Três petroleiros receberam óleo de cinco campos do pré-sal em operações simultâneas no Porto do Açu, no Rio, em 18 de outubro. Entenda as rotas para Ásia e Europa e a logística dos navios da Petrobras.
Em um único dia, três petroleiros de grande porte receberam cargas de petróleo do pré-sal no Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. Dois saíram com destino à Ásia; o terceiro partiu rumo à Europa. A operação, realizada em 18 de outubro de 2026 e divulgada no dia 29, reuniu óleo extraído dos campos de Itapu, Tupi, Búzios, Atapu e Mero, numa movimentação simultânea até então inédita para a Petrobras naquele terminal.
O feito envolveu mais navios do que os três petroleiros que seguiram para o exterior. Cinco embarcações aliviadoras transportaram óleo dos campos marítimos até o T-Oil, terminal operado pela Vast Infraestrutura. Ali, os carregamentos foram transferidos entre navios, em operações chamadas ship-to-ship. O resultado expõe a dimensão da logística necessária para levar o petróleo produzido a centenas de quilômetros da costa brasileira aos mercados internacionais.
Dois petroleiros partiram para a Ásia e o terceiro levou óleo do campo de Mero para a Europa
O primeiro dos grandes navios foi o Eagle Victoria, classificado como VLCC, categoria usada para petroleiros de grande capacidade. Ele recebeu petróleo de Itapu, transportado pelo navio aliviador DP2 Maran Lambada, e depois uma carga de Tupi, trazida pelo DP2 Rio 2016. Concluída a transferência, o Eagle Victoria seguiu com destino à Ásia.
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Em outra posição do terminal estava o Eagle Valence, também da categoria VLCC. A embarcação recebeu óleo de Búzios, levado pelo DP2 Eagle Crato, e de Atapu, transferido pelo DP2 Brasil 2014. O destino indicado para essa carga também foi o continente asiático.
A terceira operação envolveu o Delta Ocean, petroleiro da classe Suezmax. O óleo veio do campo de Mero, por meio do aliviador DP2 Elka Paraná, e teve a Europa como destino. Os detalhes das três movimentações foram confirmados pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em manifestação divulgada pela imprensa em 29 de outubro. O relato identifica cada navio e os respectivos campos de origem.
Os cinco nomes dos campos representam diferentes pontos da produção brasileira no pré-sal, mas os carregamentos convergiram para o mesmo local. A reunião dessas cargas numa operação portuária permite entender por que transportar petróleo não termina quando ele sai de uma plataforma: ainda é preciso conectar a produção à frota de exportação.
Cinco navios aliviadores alimentaram os três gigantes: entenda a transferência de petróleo no mar
Os navios aliviadores são preparados para recolher petróleo das unidades de produção offshore e transportá-lo até locais de descarga ou transbordo. Em campos distantes da costa, essa etapa é parte essencial do escoamento. A sigla DP2 identifica embarcações equipadas com sistemas de posicionamento dinâmico de determinada classe de redundância, tecnologia que ajuda a manter a posição durante operações marítimas especializadas.
Quando o aliviador chega a um terminal como o T-Oil, ele pode ficar ao lado de um petroleiro que seguirá em viagem internacional. Por meio de mangotes e sistemas de bombeamento próprios da operação, o petróleo passa de uma embarcação à outra. Esse método, conhecido como transbordo entre navios, reduz a necessidade de levar toda a carga a uma instalação terrestre de armazenamento antes do embarque final.

A estrutura do Terminal de Óleo do Porto do Açu fica em uma área abrigada, protegida por quebra-mar e equipada com estruturas de segurança e contenção. O espaço permite acomodar as embarcações lado a lado e realizar as transferências em berços específicos, com apoio de equipes de atracação, operação e monitoramento.
Essa logística exige coordenação de janelas de chegada, manobras e conexões entre embarcações. Ter três transferências ao mesmo tempo significa operar frentes independentes no mesmo terminal. O tempo total de movimentação depende das condições operacionais e da quantidade de óleo em cada viagem, dados que não foram discriminados no anúncio das operações de 18 de outubro.
Dois berços recebem navios com capacidade de até 2 milhões de barris, e o terceiro atende Suezmax
O T-Oil tem três berços de atracação. Segundo o Porto do Açu, dois foram projetados para receber navios da classe VLCC, que podem transportar aproximadamente 2 milhões de barris por embarcação. O terceiro é destinado a navios da classe Suezmax, cuja capacidade nominal chega a aproximadamente 1 milhão de barris. Essa configuração explica a presença de dois VLCC e um Suezmax nas operações da Petrobras.
Os limites das classes de navios representam capacidade de transporte, e não a quantidade efetivamente carregada em 18 de outubro. O número de barris movimentados naquela jornada não foi informado nas notícias consultadas. A novidade documentada foi a simultaneidade das três operações destinadas à Petrobras, com petróleo de cinco campos e rotas internacionais distintas.
Reportagens sobre a operação informam que a licença do terminal permite movimentar até 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. Esse volume é um teto autorizado para a atividade portuária, não um registro de produção ou de transbordo ocorrido na data. A escala do empreendimento ajuda a dimensionar a infraestrutura necessária para a exportação de óleo cru brasileiro.
O terminal já fazia três transbordos simultâneos em 2020; desta vez, as cargas eram todas da Petrobras
Há uma distinção importante na história do Porto do Açu. Em agosto de 2020, a então Açu Petróleo, atual Vast, já havia registrado três transbordos simultâneos, com seis navios atracados e operações nos berços norte, central e sul. A infraestrutura, portanto, demonstrou essa capacidade anos antes da movimentação de outubro de 2026.
O marco anunciado agora se refere à execução simultânea de três operações dedicadas às cargas da Petrobras. É um avanço específico na relação entre a estatal e a Vast, e não a estreia absoluta da tecnologia de transbordo triplo no terminal. A parceria comercial entre as empresas começou em 2019 e se ampliou à medida que o escoamento de petróleo brasileiro ganhou escala.
Com a produção concentrada em plataformas e campos marítimos, a disponibilidade de berços, navios aliviadores e petroleiros de longo curso passa a ser tão estratégica quanto a capacidade de extração. Uma operação bem coordenada permite aproveitar a infraestrutura portuária e manter as cargas seguindo viagem, com menos conflitos de agenda entre embarcações.
Contrato fechado em julho reservou capacidade de uso no T-Oil por mais três anos
A relação comercial recebeu um reforço em 3 de julho de 2026, quando a Vast e a Petrobras assinaram um novo acordo para mais três anos de serviços de transbordo. A Vast informou a assinatura, destacando a continuidade da parceria iniciada sete anos antes.

O modelo passou a incluir compromissos mínimos de utilização da infraestrutura, conhecido como take-or-pay. Nesse tipo de contrato, o cliente assume obrigação relacionada a uma quantidade ou capacidade mínima contratada, dando previsibilidade à prestadora do serviço e permitindo planejamento de espaço e disponibilidade. Os valores financeiros do acordo não foram divulgados.
Para a Petrobras, assegurar capacidade no terminal facilita a organização de viagens a partir das bacias produtoras. Para a Vast, uma programação previsível sustenta a atividade nos berços e a gestão dos equipamentos. A operação tripla de outubro mostra uma aplicação concreta dessa relação comercial em grande escala.
Porto do Açu escoou 220 milhões de barris para exportação em 2025 e virou peça central da logística do pré-sal
O tamanho do terminal aparece nos resultados consolidados do Porto do Açu. Em 2025, o T-Oil registrou 220 milhões de barris de petróleo bruto embarcados com destino ao exterior, segundo balanço divulgado pelo complexo portuário em abril de 2026. O porto, que também movimenta minério de ferro e outras cargas, encerrou aquele ano com 89 milhões de toneladas movimentadas no conjunto de seus terminais.
Nos dados de transbordo citados pela Vast e por reportagens especializadas, o T-Oil respondeu por aproximadamente 48% das exportações brasileiras de óleo cru realizadas a partir de terminais em 2025. Esse percentual se refere ao recorte de exportação por terminais utilizado na comparação; não significa que 48% de todo petróleo produzido no Brasil tenha saído pelo Porto do Açu.
A localização no Norte Fluminense aproxima o complexo das rotas marítimas utilizadas pelas operações das bacias de Campos e Santos. Em 29 de outubro, a Petrobras também divulgou que sua produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás havia atingido uma média recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026. O avanço de 11,7% em um ano amplia a importância de uma rede eficiente para escoar a produção.
O dia 18 de outubro mostrou essa rede funcionando em escala: cinco navios aliviadores, três petroleiros exportadores, petróleo de cinco campos e destinos em dois continentes. O movimento fortalece o papel do Rio de Janeiro na cadeia logística de energia e revela uma parte pouco visível do negócio petrolífero brasileiro, muito além das plataformas no horizonte.
Você imaginava que um único terminal brasileiro pudesse organizar três operações simultâneas de exportação para a Petrobras? Conte nos comentários o que mais impressiona nessa logística e compartilhe a reportagem com quem acompanha a indústria de petróleo e gás.
