Uma pesquisa chinesa colocou em teste um sistema que une micro-ondas, rastreamento e voo contínuo, em um experimento que chamou atenção fora da China e reacendeu o debate sobre novas formas de alimentar drones.
Pesquisadores da Xidian University, na China, relataram em estudo publicado em 25 de março de 2026 um teste de transmissão de energia por micro-ondas para manter um drone de asa fixa em voo sem a necessidade de pouso para recarga convencional.
Segundo o South China Morning Post, que divulgou os resultados em 19 de abril de 2026, o sistema sustentou a aeronave por até 3,1 horas, a 15 metros de altitude, com energia enviada por uma plataforma terrestre instalada em veículo.
De acordo com a descrição publicada pelo jornal, o arranjo usa um emissor de micro-ondas montado em veículo para direcionar energia a uma matriz de antenas instalada na parte inferior da aeronave.
-
Nova tecnologia passa a vigiar 300 mil hectares em Mato Grosso do Sul em iniciativa da Suzano que reúne sensores, monitoramento contínuo e análise avançada de dados, permitindo identificar ameaças com rapidez e ampliar a proteção ambiental regional
-
Menina tailandesa vê calaus em passeio escolar, descobre que espécies estão diminuindo e cria ninhos artificiais com plástico reaproveitado; aos 17 anos, projeto ocupa comunidades, protege filhotes e ganha prêmio ambiental internacional de jovens inovadores
-
Pela primeira vez na história, cientistas afirmam que a África está se partindo em dois
-
Um gás raro corta pelas fontes termais na Zâmbia e revela uma falha profunda que pode atravessar a crosta até o manto terrestre
O teste também incluiu o deslocamento simultâneo do drone e da plataforma em solo, ponto tratado pela reportagem como um dos principais diferenciais do experimento apresentado pela equipe chinesa.
Como funciona o sistema de recarga por micro-ondas
O estudo atribuído ao pesquisador Song Liwei indica que o maior desafio técnico foi manter o alinhamento entre o emissor e o receptor durante todo o trajeto.
Para isso, os pesquisadores integraram posicionamento por GPS, rastreamento dinâmico e controles de voo embarcados, com o objetivo de preservar a estabilidade da transferência de energia ao longo do voo.
Nas informações tornadas públicas até agora, o equipamento aparece como uma plataforma veicular capaz de transmitir energia sem fio a uma aeronave de asa fixa.
A expressão “porta-aviões terrestre” foi usada na cobertura do South China Morning Post para descrever o conceito associado ao projeto, mas a documentação aberta consultada não detalha uma configuração operacional completa nem confirma emprego em ambiente militar real.

O que o teste com drone de asa fixa mostrou
O dado central divulgado é a permanência do drone no ar por pouco mais de três horas em baixa altitude, recebendo energia do solo durante o voo.
As fontes abertas consultadas, porém, não trazem confirmação pública sobre operação em altitudes maiores, longas distâncias, condições adversas ou cenários fora de ambiente controlado de teste.
Também não há, nas informações disponíveis ao público localizadas nesta checagem, detalhes técnicos completos sobre a potência do feixe, a eficiência energética líquida do sistema, o modelo exato da aeronave usada no ensaio ou os parâmetros de segurança adotados durante a demonstração.
Por esse motivo, o alcance da demonstração pode ser descrito, com segurança, como um teste experimental de transmissão contínua de energia entre plataforma terrestre e drone em movimento.
Leitura estratégica sobre uso potencial de drones
Na reportagem do South China Morning Post, analistas ouvidos pelo jornal associam a proposta à criação de plataformas móveis de lançamento, comando e sustentação de drones.
Segundo essa leitura, sistemas desse tipo poderiam ampliar o tempo de permanência em missões de vigilância, ataque aéreo e guerra eletrônica, embora essas aplicações apareçam, no material consultado, como possibilidades apontadas por especialistas e não como capacidades já demonstradas publicamente pelo teste descrito.
A notícia ganhou repercussão em parte porque a transmissão sem fio de energia segue em desenvolvimento em diferentes programas de pesquisa.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a DARPA informou em 16 de maio de 2025 que o programa POWER registrou a entrega de mais de 800 watts por 8,6 quilômetros em um teste com laser, em uma arquitetura distinta da usada pelos chineses, já que o experimento americano foi baseado em transmissão óptica, e não em micro-ondas.
Xidian University e o contexto da pesquisa chinesa
A própria Xidian University se apresenta, em seu site oficial em inglês, como uma instituição com forte atuação em áreas como eletrônica, telecomunicações e pesquisa aplicada.
A universidade também informa manter nove laboratórios nacionais, dado que ajuda a contextualizar sua presença em projetos que combinam antenas, micro-ondas, rastreamento e sistemas embarcados.
Esse perfil institucional, no entanto, não substitui dados técnicos do experimento.
Até aqui, a universidade não aparece, nas fontes abertas localizadas nesta verificação, com uma nota pública detalhando cronograma de novos testes, metas de desempenho ou eventual transição da tecnologia para aplicações civis.
O que ainda está em aberto no experimento
As informações disponíveis sustentam a notícia de que houve um teste bem-sucedido de recarga em voo por micro-ondas com plataforma terrestre móvel e drone de asa fixa.
Ao mesmo tempo, permanecem sem confirmação pública aspectos importantes para medir o estágio real de maturidade do sistema, como eficiência, escalabilidade, custo operacional, comportamento em distâncias maiores e desempenho em condições menos controladas.
Por isso, a descrição mais fiel ao que foi confirmado até agora é a de um experimento que demonstrou transmissão contínua de energia em voo sob condições específicas de teste.
Novos dados públicos sobre alcance, estabilidade, potência e segurança serão necessários para definir com mais precisão o peso desse resultado no desenvolvimento de drones com autonomia energética ampliada.


-
-
-
-
-
-
18 pessoas reagiram a isso.