O arco ficará entre o Memorial de Lincoln e o Cemitério Nacional de Arlington, no mesmo eixo dos monumentos mais importantes dos Estados Unidos. Veteranos do Vietnã entraram na Justiça pra barrar a construção. O contribuinte americano vai pagar parte da conta. E arquitetos que apoiavam a ideia original agora são contra o tamanho
Washington tem o obelisco de 169 metros do Monumento a Washington. Tem o Memorial de Lincoln com 30 metros. Tem o Memorial da Segunda Guerra Mundial, o de Martin Luther King, o de Jefferson. Não tem um arco triunfal. Trump decidiu que isso era um problema. E que a solução era construir o maior do mundo.
Nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, o Departamento do Interior dos Estados Unidos submeteu à Comissão de Belas Artes de Washington as renderizações oficiais do que já está sendo chamado de “Arc de Trump”: um arco triunfal de 250 pés (76 metros) de altura, projetado pelo escritório Harrison Design.
Para dimensionar: o Memorial de Lincoln tem 30 metros. O arco terá mais que o dobro. O Arco do Triunfo de Paris tem 50 metros. O de Trump terá 26 metros a mais. O Monumento à Revolução na Cidade do México, o atual recordista mundial, tem 67 metros. O Arc de Trump passaria ele com folga.
-
Família constrói piscina natural sem cloro e sem lama; a água fica tão cristalina que peixes e camarões limpam o fundo sozinhos e os hóspedes ganham uma “manicure de peixe” de graça
-
Sem cimento, sem cola e sem um único parafuso, blocos de madeira que se travam uns nos outros prometem levantar o esqueleto de uma casa em cerca de sete dias, com um trabalhador montando um metro quadrado de parede em menos de um minuto
-
Casa suspensa construída com contêiner, madeira e aço reaproveitados não possui televisão nem sistema de wi-fi e foi projetada para funcionar sem ar-condicionado; a residência foi construída entre árvores no interior de São Paulo e aposta em ventilação natural e telhado verde
-
Escócia cria tijolo feito com mais de 95% de entulho reciclado, elimina a queima em forno e tenta reinventar uma peça usada em obras há quase mil anos
Se construído, será o arco triunfal mais alto do planeta.
O que os desenhos mostram

As renderizações de 12 páginas revelam uma estrutura monumental de pedra branca às margens do rio Potomac. No topo, uma Lady Liberty dourada e alada segurando uma tocha, ladeada por duas águias de ouro. Na base, quatro leões dourados guardam as entradas.
De um lado, a inscrição “One Nation Under God” gravada em ouro. Do outro, “Liberty and Justice for All.”
O arco ocupará o Memorial Circle, uma rotatória na ponta da Arlington Memorial Bridge, do lado da Virgínia. Ficará exatamente entre dois dos lugares mais simbólicos dos Estados Unidos: o Memorial de Lincoln de um lado do rio e o Cemitério Nacional de Arlington do outro. O eixo visual que conecta esses dois monumentos foi projetado após a Guerra Civil para simbolizar a reunificação do país.
O arco de Trump ficará no meio desse eixo.
“É pra mim”

Em outubro de 2025, Trump mostrou a repórteres na Sala Oval uma maquete do arco em cima de sua mesa. O repórter da CBS Ed O’Keefe perguntou: “Pra quem é?” Trump respondeu: “Pra mim. Vai ser lindo.”
Em jantar na Casa Branca na mesma noite, convidados viram três maquetes em escalas diferentes: pequena, média e grande. Trump escolheu a grande. “Pequena, média e grande. Todas ficam bonitas. Mas eu acho que a grande fica, de longe, a melhor”, disse.
Em dezembro, ampliou: “Washington é a única cidade importante do mundo que não tem um arco triunfal.” E completou: “Este vai ser como o de Paris, mas sendo honesto, vai acabar com ele.”
O monumento oficialmente celebra os 250 anos da independência americana, o chamado semiquincentenário. Mas a insistência de Trump em associar o projeto a si próprio transformou a celebração nacional em debate sobre ego presidencial.
Quem é contra
Em fevereiro de 2026, a organização Public Citizen entrou na Justiça federal em nome de três veteranos da Guerra do Vietnã pedindo a suspensão do projeto. Os argumentos:
O arco bloquearia a vista entre o Memorial de Lincoln e o Cemitério de Arlington, destruindo o simbolismo de reunificação pós-Guerra Civil. Não teve aprovação do Congresso, que historicamente autoriza todos os monumentos da capital. E poderia representar risco à aviação no Aeroporto Nacional Reagan, que fica próximo.
Até arquitetos que originalmente defendiam a construção de um arco no local mudaram de posição. O crítico de arte Catesby Leigh, que em 2025 publicou o artigo “Washington precisa de um arco” propondo a ideia, passou a se opor ao projeto quando Trump escolheu a versão maior.
O deputado democrata da Califórnia Jared Huffman foi direto: “Americanos estão tendo que escolher entre gasolina e comida, e a prioridade do presidente é gastar milhões em mais um projeto de vaidade.”
Quem paga
O plano de gastos da National Endowment for the Humanities reservou US$ 2 milhões em fundos especiais e US$ 13 milhões em fundos de contrapartida para o arco. O restante viria de doações privadas. Mas a Casa Branca não confirmou o custo total da obra.
O contribuinte americano vai pagar parte da conta. Quanto exatamente, ninguém sabe ainda.
O que acontece agora
A Comissão de Belas Artes, o painel federal que avalia projetos de design em Washington, vai analisar as renderizações na reunião presencial de quinta-feira, 17 de abril. Trump nomeou vários aliados para a comissão, o que torna a aprovação provável.
Paralelamente, o processo judicial movido pelos veteranos segue tramitando. A batalha pelo arco vai ser travada nos tribunais, na comissão e na opinião pública ao mesmo tempo.
Trump já demoliu a Ala Leste da Casa Branca pra construir um salão de festas de US$ 400 milhões (obra suspensa por um juiz federal). Já aprovou uma moeda comemorativa de US$ 1 com o próprio rosto. O arco é o próximo passo de um presidente que quer deixar sua marca física na capital do país mais poderoso do mundo.
E quando perguntaram pra quem era, ele não disse “pra América”. Disse “pra mim”.
Com informações da CBS News, PBS, Newsweek, Washington Times e Associated Press.

-
-
-
-
5 pessoas reagiram a isso.