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Sydney está erguendo o maior arranha-céu de madeira do mundo — são 40 andares de timber híbrido que sequestram carbono em vez de emitir, e a torre deve ficar pronta ainda em 2026

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 27/04/2026 às 06:30
Atualizado em 27/04/2026 às 06:34
Arranha-céu de madeira Atlassian Central em Sydney com 40 andares e jardins verticais
O Atlassian Central terá 40 andares de timber híbrido — o arranha-céu de madeira mais alto do mundo
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Sydney está erguendo o maior arranha-céu de madeira do mundo — são 40 andares de timber híbrido que sequestram carbono em vez de emitir, e o edifício é projetado para mudar a forma como o mundo constrói prédios altos

A cidade de Sydney, na Austrália, está construindo o arranha-céu de madeira mais alto do mundo. Segundo o ArchDaily, o Atlassian Central terá 40 andares e 180 metros de altura, usando uma estrutura híbrida de madeira engenheirada combinada com aço e concreto.

Além disso, o arranha-céu de madeira deve ficar pronto ainda em 2026 e foi projetado pelos escritórios SHoP Architects, de Nova York, e BVN, de Sydney.

Portanto, enquanto a maioria dos arranha-céus do mundo emite centenas de toneladas de CO₂ durante a construção, o Atlassian Central vai sequestrar carbono na própria estrutura — porque madeira armazena CO₂ em vez de emitir.

Consequentemente, o projeto pode redefinir a engenharia de edifícios altos para o século XXI.

Como um arranha-céu de madeira se mantém de pé — e por que não pega fogo

Interior de edifício com vigas de madeira engenheirada mass timber
O mass timber é mais resistente ao fogo e mais forte por peso do que o aço convencional

Conforme especialistas em construção sustentável, o Atlassian Central não usa madeira comum. De fato, a estrutura utiliza mass timber — madeira engenheirada composta por camadas coladas e prensadas que são mais resistentes ao fogo e mais fortes por peso do que o aço.

Na prática, vigas de mass timber carbonizam por fora quando expostas ao fogo, mas mantêm a integridade estrutural por dentro — semelhante ao modo como uma tora grossa queima lentamente enquanto um galho fino pega fogo instantaneamente.

Além do mais, testes de laboratório mostraram que elementos de mass timber podem resistir a incêndios por mais de duas horas sem colapso estrutural — superando os requisitos de segurança para edifícios altos na Austrália.

Dessa forma, o arranha-céu de madeira combina a leveza e sustentabilidade da madeira com a resistência e durabilidade do aço e concreto nos pontos críticos da estrutura.

Cada metro cúbico de madeira no prédio armazena 1 tonelada de CO₂

Operários instalando vigas de madeira engenheirada em canteiro de obras
Cada metro cúbico de madeira no prédio armazena 1 tonelada de CO₂ absorvido pela árvore

Segundo dados do World Green Building Council, a indústria da construção é responsável por 39% das emissões globais de CO₂. Nesse sentido, substituir concreto e aço por madeira em edifícios altos pode ter impacto significativo na redução de emissões.

Sobretudo porque cada metro cúbico de madeira utilizada na construção armazena aproximadamente 1 tonelada de CO₂ que a árvore absorveu durante seu crescimento. Em outras palavras, o prédio funciona como um sumidouro de carbono permanente.

Para ter uma ideia, um edifício convencional de 40 andares em concreto e aço emite entre 15 mil e 20 mil toneladas de CO₂ durante a construção. O Atlassian Central, ao usar mass timber, reduz essa pegada em até 50%.

Igualmente importante é o fato de que a madeira engenheirada é produzida a partir de florestas plantadas e manejadas de forma sustentável — não de desmatamento.

Sydney quer provar que o futuro da construção é de madeira — não de concreto

Skyline de Sydney com arranha-céu de madeira se destacando
O Atlassian Central faz parte do Tech Central de Sydney — um polo de inovação sustentável

De acordo com autoridades de planejamento urbano de Sydney, o Atlassian Central é parte de uma estratégia maior para transformar o bairro de Tech Central — onde o prédio está sendo erguido — em um polo de inovação sustentável.

Além disso, o design do arranha-céu de madeira inclui fachadas com jardins verticais, sistemas de captação de água da chuva e painéis solares integrados que devem gerar parte da energia consumida pelo edifício.

Da mesma forma, o interior foi projetado com espaços abertos, ventilação natural cruzada e iluminação que aproveita ao máximo a luz do dia — reduzindo o consumo de ar-condicionado e eletricidade.

No entanto, críticos apontam que o custo da madeira engenheirada ainda é significativamente maior que o do concreto convencional. Por outro lado, defensores argumentam que o custo cairá à medida que a demanda aumentar e a tecnologia de produção escalar.

Em comparação, projetos de infraestrutura sustentável na Europa já demonstram que investimentos iniciais maiores se pagam em economia operacional ao longo de décadas.

Ainda assim, o arranha-céu de madeira de Sydney enfrenta ceticismo do mercado imobiliário, que questiona se inquilinos de escritórios de alto padrão vão aceitar trabalhar em um edifício feito de madeira.

A empresa Atlassian — gigante australiana de software — que será a principal inquilina, aposta que sim. De fato, a empresa vê o prédio como extensão de sua identidade corporativa voltada à sustentabilidade.

O conceito de construir arranha-céus de madeira não é novo. Contudo, até recentemente, a tecnologia de mass timber limitava edifícios a no máximo 18 andares. O salto para 40 andares representa um avanço que engenheiros estruturais compararam a quando o concreto armado substituiu a alvenaria no início do século XX.

Em todo o mundo, mais de 70 edifícios de madeira acima de 8 andares estão em construção ou planejamento. Além disso, países como Noruega, Canadá e Áustria já possuem torres de timber com mais de 80 metros de altura em operação.

Segundo a firma de engenharia Arup, a madeira engenheirada pode ser fabricada com precisão milimétrica em fábricas, transportada ao canteiro e montada como peças de Lego — reduzindo o tempo de construção em até 30% comparado ao concreto tradicional.

Na prática, isso também reduz o impacto no bairro durante a obra. De fato, canteiros de timber são significativamente mais silenciosos e geram menos poeira do que canteiros de concreto — uma vantagem crucial em áreas urbanas densas como o centro de Sydney.

Igualmente relevante é o peso da estrutura. Um andar de mass timber pesa até 75% menos que um andar equivalente em concreto. Consequentemente, as fundações do edifício podem ser menores e mais baratas — compensando parcialmente o custo maior da madeira.

A Universidade de British Columbia no Canadá conduziu em 2025 os testes sísmicos mais abrangentes já realizados em estrutura de timber. O resultado mostrou que edifícios de mass timber de até 12 andares suportam terremotos de magnitude 9 sem colapso — superando o desempenho de edifícios de concreto de altura similar.

Contudo, o desafio de escalar essa tecnologia para 40 andares envolve questões que ainda não foram totalmente resolvidas, como o comportamento da madeira sob compressão extrema em andares inferiores e a resposta a ventos laterais intensos.

Apesar disso, os engenheiros do Atlassian Central adicionaram um núcleo central de concreto reforçado que absorve as cargas laterais de vento, enquanto a madeira cuida das cargas verticais e dos andares propriamente ditos.

Dessa forma, o arranha-céu de madeira é na verdade um sistema híbrido inteligente — onde cada material faz aquilo que faz de melhor, sem comprometer a segurança do conjunto.

Será que o arranha-céu de madeira de Sydney vai inspirar outras cidades a substituir concreto por timber em seus edifícios mais altos? Ou será que a resistência à inovação na construção civil vai manter o concreto como rei por mais meio século?

Por fim, o Atlassian Central representa uma aposta de que madeira — o material de construção mais antigo da humanidade — pode se tornar o mais moderno. Se funcionar em Sydney com 40 andares, o próximo passo pode ser 60 ou 80 — e o concreto começar a parecer tão ultrapassado quanto o tijolo de barro.

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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