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Uma das maiores reservas de sal da Europa, com produção de até 100 mil toneladas por ano, sofre com a entrada de água após chuvas extremas e vê crescer o risco de colapso interno que já pressiona moradores e negócios locais

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 15/03/2026 às 22:38
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A crise em Praid expõe um problema raro e difícil de conter, porque a água que chegou à mina não ameaça apenas equipamentos e acessos, mas pode dissolver a própria rocha salina, enfraquecer galerias e comprometer um dos pontos turísticos mais famosos da Romênia

A crise na mina de sal de Praid transformou um dos pontos mais conhecidos da Romênia em um foco de tensão. O que antes reunia turismo, extração mineral e tratamento respiratório passou a enfrentar um risco muito mais profundo, porque a água chegou justamente ao tipo de estrutura que mais sofre com esse contato.

O impacto vai muito além das galerias subterrâneas. A paralisação da mina atinge empregos, esvazia a circulação de visitantes e pressiona negócios que dependem do fluxo constante de pessoas em Praid e arredores.

O caso chama atenção porque a ameaça não é apenas uma enchente comum. Em uma mina de sal, a entrada de água pode desgastar a própria estrutura, abrir vazios internos e tornar o problema muito mais delicado com o passar do tempo.

Equipes e máquinas trabalham no desvio do curso d’água na região de Praid, em uma tentativa de conter novas infiltrações e reduzir a pressão sobre a mina de sal atingida pelas enchentes.

A água entrou no ponto mais sensível da estrutura

As chuvas fortes elevaram o nível do riacho Corund, que passa sobre a área da mina, e a água avançou para partes do complexo. Com isso, a operação foi interrompida e as equipes passaram a tentar preservar trechos que ainda não tinham sido atingidos.

O problema é especialmente grave porque a água não afeta só acessos e equipamentos. Dentro de uma salina, esse contato pode dissolver a rocha salina aos poucos, enfraquecer paredes e pisos e ampliar o risco estrutural em toda a área subterrânea.

A salina virou um polo subterrâneo de turismo e tratamento

Antes da crise, a mina de sal de Praid recebia visitantes em amplas galerias subterrâneas e consolidava seu papel como um dos espaços turísticos mais conhecidos da Romênia.

A área aberta ao público fica a 120 metros de profundidade e é acessada por um túnel de cerca de 1.250 metros. Lá embaixo, a mina reúne espaços de descanso, capela, áreas de lazer e uma estrutura voltada ao uso terapêutico do ambiente salino.

Esse perfil ajudou a transformar Praid em um destino muito conhecido. As informações oficiais da salina indicam cerca de 400 mil visitantes por ano, com dias de verão em que o número de entradas sobe ainda mais, enquanto estimativas recentes apontam um movimento que chega a 500 mil pessoas por ano.

A relevância do local também vem da sua escala geológica. O corpo de sal de Praid está inserido em uma formação profunda da Transilvânia e é tratado como uma das grandes reservas de sal da Europa, o que ajuda a explicar o peso econômico e simbólico da mina para a região.

Uma história de séculos ajuda a explicar o tamanho do choque

A exploração de sal em Praid remonta a tempos antigos, e a mineração subterrânea moderna avançou a partir do século 18. Com o passar dos anos, a mina deixou de ser apenas um ponto de extração e passou a concentrar também atividades ligadas à visitação e ao tratamento respiratório.

Desde os anos 1960, o espaço subterrâneo passou a ser usado para climatoterapia e espeleoterapia, que é o uso do ambiente natural da mina para apoio a pessoas com problemas respiratórios. A partir de 1980, essa área foi organizada de forma mais ampla no nível de visitação que existe hoje.

Imagens registram trechos internos da mina de sal de Praid já tomados pela água, em um cenário que passou a simbolizar a gravidade da crise subterrânea na Romênia.

O fechamento da mina atinge produção, turismo e casas da região

Segundo Reuters, agência internacional de notícias com cobertura global, a salina produzia entre 70 mil e 100 mil toneladas de sal por ano e sua paralisação já afeta a renda de uma cidade que vive há décadas da atividade ligada à mina.

A pressão não ficou restrita ao subsolo. Com o agravamento do quadro, 45 moradias próximas foram evacuadas por risco de falha estrutural, e a queda esperada no turismo passou a ameaçar hotéis, restaurantes e pequenos negócios que dependem da mina para manter o movimento da região.

A resposta mobilizou dinheiro público e especialistas europeus

As autoridades romenas iniciaram medidas para desviar o curso da água e tentar reduzir novas infiltrações. Ao mesmo tempo, foi aprovado um pacote de 300 milhões de lei, equivalente a cerca de 67,8 milhões de dólares, para apoiar a empresa estatal da mina e empresas locais atingidas pela crise.

O problema ganhou tamanho suficiente para acionar ajuda internacional. Um grupo de oito especialistas europeus em áreas como geologia, engenharia civil, meio ambiente e mecânica de rochas foi enviado para avaliar os danos, medir os riscos sobre a área habitada e ajudar a montar um caminho de recuperação.

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A ameaça agora é lenta, profunda e difícil de conter

A imagem mais forte de Praid não é apenas a de uma mina alagada. O que está em jogo é um complexo subterrâneo que reúne história, atividade econômica e um uso turístico muito raro, agora pressionado por um processo que pode corroer a estrutura por dentro.

Se a água continuar encontrando caminho, o dano tende a se espalhar para além do ponto onde começou. Por isso a crise de Praid não atinge só uma atração famosa da Romênia. Ela mexe com a economia local, pressiona a região e muda a leitura sobre a segurança de um dos espaços subterrâneos mais conhecidos da Europa.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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