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Universidade de Hiroshima desenvolve sistema de dosimetria portátil que transforma smartphones em detectores de radiação por menos de US$ 70

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 27/01/2026 às 12:29
Com a reabertura de seus reatores nucleares no Japão, um detector de radiação de bolso poderá remodelar o nível de preparação da população para a segurança pública.
Com a reabertura de seus reatores nucleares no Japão, um detector de radiação de bolso poderá remodelar o nível de preparação da população para a segurança pública.
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Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Hiroshima, o sistema portátil de dosimetria usa filme radiocrômico, scanner dobrável e câmera de smartphone para medir doses de até 10 Gray no local, com custo inferior a US$ 70, voltado a emergências nucleares em massa

A Universidade de Hiroshima desenvolveu um sistema portátil e de baixo custo que transforma smartphones em detectores de radiação nuclear, permitindo avaliações imediatas de dose no local após incidentes radiológicos, em um contexto de retomada cautelosa da energia nuclear no Japão.

Sistema portátil para avaliação imediata de dose

Pesquisadores da Universidade de Hiroshima criaram um método de dosimetria que utiliza um smartphone para medir doses de radiação diretamente no local do incidente. O objetivo é permitir respostas rápidas em cenários de acidentes nucleares ou radiológicos.

O sistema foi detalhado na revista Radiation Measurements e foi projetado para situações de vítimas em massa. Nessas circunstâncias, métodos laboratoriais tradicionais podem ser lentos, caros ou simplesmente inacessíveis devido a danos à infraestrtura.

A proposta central é viabilizar avaliações individualizadas de dose em campo. Isso permite decisões médicas mais rápidas, fator considerado essencial após exposições radiológicas de grande escala, conforme destacado no próprio estudo.

Componentes e funcionamento da tecnologia

O núcleo do sistema é um pequeno pedaço de filme radiocrômico Gafchromic EBT4. Esse material muda de cor instantaneamente quando exposto à radiação ionizante, fornecendo um indicativo visual imediato da exposição.

Para quantificação precisa, o filme é escaneado com um scanner dobrável alimentado por bateria. Em seguida, a câmera do smartphone captura a imagem, que é analisada por aplicativos de processamento de imagem para dispositivos móveis.

Os testes demonstraram que o método consegue medir doses relativamente altas, de até 10 Gray. Segundo os pesquisadores, uma dose de 10 Gray na pele é suficiente para causar perda permanente de cabelo.

Desempenho, precisão e custo do sistema

A equipe testou o sistema com diversos modelos de smartphones, incluindo aparelhos Samsung e iPhone. Os resultados mostraram que o canal de cor ciano das imagens digitais apresentou a resposta de dose mais consistente e confiável.

Embora scanners profissionais de mesa ofereçam maior precisão, o sistema baseado em smartphone apresenta um equilíbrio prático entre confiabilidade e acessibilidade. Ele foi pensado para uso emergencial, não para substituir equipamentos laboratoriais.

O custo total do conjunto é inferior a US$ 70, valor significativamente menor que o de equipamentos convencionais de dosimetria. Além disso, o sistema é leve e portátil, facilitando seu transporte para áreas afetadas por desastres.

Aplicação em cenários de emergência radiológica

O autor correspondente do estudo, Hiroshi Yasuda, professor do Instituto de Pesquisa em Radiobiologia e Medicina da Universidade de Hiroshima, destacou o foco prático do projeto. Segundo ele, simplicidade, universalidade e custo-efetividade são fatores críticos.

Yasuda afirmou que, em acidentes radiológicos graves, avaliações voluntárias de dose no local devem ocorrer imediatamente. A proposta do sistema é funcionar mesmo em condições extremas, como após desastres naturais que danifiquem serviços essenciais.

A equipe trabalha agora na padronização de protocolos para garantir confiabilidade em diferentes condições ambientais. O estudo foi escrito em coautoria com a doutoranda Hassna Bantan, e os custos de publicação em acesso aberto foram financiados pela universiadade.

Contexto energético e retomada nuclear no Japão

O desenvolvimento do detector portátil ocorre em um momento de mudança na política energética japonesa. O país, com poucos recursos naturais, busca reduzir a dependência de mercados globais voláteis de gás e carvão.

Ao mesmo tempo, a expansão de centros de dados e fábricas de semicondutores aumenta a demanda por energia estável e contínua. Fontes como solar e eólica, isoladamente, não conseguem fornecer essa carga de base de forma confiável.

O Japão possui uma meta legal de atingir emissões líquidas zero até 2050. Segundo o material, esse objetivo é difícil de alcançar sem o uso de energia nuclear, que voltou ao centro da estratégia governamental.

Metas oficiais e reinício de usinas nucleares

Sob a administração da primeira-ministra Sanae Takaichi, o governo abandonou o compromisso anterior de reduzir a dependência nuclear. O 7º Plano Básico de Energia, adotado no início de 2025, estabelece meta de 20% da eletricidade nuclear até 2040.

Em 2024, a participação da energia nuclear era de cerca de 9%. O novo plano representa uma ampliação significativa da presença nuclear na matriz energética japonesa ao longo das próximas décadas.

Um passo concreto ocorreu em 21 de janeiro de 2026, quando a TEPCO iniciou o processo de reinício da usina de Kashiwazaki-Kariwa, considerada a maior usina nuclear do mundo.

Confiança pública e monitoramento de segurança

Foi a primeira vez desde 2011 que a TEPCO, operadora da usina de Fukushima, recebeu autorização para reiniciar um reator. Ainda assim, a confiança pública permanece fragilizada por desastres e escândalos passados.

Nesse cenário, tecnologias que reforcem transparência, preparo e monitoramento em campo podem contribuir para a reconstrução dessa confiança. O sistema da Universidade de Hiroshima se insere nesse contexto como ferramenta complementar.

Embora não substitua redes de monitoramento em larga escala, sua praticidade e baixo custo permitem rápida disponibilização. Isso sinaliza a crescente importância de ferramentas individuais de preparação à medida que o Japão retoma cautelosamente a energia nuclear.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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