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Três petroleiros gigantes carregam petróleo ao mesmo tempo no Rio de Janeiro, com cargas de cinco campos do pré-sal e destino à Ásia e à Europa

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Escrito por Flavia Marinho Publicado em 30/10/2026 às 11:37
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Imagem ilustrativa fotorealista de três grandes navios petroleiros em berços portuários de transbordo, representando o feito logístico da Petrobras no Porto do Açu em outubro de 2026
Imagem editorial ilustrativa fotorealista. Representa a operação de transbordo no Porto do Açu, sem retratar os navios reais na data do acontecimento.
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Três petroleiros receberam óleo de cinco campos do pré-sal em operações simultâneas no Porto do Açu, no Rio, em 18 de outubro. Entenda as rotas para Ásia e Europa e a logística dos navios da Petrobras.

Em um único dia, três petroleiros de grande porte receberam cargas de petróleo do pré-sal no Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense. Dois saíram com destino à Ásia; o terceiro partiu rumo à Europa. A operação, realizada em 18 de outubro de 2026 e divulgada no dia 29, reuniu óleo extraído dos campos de Itapu, Tupi, Búzios, Atapu e Mero, numa movimentação simultânea até então inédita para a Petrobras naquele terminal.

O feito envolveu mais navios do que os três petroleiros que seguiram para o exterior. Cinco embarcações aliviadoras transportaram óleo dos campos marítimos até o T-Oil, terminal operado pela Vast Infraestrutura. Ali, os carregamentos foram transferidos entre navios, em operações chamadas ship-to-ship. O resultado expõe a dimensão da logística necessária para levar o petróleo produzido a centenas de quilômetros da costa brasileira aos mercados internacionais.

Dois petroleiros partiram para a Ásia e o terceiro levou óleo do campo de Mero para a Europa

O primeiro dos grandes navios foi o Eagle Victoria, classificado como VLCC, categoria usada para petroleiros de grande capacidade. Ele recebeu petróleo de Itapu, transportado pelo navio aliviador DP2 Maran Lambada, e depois uma carga de Tupi, trazida pelo DP2 Rio 2016. Concluída a transferência, o Eagle Victoria seguiu com destino à Ásia.

Em outra posição do terminal estava o Eagle Valence, também da categoria VLCC. A embarcação recebeu óleo de Búzios, levado pelo DP2 Eagle Crato, e de Atapu, transferido pelo DP2 Brasil 2014. O destino indicado para essa carga também foi o continente asiático.

A terceira operação envolveu o Delta Ocean, petroleiro da classe Suezmax. O óleo veio do campo de Mero, por meio do aliviador DP2 Elka Paraná, e teve a Europa como destino. Os detalhes das três movimentações foram confirmados pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em manifestação divulgada pela imprensa em 29 de outubro. O relato identifica cada navio e os respectivos campos de origem.

Os cinco nomes dos campos representam diferentes pontos da produção brasileira no pré-sal, mas os carregamentos convergiram para o mesmo local. A reunião dessas cargas numa operação portuária permite entender por que transportar petróleo não termina quando ele sai de uma plataforma: ainda é preciso conectar a produção à frota de exportação.

Cinco navios aliviadores alimentaram os três gigantes: entenda a transferência de petróleo no mar

Os navios aliviadores são preparados para recolher petróleo das unidades de produção offshore e transportá-lo até locais de descarga ou transbordo. Em campos distantes da costa, essa etapa é parte essencial do escoamento. A sigla DP2 identifica embarcações equipadas com sistemas de posicionamento dinâmico de determinada classe de redundância, tecnologia que ajuda a manter a posição durante operações marítimas especializadas.

Quando o aliviador chega a um terminal como o T-Oil, ele pode ficar ao lado de um petroleiro que seguirá em viagem internacional. Por meio de mangotes e sistemas de bombeamento próprios da operação, o petróleo passa de uma embarcação à outra. Esse método, conhecido como transbordo entre navios, reduz a necessidade de levar toda a carga a uma instalação terrestre de armazenamento antes do embarque final.

Imagem do terminal de transbordo de petróleo T-Oil no Porto do Açu divulgada na cobertura jornalística de outubro de 2026
Estrutura de transbordo no Porto do Açu em imagem publicada pelo BE News em 29 de outubro de 2026. Foto de divulgação; não identifica individualmente os navios envolvidos no dia 18.

A estrutura do Terminal de Óleo do Porto do Açu fica em uma área abrigada, protegida por quebra-mar e equipada com estruturas de segurança e contenção. O espaço permite acomodar as embarcações lado a lado e realizar as transferências em berços específicos, com apoio de equipes de atracação, operação e monitoramento.

Essa logística exige coordenação de janelas de chegada, manobras e conexões entre embarcações. Ter três transferências ao mesmo tempo significa operar frentes independentes no mesmo terminal. O tempo total de movimentação depende das condições operacionais e da quantidade de óleo em cada viagem, dados que não foram discriminados no anúncio das operações de 18 de outubro.

Dois berços recebem navios com capacidade de até 2 milhões de barris, e o terceiro atende Suezmax

O T-Oil tem três berços de atracação. Segundo o Porto do Açu, dois foram projetados para receber navios da classe VLCC, que podem transportar aproximadamente 2 milhões de barris por embarcação. O terceiro é destinado a navios da classe Suezmax, cuja capacidade nominal chega a aproximadamente 1 milhão de barris. Essa configuração explica a presença de dois VLCC e um Suezmax nas operações da Petrobras.

Os limites das classes de navios representam capacidade de transporte, e não a quantidade efetivamente carregada em 18 de outubro. O número de barris movimentados naquela jornada não foi informado nas notícias consultadas. A novidade documentada foi a simultaneidade das três operações destinadas à Petrobras, com petróleo de cinco campos e rotas internacionais distintas.

Reportagens sobre a operação informam que a licença do terminal permite movimentar até 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. Esse volume é um teto autorizado para a atividade portuária, não um registro de produção ou de transbordo ocorrido na data. A escala do empreendimento ajuda a dimensionar a infraestrutura necessária para a exportação de óleo cru brasileiro.

O terminal já fazia três transbordos simultâneos em 2020; desta vez, as cargas eram todas da Petrobras

Há uma distinção importante na história do Porto do Açu. Em agosto de 2020, a então Açu Petróleo, atual Vast, já havia registrado três transbordos simultâneos, com seis navios atracados e operações nos berços norte, central e sul. A infraestrutura, portanto, demonstrou essa capacidade anos antes da movimentação de outubro de 2026.

O marco anunciado agora se refere à execução simultânea de três operações dedicadas às cargas da Petrobras. É um avanço específico na relação entre a estatal e a Vast, e não a estreia absoluta da tecnologia de transbordo triplo no terminal. A parceria comercial entre as empresas começou em 2019 e se ampliou à medida que o escoamento de petróleo brasileiro ganhou escala.

Com a produção concentrada em plataformas e campos marítimos, a disponibilidade de berços, navios aliviadores e petroleiros de longo curso passa a ser tão estratégica quanto a capacidade de extração. Uma operação bem coordenada permite aproveitar a infraestrutura portuária e manter as cargas seguindo viagem, com menos conflitos de agenda entre embarcações.

Contrato fechado em julho reservou capacidade de uso no T-Oil por mais três anos

A relação comercial recebeu um reforço em 3 de julho de 2026, quando a Vast e a Petrobras assinaram um novo acordo para mais três anos de serviços de transbordo. A Vast informou a assinatura, destacando a continuidade da parceria iniciada sete anos antes.

Vista aérea real dos berços de atracação e dos petroleiros no terminal T-Oil do Porto do Açu, mostrando sua infraestrutura de transbordo
Vista aérea de arquivo do T-Oil, terminal efetivamente usado nas três operações da Petrobras. Crédito: Vast Infraestrutura/Divulgação. A imagem documenta a infraestrutura, não o acontecimento de 18 de outubro de 2026.

O modelo passou a incluir compromissos mínimos de utilização da infraestrutura, conhecido como take-or-pay. Nesse tipo de contrato, o cliente assume obrigação relacionada a uma quantidade ou capacidade mínima contratada, dando previsibilidade à prestadora do serviço e permitindo planejamento de espaço e disponibilidade. Os valores financeiros do acordo não foram divulgados.

Para a Petrobras, assegurar capacidade no terminal facilita a organização de viagens a partir das bacias produtoras. Para a Vast, uma programação previsível sustenta a atividade nos berços e a gestão dos equipamentos. A operação tripla de outubro mostra uma aplicação concreta dessa relação comercial em grande escala.

Porto do Açu escoou 220 milhões de barris para exportação em 2025 e virou peça central da logística do pré-sal

O tamanho do terminal aparece nos resultados consolidados do Porto do Açu. Em 2025, o T-Oil registrou 220 milhões de barris de petróleo bruto embarcados com destino ao exterior, segundo balanço divulgado pelo complexo portuário em abril de 2026. O porto, que também movimenta minério de ferro e outras cargas, encerrou aquele ano com 89 milhões de toneladas movimentadas no conjunto de seus terminais.

Nos dados de transbordo citados pela Vast e por reportagens especializadas, o T-Oil respondeu por aproximadamente 48% das exportações brasileiras de óleo cru realizadas a partir de terminais em 2025. Esse percentual se refere ao recorte de exportação por terminais utilizado na comparação; não significa que 48% de todo petróleo produzido no Brasil tenha saído pelo Porto do Açu.

A localização no Norte Fluminense aproxima o complexo das rotas marítimas utilizadas pelas operações das bacias de Campos e Santos. Em 29 de outubro, a Petrobras também divulgou que sua produção própria de petróleo, líquidos de gás natural e gás havia atingido uma média recorde de 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026. O avanço de 11,7% em um ano amplia a importância de uma rede eficiente para escoar a produção.

O dia 18 de outubro mostrou essa rede funcionando em escala: cinco navios aliviadores, três petroleiros exportadores, petróleo de cinco campos e destinos em dois continentes. O movimento fortalece o papel do Rio de Janeiro na cadeia logística de energia e revela uma parte pouco visível do negócio petrolífero brasileiro, muito além das plataformas no horizonte.

Você imaginava que um único terminal brasileiro pudesse organizar três operações simultâneas de exportação para a Petrobras? Conte nos comentários o que mais impressiona nessa logística e compartilhe a reportagem com quem acompanha a indústria de petróleo e gás.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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