segmentos da cadeia de produção de aves.

A companhia anunciou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 430 milhões para ampliar sua estrutura produtiva, com previsão de elevar a capacidade diária de abate de 200 mil para 300 mil aves.

Em comunicado publicado pela própria Rivelli, a empresa informou que o planejamento também poderá mobilizar aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos de produtores integrados.

Esses valores fazem parte do plano de expansão industrial e não representam o custo específico do sistema de baterias instalado em Carmo do Cajuru.

A aplicação do armazenamento em uma granja acompanha o desenvolvimento de tecnologias que permitem aproveitar energia solar no agronegócio, especialmente em propriedades que necessitam de eletricidade durante todo o dia.

O mercado brasileiro também prepara novos investimentos industriais. Em setembro de 2026, a WEG anunciou a ampliação do projeto de sua fábrica de sistemas de baterias em Itajaí, Santa Catarina, elevando a capacidade planejada para 4 GWh anuais.

Na granja mineira, o próximo indicador relevante será o desempenho do conjunto após um período de operação, com dados sobre economia efetiva, utilização das baterias e continuidade do fornecimento durante falhas da rede.

Até o momento, as empresas divulgaram a configuração instalada e as estimativas de desempenho, mas ainda não apresentaram um balanço operacional que confirme a redução de 50% na conta ou as autonomias calculadas.

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Carla Teles

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