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Um planeta do tamanho da Terra está sendo “cozido” diante dos cientistas: HD 63433 d tem um ano equivalente a 4,2 dias, pode ter metade da superfície coberta por lava e atinge cerca de 1.257°C em um hemisfério travado pela estrela

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 20/04/2026 às 13:26
Atualizado em 20/04/2026 às 19:49
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Exoplaneta HD 63433 d tem ano de 4,2 dias, temperaturas de até 1.257°C e pode ter um hemisfério inteiro coberto por lava.
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Exoplaneta HD 63433 d tem ano de 4,2 dias, temperaturas de até 1.257°C e pode ter um hemisfério inteiro coberto por lava.

Em 2024, a NASA informou em 10 de janeiro a identificação de um dos exoplanetas rochosos mais extremos já descritos por dados do Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS): o HD 63433 d, localizado a aproximadamente 73 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Gêmeos. A descoberta foi detalhada em estudo publicado em 1º de fevereiro de 2024 no The Astronomical Journal, conduzido por uma equipe internacional liderada por Benjamin K. Capistrant e Melinda Soares-Furtado, que analisou curvas de luz do TESS para confirmar um planeta jovem, de tamanho semelhante ao da Terra, orbitando uma estrela parecida com o Sol.

O que coloca esse planeta em destaque não é apenas seu tamanho, estimado em cerca de 1,1 vez o raio da Terra, mas uma combinação rara de fatores físicos. O HD 63433 d completa uma órbita ao redor de sua estrela em apenas 4,2 dias terrestres, o que significa que um “ano” inteiro nesse mundo passa em menos de uma semana. Essa proximidade extrema faz com que o lado permanentemente iluminado possa atingir cerca de 1.257°C, temperatura alta o suficiente para sustentar a hipótese de uma superfície parcialmente derretida.

Esse cenário levou cientistas a sugerirem que o planeta pode ter um hemisfério coberto por lava, já que provavelmente está travado por maré, com uma face sempre voltada para a estrela e outra mergulhada na escuridão. Por ser o menor exoplaneta confirmado com menos de 500 milhões de anos e o planeta jovem do tamanho da Terra mais próximo já identificado, o HD 63433 d passou a ser tratado como um alvo importante para entender como mundos rochosos evoluem sob radiação extrema.

HD 63433 d: o que significa um ano de apenas 4,2 dias

A característica orbital do HD 63433 d é um dos pontos mais impressionantes da descoberta. Enquanto a Terra leva 365 dias para completar uma volta ao redor do Sol, esse exoplaneta leva apenas 4,2 dias para concluir o mesmo movimento em torno de sua estrela.

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Esse dado não é apenas curioso, mas fundamental para entender as condições extremas do planeta. Quanto mais próximo um planeta está de sua estrela, maior é a força gravitacional e mais rápida é sua órbita. No caso do HD 63433 d, essa proximidade é tão grande que ele está praticamente “colado” à estrela em termos astronômicos.

Como consequência direta, o planeta recebe uma quantidade gigantesca de energia estelar, muito superior à recebida pela Terra. Isso explica por que a superfície atinge temperaturas tão elevadas, suficientes para derreter rochas e transformar a crosta em magma líquido.

Um planeta travado pela estrela e dividido em dois mundos

Outro aspecto crítico do HD 63433 d é o fenômeno conhecido como travamento por maré. Assim como a Lua sempre mostra a mesma face para a Terra, esse exoplaneta provavelmente mantém um lado permanentemente voltado para sua estrela.

Isso cria uma divisão extrema entre dois hemisférios completamente diferentes. O lado diurno, constantemente exposto à radiação estelar, pode atingir temperaturas superiores a 1.257°C, suficientes para manter a superfície em estado parcialmente ou totalmente fundido.

Um planeta do tamanho da Terra está sendo “cozido” diante dos cientistas: HD 63433 d tem um ano equivalente a 4,2 dias, pode ter metade da superfície coberta por lava e atinge cerca de 1.257°C em um hemisfério travado pela estrela
Exoplaneta HD 63433 d tem ano de 4,2 dias, temperaturas de até 1.257°C e pode ter um hemisfério inteiro coberto por lava.

Já o lado noturno permanece em escuridão constante, potencialmente muito mais frio. Esse contraste pode gerar diferenças térmicas gigantescas, criando condições atmosféricas complexas, caso exista alguma atmosfera residual.

Esse tipo de configuração transforma o planeta em um laboratório natural para estudar extremos térmicos e dinâmicas atmosféricas em condições fora dos padrões conhecidos.

O possível oceano global de lava no exoplaneta HD 63433 d

A hipótese mais chamativa envolvendo o HD 63433 d é a existência de um oceano de lava em seu lado iluminado. Esse conceito não é apenas teórico, mas baseado em modelos físicos utilizados para explicar o comportamento de planetas rochosos ultrquentes.

Quando a temperatura ultrapassa certos limites, minerais sólidos começam a derreter, formando uma superfície líquida composta por rocha fundida. Em condições como as estimadas para esse exoplaneta, esse processo pode ocorrer em escala global, pelo menos em um dos hemisférios.

Isso significa que, em vez de oceanos de água, como na Terra, esse planeta pode ter vastas extensões de magma exposto, com dinâmica própria, incluindo circulação de material fundido e possível liberação de gases.

Esse cenário já foi proposto para outros exoplanetas, mas o HD 63433 d se destaca por ser do tamanho da Terra, o que torna a comparação ainda mais relevante para estudos planetários.

Um planeta jovem e ainda em evolução

Outro fator que torna o HD 63433 d especialmente interessante é sua idade. Diferente da Terra, que tem cerca de 4,5 bilhões de anos, esse exoplaneta é relativamente jovem em termos astronômicos.

Estudos indicam que o sistema HD 63433 possui cerca de 400 milhões de anos, o que significa que o planeta ainda pode estar passando por processos intensos de formação e evolução geológica.

Isso abre uma janela rara para observar como planetas rochosos evoluem em seus primeiros estágios, especialmente sob condições extremas de temperatura e radiação.

A juventude do sistema torna o HD 63433 d um dos melhores candidatos para entender como mundos rochosos se transformam ao longo do tempo.

O papel do TESS na descoberta

A detecção do HD 63433 d foi possível graças ao telescópio espacial TESS, da NASA, lançado com o objetivo de identificar exoplanetas em torno de estrelas próximas.

O método utilizado foi o de trânsito, no qual o telescópio observa pequenas quedas no brilho de uma estrela quando um planeta passa à sua frente. Essas variações permitem calcular o tamanho do planeta, sua órbita e outras características fundamentais.

No caso do HD 63433 d, os dados do TESS revelaram não apenas sua existência, mas também sua natureza rochosa e sua órbita extremamente curta.

Esse tipo de descoberta demonstra como missões modernas estão ampliando rapidamente o catálogo de exoplanetas, especialmente aqueles com características extremas.

O que o HD 63433 d revela sobre outros mundos

O estudo de exoplanetas como o HD 63433 d não tem apenas valor descritivo. Ele ajuda a responder questões fundamentais sobre formação planetária, evolução atmosférica e limites físicos de mundos rochosos.

Por exemplo, entender como a crosta se comporta em temperaturas tão elevadas pode fornecer insights sobre a geologia de planetas próximos de suas estrelas. Da mesma forma, estudar a possível perda de atmosfera em ambientes extremos ajuda a compreender por que alguns planetas mantêm atmosferas enquanto outros não.

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Além disso, esses estudos contribuem para a busca por planetas habitáveis, pois ajudam a definir os limites da chamada “zona habitável”, onde a água líquida poderia existir. Ao estudar mundos extremos, os cientistas conseguem entender melhor onde a vida pode ou não surgir no universo.

Diferenças em relação à Terra e ao Sistema Solar

Embora seja semelhante em tamanho à Terra, o HD 63433 d é completamente diferente em praticamente todos os outros aspectos. Sua proximidade com a estrela, sua temperatura extrema e sua possível superfície de lava o colocam em uma categoria própria.

No Sistema Solar, o planeta que mais se aproxima desse tipo de condição é Mercúrio, mas mesmo ele não atinge temperaturas tão elevadas nem apresenta evidências de magma superficial global.

Essa comparação destaca o quão diverso o universo pode ser quando se trata de planetas, indo muito além dos exemplos conhecidos em nosso próprio sistema.

Limitações e o que ainda não se sabe sobre o exoplaneta que atinge 1.257°C

Apesar das informações disponíveis, ainda existem muitas incertezas sobre o HD 63433 d. Não é possível confirmar diretamente a presença de um oceano de lava, já que as observações atuais não permitem esse nível de detalhamento.

Grande parte do que se sabe vem de modelos teóricos baseados em dados de temperatura, composição e comportamento físico de materiais sob condições extremas.

Portanto, é importante destacar que algumas conclusões são inferências científicas, e não observações diretas. Missões futuras e telescópios mais avançados poderão refinar essas informações.

Isso significa que o planeta pode ser ainda mais extremo do que se imagina ou apresentar características ainda não previstas pelos modelos atuais.

O futuro das observações com o James Webb

O Telescópio Espacial James Webb, lançado pela NASA em parceria com ESA e CSA, representa o próximo grande passo na análise de exoplanetas como o HD 63433 d.

Com capacidade para observar atmosferas e composições químicas com maior precisão, o Webb poderá investigar se o planeta possui gases, como dióxido de carbono ou vapor mineral, e entender melhor sua dinâmica térmica.

Essas observações podem confirmar ou refinar a hipótese do oceano de lava e fornecer dados mais detalhados sobre a estrutura do planeta.

O que você acha de um planeta onde um ano dura apenas 4 dias e metade da superfície pode ser um oceano de lava?

A descoberta do HD 63433 d levanta uma série de reflexões sobre a diversidade de mundos no universo e os limites físicos que um planeta pode atingir. Com temperaturas suficientes para derreter rochas e uma órbita extremamente rápida, ele representa um dos exemplos mais extremos já identificados.

Diante desse cenário, você acredita que ainda existem tipos de planetas ainda mais extremos esperando para serem descobertos?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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