Sistema de 1,29 MWh instalado em Carmo do Cajuru integra geração fotovoltaica, rede elétrica e gerador a diesel para proteger uma operação avícola.
Uma granja de reprodução de aves em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas Gerais, passou a utilizar seis grandes baterias industriais para manter o fornecimento de eletricidade durante apagões e diminuir os gastos com energia. O sistema, instalado na unidade da Rivelli Alimentos, armazena até 1,29 megawatt-hora (MWh) e trabalha em conjunto com 540 painéis solares, a rede da Cemig e um gerador a diesel. As empresas responsáveis projetam uma redução de aproximadamente 50% na conta de luz.
As informações foram divulgadas pela Exame, em 20 de outubro de 2026, e detalhadas pela pv magazine Brasil, em 22 de outubro. A instalação foi desenvolvida pela Powersafe e pela Zipp Energia, com equipamentos da Huawei e participação de outras empresas de engenharia. Segundo os responsáveis, trata-se do primeiro sistema desse tipo para um cliente privado em Minas Gerais com homologação integral pela Cemig Distribuição.
Seis baterias Huawei armazenam energia produzida por 540 painéis solares

A instalação utiliza seis gabinetes Huawei LUNA2000, cada um com capacidade de armazenamento de 215 quilowatts-hora (kWh). Juntos, os equipamentos totalizam 1.290 kWh, equivalentes a 1,29 MWh.
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As baterias são fabricadas com tecnologia de lítio-ferro-fosfato (LFP), utilizada em sistemas estacionários de armazenamento de energia. Cada gabinete possui conversor integrado com potência nominal de 108 quilowatts (kW).
A ficha técnica da Huawei confirma a capacidade de 215 kWh por unidade e apresenta recursos de gerenciamento térmico e controle das operações de carga e descarga.
A estrutura fotovoltaica foi distribuída sobre três galpões da granja. São 540 módulos de 700 watts-pico (Wp), que somam 378 quilowatts-pico (kWp) de capacidade instalada, conectados a três inversores de 100 kW.
O projeto também recebeu uma subestação dedicada de 13,8 quilovolts para 380 volts, necessária à integração dos equipamentos com a infraestrutura elétrica da propriedade.
A diferença entre geração e armazenamento é central para entender o funcionamento. Os painéis produzem eletricidade quando existe radiação solar suficiente, enquanto as baterias guardam parte da energia para utilização em outro horário.
Essa combinação permite aproveitar a geração fotovoltaica mesmo quando a necessidade de consumo da granja não coincide com o período de maior produção solar.
Sistema pode manter cargas essenciais por até 27 horas durante uma falta de energia
A continuidade do fornecimento elétrico é especialmente relevante em granjas de matrizes, dedicadas à criação de aves reprodutoras.
As instalações dependem de ventilação, circulação de ar e controle ambiental. Uma interrupção prolongada da eletricidade pode comprometer as condições internas dos galpões e provocar prejuízos à criação.
Antes da instalação, a resposta às falhas da rede dependia do acionamento do grupo gerador a diesel. Agora, as baterias podem assumir automaticamente o fornecimento, enquanto o gerador permanece disponível como proteção adicional.
O dimensionamento apresentado pelas empresas considera diferentes cenários de interrupção.
Em uma situação crítica, com chuvas intensas e perda do fornecimento da concessionária após o horário de ponta, a autonomia estimada é de aproximadamente dez horas.
Quando equipamentos considerados não essenciais são desligados para reduzir o consumo, essa duração pode chegar a 27 horas, conforme o estudo do projeto.
O prazo não significa que todos os equipamentos da granja consigam funcionar por 27 horas exclusivamente com as baterias. A autonomia depende da quantidade de energia disponível no momento da falha e da potência exigida pelas cargas mantidas em operação.
Em dias ensolarados, a geração fotovoltaica pode prolongar o fornecimento, desde que produza eletricidade suficiente para atender parte do consumo.
A estratégia se aproxima de outras soluções de sistemas solares híbridos, que combinam fontes de geração e armazenamento para reduzir a dependência imediata da rede durante interrupções.
Economia de 50% depende de deslocar o consumo para horários mais baratos
As baterias também foram instaladas para atuar diariamente no gerenciamento energético da propriedade, mesmo quando não há apagões.
Uma das funções é o peak shaving, expressão utilizada para a redução dos picos de demanda. O sistema fornece parte da eletricidade necessária nos momentos de maior consumo, evitando que toda a potência seja solicitada simultaneamente à concessionária.
Outra aplicação é o load shifting, que consiste em armazenar energia em períodos favoráveis para utilizá-la quando a tarifa é mais elevada.
Segundo as informações apresentadas pelos responsáveis, a instalação foi dimensionada para controlar a demanda máxima em até 360 kW.
Durante o horário de ponta, o uso combinado das baterias e da geração disponível pode reduzir a zero a retirada de eletricidade da rede, dependendo das condições de funcionamento.
O projeto também realiza compensação de energia reativa, recurso que pode reduzir cobranças relacionadas ao fator de potência da instalação.
A Powersafe e a Zipp Energia estimam uma economia de aproximadamente 50% na conta de eletricidade da granja. Entretanto, não foram divulgadas faturas anteriores e posteriores à instalação nem a metodologia detalhada utilizada no cálculo.
O valor investido no sistema e seu prazo de retorno financeiro também não foram informados. Portanto, a redução de custos deve ser tratada como uma expectativa das empresas, e não como um resultado financeiro já comprovado.
Homologação da Cemig permite operar baterias sem enviar excedentes à rede
O projeto também se diferencia pelo processo de conexão com a distribuidora mineira.
Segundo as empresas responsáveis, a unidade recebeu homologação integral da Cemig Distribuição, sendo apresentada como a primeira instalação privada desse tipo no estado a concluir o procedimento.
O sistema utiliza uma estratégia de operação sem exportação de eletricidade, conhecida como zero grid. Nesse modelo, a geração fotovoltaica e o armazenamento são controlados para atender às necessidades internas, evitando a injeção de excedentes na rede da concessionária.
Isso não significa que a propriedade deixou de utilizar eletricidade da Cemig. A rede continua integrada à instalação e pode complementar o fornecimento quando necessário.
A Powersafe ficou responsável pelo fornecimento dos equipamentos de armazenamento, além de participar dos testes e do comissionamento com a Zipp Energia e a Huawei.
A HDT Energy atuou na estruturação e no fornecimento da solução. Já a Zipp Energia e a KBTZ Engenharia participaram do desenvolvimento, das obras elétricas, da subestação e da integração dos sistemas.
A homologação foi informada pelos participantes do projeto. Não foi disponibilizado publicamente, nas fontes consultadas, o documento da Cemig que permita verificar de maneira independente a alegação de pioneirismo.
Investimento de R$ 430 milhões da Rivelli acompanha expansão da produção avícola
A implantação das baterias ocorre durante uma etapa de crescimento da Rivelli Alimentos, empresa fundada em 1985 e atuante em diferentes segmentos da cadeia de produção de aves.
A companhia anunciou um plano de investimentos de aproximadamente R$ 430 milhões para ampliar sua estrutura produtiva, com previsão de elevar a capacidade diária de abate de 200 mil para 300 mil aves.
Em comunicado publicado pela própria Rivelli, a empresa informou que o planejamento também poderá mobilizar aproximadamente R$ 200 milhões em investimentos de produtores integrados.
Esses valores fazem parte do plano de expansão industrial e não representam o custo específico do sistema de baterias instalado em Carmo do Cajuru.
A aplicação do armazenamento em uma granja acompanha o desenvolvimento de tecnologias que permitem aproveitar energia solar no agronegócio, especialmente em propriedades que necessitam de eletricidade durante todo o dia.
O mercado brasileiro também prepara novos investimentos industriais. Em setembro de 2026, a WEG anunciou a ampliação do projeto de sua fábrica de sistemas de baterias em Itajaí, Santa Catarina, elevando a capacidade planejada para 4 GWh anuais.
Na granja mineira, o próximo indicador relevante será o desempenho do conjunto após um período de operação, com dados sobre economia efetiva, utilização das baterias e continuidade do fornecimento durante falhas da rede.
Até o momento, as empresas divulgaram a configuração instalada e as estimativas de desempenho, mas ainda não apresentaram um balanço operacional que confirme a redução de 50% na conta ou as autonomias calculadas.
