O aquecimento anormal do Pacífico já acende alerta para mudanças no clima brasileiro nos próximos meses, com reflexos sobre o campo, o abastecimento de água e o planejamento diante de um segundo semestre mais instável.
O Brasil pode entrar em uma nova fase de atenção climática já em maio. A tendência é de avanço do El Niño, com aumento das temperaturas e mudança no padrão das chuvas em várias regiões do país.
Na prática, isso pode significar ondas de calor mais intensas, enchentes no Sul, chuva irregular no Sudeste e no Centro Oeste, além de estiagem mais forte no Norte e no Nordeste. O impacto se espalha e atinge também a agricultura.
O que muda com a chegada do El Niño ao Brasil
O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico, na faixa da Linha do Equador, ficam mais quentes do que o normal. Isso altera a circulação dos ventos e mexe no clima em diferentes partes do planeta.
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Com essa mudança, o Brasil costuma sentir efeitos bem distintos entre as regiões. O Sul tende a receber mais chuva, enquanto o Norte e o Nordeste enfrentam redução de precipitação e mais risco de seca.

Maio abre a janela e agosto amplia o risco
A previsão indica chance de ocorrência já em maio. No trimestre de junho, julho e agosto, a possibilidade de consolidação chega a 62% e segue em alta durante o segundo semestre.
A partir de agosto, o cenário fica ainda mais forte, com probabilidade superior a 80% até o fim de 2026. Isso amplia o alerta para calor persistente e eventos climáticos mais extremos.
De acordo com dados divulgados pela NOAA, agência dos Estados Unidos para clima e oceanos, o aquecimento do Pacífico já aponta para uma mudança importante.
Esse movimento reforça o risco de ondas de calor, além de abrir espaço para períodos de chuva irregular no Sudeste e no Centro Oeste. No Sul, a preocupação cresce com temporais e possibilidade de enchentes.
No Norte e no Nordeste, o avanço do fenômeno aumenta a chance de seca severa. Estados como Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia aparecem entre os mais sensíveis a esse tipo de impacto.
Sul pode ter excesso de chuva e Nordeste entra em zona de maior pressão
No Sul, a combinação de chuva acima da média e solo já úmido pode elevar o risco de alagamentos e transtornos ainda no inverno, com efeito mais amplo entre a primavera e o verão.
Já no Nordeste, o cenário aponta para menos chuva e maior dificuldade no armazenamento natural de água. Esse desequilíbrio pressiona cidades, campo e reservatórios ao longo dos próximos meses.
Agricultura entra no radar com perdas no plantio e na colheita

A redução das chuvas no Norte e no Nordeste compromete lavouras que dependem da umidade do solo. O problema pesa mais sobre cultivos sem irrigação e pode prejudicar o plantio e o desenvolvimento inicial das plantas.
No Sul, o excesso de chuva encharca o solo e dificulta a entrada de máquinas no campo. Em fases decisivas, como floração e enchimento de grãos, a produtividade cai e a qualidade final também sofre.
Primavera e verão podem concentrar o impacto mais amplo
No Centro Oeste e no Sudeste, o fenômeno também pode aumentar a frequência de veranicos na primavera e no começo do verão. Isso favorece falhas no início do ciclo de culturas como soja e milho.
Há ainda a possibilidade de um Super El Niño em 2026, mas esse cenário segue como hipótese de baixa probabilidade no fim do período analisado. Mesmo assim, o risco já muda o planejamento climático e produtivo.
O avanço do El Niño coloca o Brasil diante de um segundo semestre mais sensível, com calor acima da média e chuva distribuída de forma desigual. O efeito não fica restrito ao mapa do tempo e alcança o campo, as cidades e a rotina da população.
Com 62% de chance no trimestre de junho, julho e agosto e probabilidade acima de 80% a partir de agosto, o fenômeno ganha peso nas previsões e pressiona a região.
