O feijão carioca pode chegar a R$ 12 o quilo em algumas regiões em fevereiro de 2027, segundo o Ibrafe. Para os próximos meses, porém, a Conab prevê mais oferta com a terceira safra.
A preocupação do Ibrafe é com o intervalo entre os estoques disponíveis e a próxima colheita. Na avaliação apresentada à CNN Brasil em 21 de setembro, a menor disposição para plantar ameaça a oferta, mesmo com preços mais atraentes para quem vende no campo.
A projeção tem limites claros: trata do carioca, de determinados mercados e de um período futuro. Não é um preço já cobrado em todo o país nem uma alta garantida.
Um dia depois, o presidente da Conab, Silvio Porto, apresentou outra perspectiva para os meses mais próximos: a terceira safra deve acrescentar mais de 700 mil toneladas ao mercado. A informação foi divulgada em entrevista noticiada pela CNN.
-
Grupo brasileiro Xingu Foods desembarca no Paraguai para operar planta do Frigorífico Concepción, mira abate de 15 mil cabeças por mês e replica modelo usado no Uruguai
-
Brasil mira 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes do Marrocos para cobrir até 76% do déficit projetado de fosfatados na safra 2026/27, mas compras ainda dependem de negociação
-
Brasil pode ganhar espaço para exportar cerca de 80 mil toneladas adicionais de carne à China após acordo anunciado com o Uruguai
-
Colheita do milho safrinha chega a 98,7% da área no Brasil, enquanto soja 2026/27 começa a ser plantada e milho verão avança acima da média dos últimos cinco anos, aponta a Conab

Por que o preço maior não garante mais plantio
Na estimativa do Ibrafe, a primeira safra paranaense pode ocupar 90 mil hectares, contra 104 mil no ciclo anterior. A diferença corresponde a 14 mil hectares, ou cerca de 13,5%, em cálculo feito a partir desses números.
Marcelo Lüders, presidente da entidade, relaciona a escolha pela soja à maior facilidade de vender a produção e à previsibilidade do negócio. Na comparação do produtor, o valor recebido pelo feijão precisa compensar também os riscos de clima e comercialização.

A reportagem em vídeo abaixo apresenta a avaliação da entidade. O conteúdo está incorporado da publicação original da CNN Brasil Money.
A produção nacional caiu, mesmo com maior produtividade
O levantamento de setembro da Conab estima 2,95 milhões de toneladas de feijão na safra 2025/26, queda de 3,6% sobre a temporada anterior. A área diminuiu 5,7%, enquanto o rendimento médio avançou 2,2%, para 1.161 quilos por hectare.
Esses números ajudam a separar duas variáveis: colher mais em cada hectare e reservar mais terra à cultura. Na safra estimada pela companhia, o ganho de produtividade não foi suficiente para compensar a redução da área.
A Conab estima o consumo interno em 2,7 milhões de toneladas. O total nacional reúne o produto de diferentes safras e tipos de feijão. Por isso, a comparação entre produção e consumo, sozinha, não informa quanto o carioca custará numa cidade específica.
A terceira safra e as chuvas podem mudar a trajetória
Na avaliação de Porto divulgada em 22 de setembro, preços mais remuneradores podem incentivar a produção. Ele também apontou o excesso de chuvas no Sul como fator a acompanhar, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul.
Há diferença entre a oferta que chega agora e a produção do próximo ciclo. Nas perspectivas para 2026/27 divulgadas pela Conab, a produção de feijão é projetada perto de 3 milhões de toneladas, com área próxima da estabilidade e menor produtividade esperada.
Assim, o recuo projetado para a primeira safra de um estado não deve ser aplicado ao total brasileiro. O dado paranaense do Ibrafe e a projeção nacional da Conab medem recortes diferentes.
O que o alerta representa no carrinho do supermercado
Numa compra hipotética de quatro quilos, cada R$ 1 de aumento no preço unitário acrescentaria R$ 4 à despesa. Se o valor atingisse R$ 12, esses quatro quilos custariam R$ 48. A conta ilustra o impacto, sem pressupor o consumo de toda família.
O que merece acompanhamento até o início de 2027 é a confirmação da área plantada, o rendimento das lavouras e a chegada do produto ao mercado. São essas condições que podem aproximar ou afastar o preço do patamar apontado no alerta.

