Após sete anos de obra parada no deserto, a Torre de Jeddah voltou à ativa, retomou em ritmo acelerado e agora soma dezenas de andares, com potencial de se tornar o prédio mais alto do mundo e mudar para sempre o jogo da construção civil.
Durante anos, essa torre foi tratada quase como um fantasma da engenharia: canteiro vazio, estrutura parada, centenas de milhões de dólares imobilizados na areia e a sensação de que o sonho tinha morrido ali. Só que, silenciosamente, isso começou a mudar. No fim de 2025, a Torre de Jeddah ultrapassou a marca dos 80 andares concluídos e, o que mais chamou atenção, entrou em um ritmo em que um novo andar é construído a cada três dias, colocando de novo no horizonte a meta de chegar a 1.000 metros de altura e disputar o título de prédio mais alto do mundo.
Ao mesmo tempo, essa retomada não é apenas uma boa notícia em termos de velocidade. Ela exige resolver desafios de concreto, aço, vento, fundações e logística em uma escala que a construção civil quase nunca viu. Depois de sete anos de paralisação, voltar a erguer uma megaestrutura dessa magnitude levanta uma pergunta inevitável: estamos diante de um retorno histórico ou da preparação para outro colapso em câmera lenta?
A cidade bilionária construída em torno do futuro prédio mais alto do mundo

A Torre de Jeddah nunca foi pensada como um arranha-céu isolado jogado no meio do deserto. Ela é a peça central de um projeto urbano de cerca de 20 bilhões de dólares chamado Jeddah Economic City, planejado ao longo da costa do Mar Vermelho, com bairros comerciais, residenciais de luxo e atrações turísticas.
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Esse novo distrito foi desenhado para ocupar milhões de metros quadrados e funcionar como um centro urbano alternativo, capaz de atrair investidores internacionais, diversificar a economia e aliviar a pressão sobre o centro tradicional da cidade.
Construir ali o prédio mais alto do mundo não é só vaidade: é uma forma de cravar no mapa que a região quer ser protagonista em inovação, turismo de alto padrão e comércio internacional.
Jeddah foi escolhida justamente por esse papel estratégico. Localizada na costa do Mar Vermelho, é ao mesmo tempo porta de entrada para Meca e um porto que conecta África, Ásia e Europa. Erguer a torre mais alta da Terra nesse ponto é uma mensagem política e econômica muito clara.
Como surgiu a ideia de furar a barreira de 1.000 metros
A ideia da torre começou a ganhar corpo por volta de 2008, quando a Arábia Saudita buscava um ícone arquitetônico de classe mundial. Não bastava construir alto. Era preciso ir além de tudo o que já tinha sido feito.
Os arquitetos Adrian Smith e Gordon Gill, de um escritório em Chicago responsável por outros gigantes da engenharia, assumiram a missão de desenhar a torre para superar com folga os arranha-céus existentes.
O plano: criar uma estrutura que não apenas disputasse o título de prédio mais alto do mundo, mas ultrapassasse a barreira simbólica de 1 km de altura.
Desde o início, estava claro que essa não seria apenas uma obra de arquitetura. Era um problema de engenharia em território pouco explorado, onde cada metro a mais de altura multiplica as forças envolvidas, o peso total, o impacto do vento e as exigências de fundação.
Concreto, aço e o desafio físico de erguer um quilômetro de torre
Reiniciar uma megaestrutura após anos parada é difícil em qualquer escala. Fazer isso tentando construir o futuro prédio mais alto do mundo é quase um pesadelo técnico. O primeiro obstáculo está no material básico: o concreto.
Cada metro cúbico de concreto usado na base dessa torre precisa suportar pressões que esmagariam construções comuns.
Mais da metade do trabalho em concreto já foi concluída, com centenas de milhares de metros cúbicos despejados, o suficiente para levar a estrutura a mais de 300 metros de altura.
Mas à medida que a torre cresce, bombeamento de concreto se torna um quebra-cabeça logístico. As bombas mais avançadas operam com pressões altíssimas e, mesmo assim, têm limites práticos em torno de algumas centenas de metros.
Acima disso, transportar o material passa a depender de guindastes e baldes suspensos, o que é mais lento, mais caro e mais arriscado.
Para não ficar refém desses limites, os engenheiros tomaram uma decisão radical: nas partes mais altas, o concreto dá lugar ao aço.
Por que o topo do futuro prédio mais alto do mundo é de aço
A solução adotada na Torre de Jeddah segue o que outros superarranha-céus já fizeram: usar concreto nas partes mais baixas e migrar para uma estrutura de aço nos níveis superiores.
Isso elimina o gargalo do bombeamento em alturas extremas, acelera a montagem dos andares mais altos e reduz o peso próprio da estrutura.
O topo da torre, em forma de espiral, foi pensado para se estender centenas de metros acima da parte ocupada, funcionando principalmente como suporte técnico e símbolo visual.
Essa “agulha” superior não é um espaço cheio de escritórios ou apartamentos. Ela abriga equipamentos, sistemas e componentes que ajudam a torre a ultrapassar o limite de 1.000 metros e, ao mesmo tempo, reivindicar o título de prédio mais alto do mundo com uma silhueta inconfundível no horizonte.
Para isso, será necessário usar dezenas de milhares de toneladas de aço estruturado, montado em um ritmo que precisa acompanhar a velocidade dos andares de concreto sem criar gargalos.
Vento extremo e o balanço controlado de uma estrutura de 1 km

Quanto mais alto se vai, mais o vento deixa de ser detalhe e passa a ser protagonista. Em alturas superiores a 500 metros, as forças horizontais aumentam de forma brutal em comparação a edifícios comuns. Em 1.000 metros, essa diferença fica ainda mais dramática.
Simulações em túnel de vento e testes com o núcleo estrutural mostram que, em rajadas fortes, o topo da torre pode balançar até alguns metros, enquanto andares altos podem sentir movimentos perceptíveis, embora controlados. Esses números podem parecer assustadores, mas esse tipo de flexibilidade é parte do projeto.
Uma estrutura desse porte não “vence” o vento na base da força bruta. Ela aprende a conviver com ele. A forma da torre, frequentemente descrita como um volume de três pétalas na base, foi pensada para quebrar vórtices de vento antes que se formem e reduzam o conforto ou a segurança. A ideia é que o prédio se deforme ligeiramente, absorva a energia e volte à posição, sem danos.
Nessa escala, o balanço controlado deixa de ser um defeito e passa a ser um indicador de que a engenharia está funcionando como deveria.
Fundações profundas para segurar um gigante na areia
Se o topo precisa ser leve e flexível, a base do futuro prédio mais alto do mundo precisa ser praticamente inabalável. E o terreno escolhido não facilita em nada.
A torre está sendo erguida sobre solo costeiro, composto principalmente de areia e camadas de calcário que comprimem e se movimentam sob grandes cargas. Em vez de encontrar rocha firme logo abaixo da superfície, os engenheiros tiveram de buscar profundidade.
Foram instaladas centenas de estacas maciças cravadas até mais de 100 metros no subsolo em alguns pontos, conectadas por uma laje de concreto armado com vários metros de espessura. É como amarrar uma montanha artificial a camadas geológicas mais estáveis, longe da zona mais frágil.
Além disso, a proximidade com o mar traz outro inimigo: a corrosão causada pela água salgada. Para lidar com isso, o projeto usa concreto de alto desempenho e armaduras de aço especial, desenhados para resistir a décadas de salinidade, calor intenso e umidade. Sensores enterrados monitoram o comportamento do solo e da estrutura.
Nada disso é projetado para durar apenas alguns anos. A ambição é que esse conjunto sustente o prédio por décadas, mesmo em um ambiente agressivo.
Sete anos de obra parada e a volta do prédio “impossível”
A história recente da Torre de Jeddah não é só de avanços. Em 2018, a construção foi interrompida depois de a torre já ter saído bem do chão. Problemas financeiros, tensões internas e um contexto político turbulento praticamente congelaram o projeto.
Por anos, a estrutura inacabada virou símbolo de um sonho grande demais, caro demais e talvez impossível de terminar. Muita gente cravou que aquele candidato a prédio mais alto do mundo jamais seria concluído.
Tudo começou a mudar no fim de 2024, quando o projeto foi oficialmente relançado com novo arranjo contratual, apoio financeiro reforçado e sinal verde político para seguir em frente.
Quando as equipes voltaram ao canteiro no início de 2025, não encontraram um terreno vazio, e sim uma torre de centenas de metros que havia passado anos exposta ao calor, à umidade, aos ventos e ao clima salgado do litoral.
Antes de erguer qualquer novo andar, foi preciso fazer auditorias cuidadosas no concreto existente, nos reforços de aço e nas fundações. Somente depois de comprovar que a estrutura antiga continuava segura é que a obra pôde ser retomada em grande escala. A partir daí, o avanço foi rápido.
Coordenação milimétrica para manter o ritmo de um andar a cada três dias
Hoje, a Torre de Jeddah volta a ser um canteiro credível, observado pelo mundo inteiro. Mas construir o possível prédio mais alto do mundo não é só empilhar andares. É, principalmente, um problema de logística e coordenação diária.
Com um ritmo de um andar novo a cada três dias, qualquer falha de sincronização entre equipes, materiais, equipamentos e testes pode se transformar em atraso, aumento de custos e risco para a imagem do projeto.
A gestão da obra depende de ferramentas avançadas de planejamento digital, modelos tridimensionais, simulações logísticas e monitoramento em tempo real.
O objetivo é identificar gargalos antes que eles apareçam no canteiro. Nesta escala, sucesso não depende de uma única grande ideia, e sim de uma sequência de decisões corretas, repetidas dia após dia.
Elevadores, cidade vertical e o deck de observação nas alturas
Erguer uma torre de 1 km é apenas metade da história. A outra metade é fazê-la funcionar como um lugar habitável. A vida cotidiana dentro do prédio depende de algo simples e ao mesmo tempo complexo: elevadores.
No total, dezenas de elevadores serão instalados, incluindo modelos de dois andares, capazes de transportar dois grupos de passageiros ao mesmo tempo. Ninguém entra em um elevador no térreo e sobe direto até o topo.
A torre é organizada em zonas, com grandes lobbies de transferência intermediários. A pessoa pega um elevador expresso até um nível, troca para outro que atende determinada faixa de andares e assim por diante.
Essa estratégia reduz o tamanho necessário dos cabos e melhora a eficiência. A tecnologia de cabos mais leves, com materiais como fibra de carbono, ajuda a diminuir o peso e o consumo de energia dos sistemas.
Em termos de velocidade, os elevadores foram pensados para serem rápidos, mas sem tornar as viagens desconfortáveis em trajetos tão longos.
Quando estiver concluída, a torre deve abrigar escritórios, mais de centenas de apartamentos de luxo, hotel cinco estrelas, restaurantes, áreas de lazer, spa, piscinas e uma série de comodidades típicas de uma “cidade vertical”.
O destaque mais chamativo, porém, deve ser um deck de observação situado a centenas de metros do solo, projetado para ser um dos mais altos do planeta.
De lá, será possível enxergar o Mar Vermelho, o deserto ao redor e toda a expansão urbana de Jeddah se estendendo até o horizonte.
2028 e além: o que está em jogo na corrida pelo prédio mais alto do mundo
Se o cronograma atual for mantido, a Torre de Jeddah deve ser concluída por volta de 2028, ultrapassando a altura de outros gigantes e assumindo o posto de prédio mais alto do mundo, com uma folga significativa em relação aos arranha-céus existentes.
Além de registrar um recorde, a torre carrega um peso simbólico importante. Ela materializa uma visão de futuro em que o país tenta se reposicionar além do petróleo, apostando em turismo, serviços e megaempreendimentos.
Ao mesmo tempo, a corrida vertical não deve parar nela. Já se fala em projetos ainda mais altos em outras cidades, com propostas que chegam a imaginar estruturas próximas de 2 km. Por enquanto, porém, todas as atenções estão voltadas para o que acontece à beira do Mar Vermelho.
Lá, um projeto que por pouco não virou ruína permanente agora sobe em velocidade impressionante, andar após andar, testando os limites da engenharia e da paciência de quem acompanha cada atualização.
E você, acredita que a Torre de Jeddah vai mesmo ser concluída no prazo e segurar por muitos anos o título de prédio mais alto do mundo ou acha que outro projeto ainda vai roubar essa coroa?


Os descendentes de Ninrod construtor da torre de Babel ainda estão aquo na terra desafiando a ordem do Criador de encher a terra e nos espalhar, mas desafiam a Deus querendo tocar no firmamênto, e gastando tanto dinheiro à toa
Quanto desperdício de tempo e dinheiro
E vidas humanas que com certeza numa obra **** dessa morre muito trabalhador