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TSMC revela no deserto do Arizona a fábrica de chips Fab 21 de US$ 165 bilhões que vai produzir 100 milhões de processadores para a Apple

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 14/05/2026 às 11:30
Atualizado em 14/05/2026 às 11:34
Vista aérea da Fab 21 da TSMC em Phoenix, Arizona
Vista aérea da Fab 21 da TSMC em Phoenix, Arizona (representação artística).
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A TSMC revelou em 8 de maio detalhes da fábrica Fab 21 em Phoenix, no Arizona, que recebeu US$ 165 bilhões em investimento, produz 100 mil wafers por mês e vai entregar 100 milhões de chips à Apple ainda em 2026 no maior projeto industrial greenfield da história dos Estados Unidos.

A fábrica TSMC Arizona Fab 21 está localizada ao norte de Phoenix, no deserto, com 3,5 milhões de pés quadrados de área construída sobre 1.100 acres.

De acordo com o Evertiq, a TSMC abriu as instalações para imprensa em 8 de maio.

Conforme a TSMC, a Fase 1 começou produção em alto volume no quarto trimestre de 2025.

Em primeiro lugar, a capacidade nominal é de 90 mil a 100 mil wafers por mês no processo de 4 nanômetros.

Em segundo lugar, a empresa anunciou que a Apple vai comprar mais de 100 milhões de chips Fab 21 ainda em 2026.

Por outro lado, o investimento total expandiu de US$ 12 bilhões iniciais para US$ 165 bilhões nos últimos quatro anos.

A fábrica TSMC Arizona vai ter seis unidades de wafer e duas plantas de empacotamento avançado

Os planos completos preveem seis fábricas de wafer no mesmo campus.

De acordo com o cronograma oficial, a Fab 2 começa instalação de equipamento no terceiro trimestre de 2026.

Conforme a Reuters, a produção em volume de chips 3 nanômetros (N3) começa em 2027 — meses antes do plano original.

Em comparação, a Fab 3 vai produzir o processo 2 nanômetros a partir de 2028.

Posteriormente, fábricas Fab 4, Fab 5 e Fab 6 entram em operação entre 2030 e 2034.

Por isso, o campus inteiro deve abrigar 12.000 empregados diretos quando totalmente operacional.

A fábrica TSMC Arizona Fab 21 produz wafers de 4 nanômetros em sala limpa
Sala limpa da TSMC Arizona com engenheiros operando equipamento de litografia (representação artística).

A fábrica TSMC Arizona representa o maior investimento greenfield estrangeiro da história dos EUA

O Departamento do Comércio dos Estados Unidos classificou o projeto como o maior investimento direto estrangeiro em projeto novo já feito no país.

Em comparação, a fábrica anterior recordista era a planta da Honda em Marysville, Ohio, com US$ 1,3 bilhão em 1982.

De acordo com o CHIPS and Science Act, a TSMC recebeu US$ 6,6 bilhões em subsídios federais.

Conforme a Casa Branca, a TSMC adicionou ainda US$ 5 bilhões em créditos fiscais para pesquisa.

Em outras palavras, o governo americano contribuiu com US$ 11,6 bilhões na conta total de US$ 165 bilhões.

Como reportou a CNBC, mais de 12 mil empregos diretos foram criados na fase de construção.

Apple, Nvidia, AMD e Qualcomm já confirmaram pedidos da TSMC Arizona

A Apple anunciou em fevereiro de 2026 a compra de 100 milhões de chips A19 produzidos no Arizona.

De acordo com a Nvidia, parte da linha Blackwell B100 já é fabricada na Fab 21.

Conforme a AMD, a próxima geração de processadores Ryzen vai sair da mesma planta.

Em primeiro lugar, a Qualcomm migrou para Arizona parte da produção dos chips Snapdragon 8 Gen 4.

Em segundo lugar, a Cisco e a Marvell também colocaram pedidos para chips de rede em 4 nm.

Posteriormente, a Microsoft anunciou intenção de comprar chips Cobalt 200 fabricados localmente.

  • Investimento total: US$ 165 bilhões em 6 fabs + 2 plantas + R&D
  • Capacidade Fab 1: 90-100 mil wafers/mês (4 nm)
  • Cliente principal: Apple (100 milhões de chips em 2026)
  • Área: 3,5 milhões de pés quadrados em 1.100 acres
  • Empregados: 3.000 hoje, 12.000 quando completo
  • Roadmap: 4 nm (2025) → 3 nm (2027) → 2 nm (2028)
A fábrica TSMC Arizona Fab 21 entrega wafers de silício no processo de 4 nanômetros
Wafer de silício no processo 4 nm produzido na fábrica TSMC Arizona Fab 21 (representação artística).

Enquanto o Brasil debate a Política de Semicondutores, EUA atraem US$ 250 bilhões em fábricas

O Brasil aprovou em 2024 a Política Nacional de Semicondutores com R$ 26 bilhões em incentivos.

Em comparação, os Estados Unidos atraíram US$ 250 bilhões em compromissos via CHIPS Act, segundo a Casa Branca.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, o Brasil produz apenas chips em backend (encapsulamento), sem fabricação de wafer.

Por outro lado, a Samsung mantém em Manaus uma fábrica que abriu em 2002 e segue sem upgrade tecnológico.

Conforme o BNDES, o Brasil precisa de pelo menos US$ 8 bilhões para iniciar uma fábrica de wafer em 28 nm.

Da mesma forma, executivos do setor argumentam que a falta de fornecedores locais ainda inviabiliza o investimento.

A demanda da inteligência artificial empurrou a TSMC para acelerar o cronograma do Arizona

A demanda por chips para IA cresceu 240% entre 2023 e 2025, segundo o Gartner.

Conforme a Nvidia, cada servidor H100 ou Blackwell consome chips fabricados pela TSMC.

De acordo com a Microsoft, OpenAI e Anthropic precisam de 10 milhões de GPUs até 2030.

Em outras palavras, o gargalo da IA está na capacidade de fabricação de wafer, não no algoritmo.

Por isso, a TSMC adiantou em meses o cronograma da Fab 2 para responder à pressão.

Como reportou o Tom’s Hardware, equipamento EUV ASML já está em trânsito para a Fab 2.

A fábrica TSMC Arizona segue construção das fases 2 e 3 no deserto de Phoenix
Vista aérea do campus TSMC Fab 21 em Phoenix com obras da Fase 2 (representação artística).

O acervo do CPG cobre a corrida dos semicondutores e o impacto no setor de energia

O CPG publicou recentemente sobre a corrida dos semicondutores e o Brasil, no acervo do site.

Posteriormente, o site publicou análise sobre o consumo de energia em data centers para IA, com dados da IEA.

Em outras palavras, a fábrica TSMC Arizona vai consumir 200 megawatts elétricos quando estiver completa.

Por outro lado, a Arizona Public Service vai precisar instalar painéis solares em 1.500 acres para atender a demanda.

Próximos passos: Fab 2 entra em operação em 2027 e a IA depende dela

Em primeiro lugar, a TSMC instala equipamento EUV na Fab 2 entre julho e setembro de 2026.

Em seguida, produção piloto de chips 3 nanômetros começa no início de 2027.

Por fim, a produção em volume entra no terceiro trimestre de 2027.

Porém, há quem alerte para risco de excesso de capacidade se a IA desacelerar.

No entanto, executivos da TSMC defendem que a fila de pedidos já está cheia até 2030. Ainda assim, a Fab 21 vira o ponto de virada da geopolítica dos chips entre Estados Unidos e Taiwan.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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