Transatlântico de luxo atravessa rotas internacionais e escolhe a Amazônia como porta de entrada no Brasil, em uma passagem marcada por destinos históricos, recepção cultural e uma sequência incomum de escalas nacionais integrada a uma extensa viagem ao redor do mundo.
Um transatlântico de luxo que deixou Miami para dar a volta ao mundo entrou no Brasil pela Amazônia depois de passar pela Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, e levou 1.103 passageiros ao terminal hidroviário e turístico de Icoaraci, em Belém.
A escala marcou a primeira visita do Vista ao país e abriu uma sequência de nove destinos brasileiros, distribuídos entre quatro regiões, dentro de um roteiro internacional planejado para durar 180 dias.
Ao fundear diante do distrito de Icoaraci por volta das 7h, em 15 de janeiro de 2026, o navio iniciou uma operação concentrada de desembarque, recepção e deslocamento turístico, organizada para aproveitar poucas horas antes da retomada da viagem.
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Segundo a Secretaria de Estado de Turismo do Pará, a maioria dos passageiros era norte-americana e foi recebida com apresentação de carimbó, orientação trilíngue e apoio para circular por atrações históricas, religiosas, culturais e paisagísticas da capital paraense.
Vista entrou no Brasil pela Amazônia
Antes de alcançar o território brasileiro, o Vista havia partido de Miami em 6 de janeiro e seguido por escalas no Caribe, incorporando diferentes portos ao trecho inicial de uma viagem planejada para cruzar vários continentes durante aproximadamente seis meses.
Já na etapa imediatamente anterior à chegada a Belém, a embarcação passou pela Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, e então avançou pela rota amazônica até o primeiro destino nacional previsto em seu extenso itinerário internacional.
Essa combinação entre um nome cercado de curiosidade, uma travessia iniciada nos Estados Unidos e a estreia de um grande navio no Brasil transformou a parada paraense em um dos momentos mais singulares de toda a programação.

Em vez de funcionar apenas como escala intermediária, Belém tornou-se a porta de entrada do Vista em águas brasileiras, abrindo uma passagem pelo litoral que reuniria cidades com estruturas portuárias, paisagens urbanas e circuitos turísticos bastante distintos.
Reservada a uma passagem extensa pelo país, a programação oficial incluía outros oito destinos depois de Belém: Fortaleza, Salvador, Búzios, Rio de Janeiro, Ilha Grande, Santos, Porto Belo e Rio Grande, distribuídos entre o Nordeste, o Sudeste e o Sul.
Ao percorrer essa sequência, o transatlântico conectaria quatro regiões brasileiras sem alterar o grupo principal de viajantes, que permaneceria instalado a bordo e usaria a mesma cabine como referência durante todo o trecho nacional da viagem.
Passageiros tiveram nove horas para conhecer Belém
Com saída prevista para as 16h, a escala em Belém ofereceu aproximadamente nove horas entre o fundeio e a retomada da navegação, período usado para organizar os visitantes em grupos e encaminhá-los a passeios guiados pela cidade.
Entre os pontos incluídos estavam a Basílica Santuário de Nazaré, o mercado do Ver-o-Peso, o Forte do Castelo, o Museu de Arte Sacra, o Mangal das Garças e o Espaço São José Liberto, além de passeios fluviais.
Para facilitar a circulação durante uma permanência relativamente curta, a recepção distribuiu um mapa turístico de bolso em três idiomas, reunindo 32 equipamentos turísticos de Belém e códigos de acesso digital destinados a informações complementares sobre os locais visitados.
Diferentemente das operações realizadas por cruzeiros que utilizam determinado porto como base de embarque e desembarque, a passagem do Vista manteve todos os viajantes vinculados ao roteiro internacional, com retorno obrigatório à embarcação antes da partida.
Rota do transatlântico percorreu nove destinos brasileiros
Na continuação da viagem, Fortaleza aparecia como o próximo destino nacional, seguida por Salvador, antes de o navio avançar para Búzios e Rio de Janeiro, onde a programação previa uma permanência maior antes das escalas seguintes.
Depois da capital fluminense, o itinerário prosseguiria para Ilha Grande, Santos, Porto Belo e Rio Grande, completando nove paradas brasileiras e alternando grandes centros urbanos com pontos onde o desembarque dos passageiros exige procedimentos operacionais específicos.
Embora a passagem pelo Brasil ocupasse uma parte relevante da rota, ela representava apenas o início da etapa sul-americana da viagem mundial, que ainda incluiria destinos no Uruguai e na Argentina antes de avançar em direção ao Pacífico.
Na sequência internacional, o roteiro alcançaria regiões da Oceania, da Ásia, do Oriente Médio e da Europa, enquanto o planejamento previa o retorno aos Estados Unidos no início de julho para encerrar o ciclo iniciado em Miami.
Viagem mundial do Vista durou 180 dias
Durante os 180 dias de navegação, a embarcação funcionaria simultaneamente como meio de transporte, hospedagem e base logística, permitindo que os viajantes atravessassem sucessivas fronteiras sem trocar de cabine a cada país incorporado ao itinerário mundial.
Ao entrar no Brasil por Icoaraci, o Vista colocou Belém em uma posição pouco comum dentro de uma rota de circunavegação, normalmente associada a escalas mais tradicionais, e apresentou aos passageiros um primeiro contato diretamente ligado à paisagem amazônica.
Concentrada entre a manhã e a tarde, a recepção dos 1.103 viajantes reuniu apresentação cultural, mapas trilíngues, deslocamentos organizados e passeios guiados, enquanto a operação marítima mantinha o transatlântico preparado para partir ainda no mesmo dia.
Depois de deixar a Amazônia, o Vista ainda teria pela frente oito escalas brasileiras e grande parte de sua rota mundial, mas foi em Icoaraci que a primeira passagem da embarcação pelo país efetivamente começou.
Quantas cidades brasileiras poderiam integrar viagens internacionais desse porte caso dispusessem de estrutura portuária, serviços turísticos e operações de transporte capazes de receber mais de mil passageiros estrangeiros durante escalas com apenas algumas horas de duração?

