Terminal ligado à Petrobras em Suape, Pernambuco, operou 101 navios em setembro de 2026, recorde próprio. Com capacidade para atender até 11 embarcações simultaneamente, a estrutura é estratégica para combustíveis e derivados.
Durante os 30 dias de setembro de 2026, 101 navios passaram pelas operações do terminal da Petrobras em Suape, Pernambuco. O movimento estabeleceu a maior marca mensal já registrada naquela instalação, segundo os resultados operacionais da companhia divulgados em 28 de outubro. A estrutura pode atender até 11 embarcações ao mesmo tempo, distribuídas entre seus pontos de operação em píeres e cais. A dimensão chama atenção em um lugar que recebe combustíveis, derivados e cargas indispensáveis à logística energética do Nordeste.
O recorde tem um detalhe decisivo: os 101 navios não ficaram atracados juntos. Eles foram operados ao longo de setembro, mês com 30 dias, e a capacidade para 11 embarcações simultâneas representa o limite informado para a infraestrutura, não a quantidade comprovadamente presente em determinado instante. O dado também não se refere a todos os navios do Porto de Suape, mas ao terminal ligado à Petrobras.
Um mês, 101 navios: como o terminal em Suape alcançou uma marca que nunca havia registrado
A Petrobras informou o resultado em seu balanço operacional de 28 de outubro, publicado com os indicadores do terceiro trimestre. A média matemática é de mais de três navios operados por dia, embora o ritmo real varie conforme chegada de embarcações, disponibilidade dos berços, volume de carga e duração das manobras.
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O comunicado atribui o desempenho à coordenação das operações, ao planejamento integrado e à disponibilidade dos equipamentos. Não foram divulgados, nesse recorte, os nomes de todas as 101 embarcações, o tempo médio de atracação ou a tonelagem movimentada especificamente pelo terminal em setembro. Esses dados não podem ser deduzidos apenas da contagem de navios.
O terminal integra a estrutura de logística de energia da Petrobras e da Transpetro, subsidiária responsável por operações de transporte e armazenamento. O fluxo de navios conecta a circulação de derivados de petróleo às instalações em terra, à distribuição e às rotas marítimas que atendem diferentes regiões brasileiras.
Capacidade para 11 embarcações simultâneas envolve píeres, cais e uma operação que não para no atracadouro
O número de 11 vagas simultâneas considera diferentes pontos de operação dentro do terminal, informou a Petrobras. A distribuição dessas posições permite que embarcações realizem operações distintas em períodos coincidentes, mas cada atracação depende de regras próprias de segurança, dimensões da embarcação e disponibilidade operacional.
Quando um navio-tanque se aproxima de um píer, ainda há trabalho antes de iniciar qualquer transferência. É preciso preparar a manobra, conferir conexões, compatibilidade do produto e condições para bombear a carga. Uma operação pode envolver descarregar combustível, receber produto para outra rota ou transferir a carga entre navios, conforme a estrutura utilizada.
A Transpetro descreve o terminal de Suape como um ponto de carga e descarga de navios-tanque, armazenamento de derivados e álcool, atendimento a caminhões e vagões-tanque, transferências para distribuidoras, transbordo marítimo e abastecimento de embarcações. O trabalho envolve mar e terra, com diferentes produtos e etapas dentro da mesma cadeia logística.

O Porto de Suape mantém ainda um painel público de movimentação diária, que identifica navios fundeados, esperados e desatracados, além dos berços e tipos de mercadoria. O painel mostra a variedade de operações no complexo, mas não deve ser usado como se fosse uma lista fechada dos 101 navios que integraram o recorde mensal anunciado pela Petrobras.
Por trás dos petroleiros, 10 tanques e cinco esferas armazenam combustíveis e gás de cozinha
A estrutura em terra ajuda a entender por que a movimentação marítima de Suape importa ao abastecimento. A Transpetro informa que o terminal dispõe de dez tanques destinados a derivados, álcool e biodiesel, com capacidade nominal conjunta de 104.864 metros cúbicos. Também mantém cinco esferas de armazenamento de gás liquefeito de petróleo (GLP), com capacidade nominal total de 15.940 metros cúbicos.
Esses números descrevem a capacidade física de armazenamento do terminal, e não a quantidade efetivamente estocada nos dias do recorde. Produtos recebidos pelo mar podem seguir por sistemas de transferência e distribuição, enquanto outros são preparados para embarque. Na rotina da instalação, a chegada do navio é apenas uma parte de um circuito de movimentação mais amplo.
O GLP é conhecido dos consumidores pelo uso em botijões de cozinha. Já os derivados líquidos atendem transportes, indústria e outras atividades. A existência de uma rede logística com espaço para receber e movimentar essas cargas contribui para o abastecimento, embora o recorde de navios não demonstre, por si só, queda nos preços da gasolina, do diesel ou do gás de cozinha.
Suape também teve 2,7 milhões de toneladas em agosto, mas esse é outro recorde e não deve ser confundido
Um mês antes do feito anunciado pela Petrobras, a administração do Porto de Suape como um todo havia registrado outra marca: 2.726.020 toneladas de mercadorias movimentadas em agosto de 2026, o maior volume mensal da história do complexo portuário. O resultado foi divulgado em 23 de setembro pela autoridade portuária e abrange diferentes operadores e tipos de carga, não somente as instalações da Petrobras.
Do total de agosto, 1.976.745 toneladas eram granéis líquidos, equivalentes a 72,5% da movimentação de todo o porto. O conjunto inclui petróleo e derivados, além de outros líquidos. A administração de Suape atribuiu parte desse desempenho à maior atividade de refino no complexo.
Entre janeiro e agosto, o porto havia registrado 18,8 milhões de toneladas movimentadas e 1.103 atracações, de acordo com a mesma divulgação. Essas atracações se referem ao porto inteiro e a oito meses de atividade; portanto, não são comparáveis diretamente aos 101 navios operados em setembro no terminal da Petrobras.
Os dois indicadores, observados em períodos e estruturas diferentes, revelam uma pressão crescente sobre a logística marítima na região. Um mede quantas embarcações passaram por determinada operação; o outro quantifica mercadorias em toneladas. Saber exatamente o que cada número representa evita atribuir ao terminal um resultado que foi registrado pelo complexo inteiro.
A Refinaria Abreu e Lima e o abastecimento de navios ajudam a explicar o peso energético de Pernambuco
Suape está ligado a uma cadeia que inclui a Refinaria Abreu e Lima (RNEST), instalada no complexo industrial. Segundo a autoridade portuária, a refinaria tinha programação para processar até 130 mil barris de petróleo por dia no período abrangido pelo balanço de agosto de 2026. O aumento de derivados e outras cargas líquidas reforçou a movimentação observada no porto.
Na divulgação do terceiro trimestre, a Petrobras destacou ainda o início do fornecimento de combustível marítimo, conhecido como bunker, por via aquaviária no Complexo de Suape. O serviço abastece embarcações e amplia as opções logísticas para a navegação na região. A companhia também informou recorde de produção de diesel no parque nacional de refino: média de 769 mil barris por dia no trimestre, um dado nacional que não deve ser atribuído isoladamente à RNEST.

É importante separar o movimento de um terminal da cadeia econômica mais ampla. Nem todo navio que aparece nos registros portuários transporta petróleo bruto; há cargas de combustíveis acabados, gás, produtos químicos e outras mercadorias. O terminal da Transpetro opera principalmente derivados e atividades de transferência, enquanto outros terminais do complexo têm perfis próprios de carga.
O transporte por cabotagem, que liga portos do mesmo país, é uma das rotas capazes de levar combustíveis entre regiões, complementando o transporte rodoviário e os dutos. Um porto bem conectado facilita a circulação de produtos entre refinarias, distribuidores e mercados consumidores, sem eliminar a necessidade de investimentos, manutenção e planejamento operacional.
Por que o recorde de Suape importa para quem está longe do porto?
Quando o fluxo de navios cresce, passam a ganhar importância a disponibilidade de píeres, a manutenção dos sistemas de bombeamento, a segurança das manobras e a comunicação entre operadores. O resultado de setembro mostra que a infraestrutura ligada à Petrobras atendeu mais embarcações num único mês do que em qualquer outro período de sua série histórica divulgada.
O dado não permite concluir que houve 101 viagens internacionais, 101 petroleiros diferentes ou que os 11 pontos de atendimento ficaram ocupados ao mesmo tempo. A informação oficial confirma 101 navios operados em setembro e capacidade para até 11 embarcações simultâneas. Para compreender os efeitos no abastecimento, seria necessário acompanhar volumes transferidos, tempos de atendimento e resultados posteriores.
O que já se vê é uma peça importante da infraestrutura brasileira funcionando em ritmo elevado, num complexo onde a movimentação de combustíveis convive com refinaria, terminais marítimos, transportadoras e distribuidoras. Você imaginava que uma única instalação em Pernambuco pudesse operar mais de cem navios em apenas um mês? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe esta reportagem.
