A Toyota voltou a fundir peças em Porto Feliz, no interior de São Paulo, nesta terça-feira (22), exatamente um ano depois do vendaval que destruiu a fábrica de motores. O reinício devolve uma etapa industrial ao terreno atingido, enquanto a reconstrução avança ao redor da área reativada.
A recuperação passou pelo resgate de 622 máquinas, segundo o diretor industrial Gilberto Paulino, em relato ao UOL. Mas o retorno ocorre por partes: a fundição reabriu, a montagem do motor 1.5 continua em instalações provisórias e os motores 2.0 ainda chegam do exterior.
Essa divisão explica por que a retomada importa para os carros produzidos no país, mas ainda não encerra a obra. Yaris Cross, Corolla e Corolla Cross dependem de caminhos diferentes para receber seus motores durante a transição.
Uma fábrica funciona enquanto a outra é reconstruída
A operação temporária fica a 11 quilômetros da unidade original. Segundo o UOL, ela começou a trabalhar em 26 de janeiro, com 373 colaboradores, e já havia produzido 42 mil motores na ocasião da visita da reportagem, publicada em 22 de setembro.
-
Compras internacionais sobem 67% após fim da taxa das blusinhas e ABVTEX alerta para novas fábricas no Paraguai, onde Lupo investiu R$ 30 milhões e custos podem cair até 30%
-
Neodent inaugura fábrica de até R$ 2 bilhões em Curitiba, amplia complexo para 80 mil m² e mira 15 milhões de implantes por ano com potencial de 2 mil empregos até 2031
-
Brasil pode perder parte da produção de grife nacional para a Colômbia após tarifas dos EUA apertarem as exportações
-
Fabricante brasileira leva investimento de US$ 25 milhões, equivalente a R$ 128 milhões, aos EUA, abre primeira fábrica no país e prevê 160 empregos na Carolina do Norte
O local concentra a fabricação do 1.5 do Yaris Cross. A fundição agora retomada reduz a dependência de peças produzidas fora do Brasil, mas usinagem e montagem permanecem no condomínio industrial, conforme a cobertura da CNN Brasil.
São etapas distintas. A fundição dá forma às peças de metal; a usinagem realiza o acabamento de precisão; a montagem reúne os componentes no motor. Reativar os fornos, portanto, não equivale a reunir toda a produção novamente sob o mesmo teto.

O vídeo da Autoesporte, publicado em 22 de setembro, acompanha a reabertura da unidade e mostra a retomada industrial em Porto Feliz.
A previsão para 2028 começa pelos motores do Corolla
O próximo marco anunciado é o retorno da fabricação dos motores 2.0 à planta original, previsto para o início de 2028. Esses propulsores, usados no Corolla e no Corolla Cross, seguem importados durante a reconstrução.
Em entrevista à AutoData, Paulino explicou a sequência: primeiro, a empresa pretende reinstalar a linha 2.0. A transferência do 1.5 será estudada depois. A operação provisória permite manter esse motor em produção durante a mudança.

Do telhado derrubado à nova estrutura
As imagens divulgadas pela fabricante mostram partes da cobertura caída sobre a área industrial em 2025. Na reconstrução, as antigas pilastras de concreto deram lugar a estruturas metálicas que, segundo a Toyota informou à AutoData, são 45% mais resistentes.
O terreno foi reorganizado para receber a nova instalação. A comparação entre a fotografia dos danos e o registro aéreo de setembro mostra o alcance da intervenção: a recuperação envolve a edificação e a distribuição dos espaços de produção.
O custo faz parte do programa de R$ 11,5 bilhões anunciado pela Toyota para o Brasil até 2030, de acordo com a CNN. Esse valor corresponde ao plano nacional de investimentos da companhia, e não a uma conta exclusiva da fábrica de Porto Feliz.

A interrupção atingiu também quem montava os carros
O problema ultrapassou os limites de Porto Feliz. Em comunicado de 25 de setembro de 2025, a própria Toyota informou que buscava motores em unidades de outros países para permitir a retomada da produção de veículos em Sorocaba e Indaiatuba.
Naquele momento, a empresa estimava que a recuperação da fábrica de motores levaria meses. Também iniciou negociações com os sindicatos para preservar os empregos das três unidades afetadas pela interrupção.
O plano emergencial aprovado em 29 de setembro de 2025 previa férias para equipes da produção entre 1º e 20 de outubro, além da possibilidade de suspensão temporária dos contratos na sequência. As medidas faziam parte da resposta à falta de motores.
Agora, a fabricante informa que os postos foram preservados durante as obras. A CNN registra a previsão de retorno de cerca de 150 colaboradores à área reativada até o fim de 2026.

