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Um fenômeno nunca visto pelos astrônomos: cometa 41P quase para no espaço, inverte sua rotação e surpreende o Hubble

Publicado em 23/04/2026 às 19:22
Assista o vídeoCometa 41P, Cometa
Esta ilustração artística retrata o cometa 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák, um pequeno cometa da família de Júpiter, enquanto se aproxima do Sol e seus gases congelados começam a sublimar, ejetando matéria para o espaço. Crédito: Ilustração: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
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Cometa 41P surpreende astrônomos ao reduzir sua rotação, inverter o sentido do giro e revelar mudanças rápidas após aproximação ao Sol em 2017

O cometa 41P reduziu sua rotação e depois passou a girar no sentido oposto após se aproximar do Sol em 2017, revelando um fenômeno nunca observado antes em corpos gelados desse tipo.

Hubble registra mudança inédita no cometa 41P

Astrônomos ligados ao Telescópio Espacial Hubble, da NASA, detectaram um comportamento sem precedentes no Sistema Solar.

O cometa 41P desacelerou repentinamente e, pouco depois, começou a girar na direção contrária.

Essa é a primeira evidência observada de um cometa invertendo seu sentido de rotação. A descoberta oferece uma visão rara sobre a evolução física de corpos pequenos, frágeis e gelados.

O objeto é o 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák. Ele provavelmente se originou no Cinturão de Kuiper e, sob influência de Júpiter, foi capturado para uma órbita que o traz ao Sistema Solar interno a cada 5,4 anos.

Depois da aproximação ao Sol em 2017, o Observatório Swift mostrou que o cometa girava três vezes mais devagar do que meses antes, quando foi estudado com o Telescópio Discovery Channel.

Cometa 41P, Cometa
Painel esquerdo: Imagem composta com uma integração TGK de 3840 s. Uma barra de escala de 1″ e as direções cardinais indicadas aplicam-se a ambos os painéis. Painel direito: A mesma imagem com contornos para destacar a coma perto do núcleo. As setas indicam a direção antissolar (–S) e o vetor de velocidade heliocêntrica negativa projetada (–V). Fonte: David Jewitt. (2026).

Rotação ficou mais lenta antes da inversão

A mudança mais surpreendente apareceu em imagens captadas pelo Hubble em dezembro de 2017. O núcleo acelerou novamente, porém não do modo previsto.

O período de rotação era então de cerca de 14 horas. O dado contrastava com as medições do Swift, que apontavam entre 46 e 60 horas.

A explicação mais simples apresentada pelos autores é que o núcleo quase parou antes de ser empurrado para a direção oposta. A força teria vindo de jatos de gás que escapavam da superfície.

O estudo, publicado na revista The Astronomical Journal, descreve um cenário incomum, mas compatível com objetos pequenos e ricos em materiais voláteis.

Jatos de gás agiram como pequenos motores

As imagens do Hubble também ajudaram a estimar o tamanho do núcleo. Ele tem pouco mais de um quilômetro de diâmetro, cerca de três vezes a altura da Torre Eiffel.

Esse tamanho reduzido torna o corpo mais fácil de deformar. Quando um cometa se aproxima do Sol, o calor faz o gelo sublimar, gerando jatos de gás e poeira.

Esses gêiseres naturais podem agir como propulsores. David Jewitt, astrônomo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, e autor do estudo, explica que os jatos funcionam como pequenos motores.

Quando estão distribuídos de maneira desigual, eles conseguem alterar fortemente a rotação de um cometa. O efeito é maior quando o núcleo é pequeno, como no 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák.

No cometa 41P, os jatos primeiro reduziram a rotação original. Depois, ao continuarem exercendo impulso, acabaram invertendo completamente a direção do giro.

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Atividade caiu quase dez vezes em 2017

O estudo também mostra que a atividade geral do cometa 41P diminuiu em passagens recentes. Em 2001, durante a aproximação ao Sol, ele exibiu uma atividade incomum para seu tamanho.

Em 2017, a produção de gás havia caído quase dez vezes. A mudança sugere uma superfície em transformação rápida, talvez porque materiais voláteis estejam sumindo ou sendo cobertos por poeira.

Transformações cometárias costumam levar séculos ou milênios. Acompanhar variações tão rápidas oferece uma chance incomum de observar a evolução física de um cometa em tempo real.

Modelos baseados em forças de torção e perda de massa indicam que, se o processo continuar, o núcleo poderá se tornar instável. A rotação excessiva poderia fragmentá-lo ou provocar sua desintegração.

David Jewitt acredita que esse núcleo vai se autodestruir em breve. Ainda assim, o 41P/Tuttle-Giacobini-Kresák percorre sua trajetória atual ao redor do Sol há cerca de 1.500 anos.

Arquivos antigos revelaram a descoberta

A descoberta nasceu dos arquivos do Hubble, que guardam mais de três décadas de dados astronômicos. Jewitt encontrou as observações enquanto explorava esse banco de dados.

As imagens haviam sido capturadas anos antes, mas ainda não tinham passado por análise. A política de dados abertos da NASA permitiu que registros antigos fossem usados para responder a uma questão nova.

Nesse caso, o material revelou uma história inesperada: um pequeno cometa, vindo de longa trajetória orbital, capaz de quase parar, mudar de rumo e registrar uma inversão de rotação sem precedentes.

Dados arquivados podem ganhar novo valor. Também indica que corpos gelados podem passar por mudanças rápidas e dificéis diretamente.

Com informações de Tempo.

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Romário Pereira de Carvalho

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