Pintura especial em jato brasileiro marca centenário de unidade histórica da aviação chilena, destacando tradição militar, evolução tecnológica e protagonismo do Super Tucano na formação de pilotos de combate ao longo de um século de operações contínuas.
A Força Aérea do Chile passou a exibir uma pintura especial em um de seus A-29B Super Tucano para marcar os 100 anos do Grupo de Aviación Nº 1, a unidade aérea mais antiga da instituição.
O avião de matrícula FACH 465 foi visto em 17 de março com fuselagem predominantemente negra, decorada com águias — símbolo tradicional do grupo — e com o número 100, referência direta ao centenário celebrado em 2026.
A homenagem se conecta a uma data central da aviação militar chilena.
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O Grupo de Aviación Nº 1 teve origem em 3 de março de 1926, quando foi criado como Grupo Mixto de Aviación Nº 1 por decreto do então Ministério da Guerra.
A própria FACH seria instituída apenas em 1930, o que faz da unidade um organismo anterior à força aérea como ela é conhecida hoje.
Essa precedência histórica é destacada pela própria instituição chilena ao reconstituir a trajetória do grupo em seu centenário.
Pintura especial do Super Tucano destaca centenário histórico
O esquema visual aplicado ao FACH 465 transforma o turboélice brasileiro em uma peça comemorativa de forte apelo simbólico.
A combinação da pintura negra com as águias laterais reforça a identidade histórica do grupo, enquanto o numeral de três dígitos associa a aeronave diretamente às cerimônias do centenário realizadas neste ano em Iquique, no norte do Chile.

Até o momento, o destaque público da personalização apareceu em registros e publicações especializadas, enquanto a FACH concentrou sua divulgação institucional nas atividades oficiais da efeméride.
A unidade está sediada na Base Aérea Los Cóndores, em Iquique, subordinada à Iª Brigada Aérea.
Foi ali que o Grupo de Aviación Nº 1 consolidou, ao longo das décadas, sua vocação para a formação e o adestramento avançado de tripulações, papel que segue presente em exercícios e cursos táticos recentes conduzidos com o A-29 Super Tucano.
Grupo de Aviación Nº 1 e sua missão na formação de pilotos
Quando surgiu, em 1926, o grupo nasceu com a missão de instruir e treinar oficiais destinados a se tornarem pilotos de combate, marco que a FACH define como o início de uma doutrina aérea nacional estruturada.
Esse caráter formador ajuda a explicar por que a unidade atravessou diferentes fases da aviação chilena sem perder relevância, mesmo com a substituição sucessiva de aeronaves e métodos de instrução.
Nos primeiros anos, a unidade operou aviões de reconhecimento, bombardeio e caça que refletiam o estágio inicial da aviação militar no país.
Ao longo do tempo, esse inventário foi sendo renovado e passou por modelos que marcaram diferentes épocas, até chegar à atual geração de aeronaves turboélice de treinamento avançado e ataque leve.
A evolução material acompanhou a mudança da própria missão, que deixou de ser apenas básica para incorporar exigências táticas cada vez mais complexas.
Essa transformação institucional aparece com mais clareza a partir da reativação da escola tática do grupo, nos anos 1980.
Segundo a FACH, foi nessa etapa que a unidade consolidou sua atuação como centro de formação avançada para pilotos de combate, preparando tripulações já graduadas para a transição a missões mais exigentes.
O emprego posterior de aeronaves como o A-36 e, mais tarde, do Super Tucano, reforçou esse perfil.

Frota de A-29 Super Tucano na Força Aérea Chilena
Hoje, os A-29B estão no centro da atividade operacional do Grupo de Aviación Nº 1.
A FACH vem usando o modelo em missões de treinamento e em exercícios como o Estrella Austral 2025, no qual as aeronaves da unidade atuaram em tarefas ligadas ao preparo de tripulações de combate e ao apoio aéreo aproximado.
A instituição descreve o Super Tucano como plataforma relevante tanto para a instrução avançada quanto para cenários operacionais de maior complexidade.
A frota chilena soma 22 A-29 Super Tucano, número também citado pela Embraer ao anunciar, em 2025, um acordo de cooperação com a estatal chilena ENAER.
Nesse comunicado, a fabricante brasileira informou que a empresa do Chile passaria a produzir componentes e a atuar como centro designado de manutenção da frota local, indicando não apenas a consolidação do modelo no país, mas também um esforço para ampliar a sustentação industrial da operação.
A incorporação desses aviões ocorreu em etapas.
O primeiro lote, de 12 unidades, começou a chegar em 2009 e foi completado em 2010.
Depois, a FACH recebeu mais seis aeronaves em 2018.
Por fim, o terceiro reforço, de quatro exemplares, foi entregue em 2020, fechando o total de 22 aparelhos em serviço.
Esse cronograma consolidou o Chile como um dos operadores sul-americanos mais relevantes do A-29.
A escolha do Super Tucano atende a um perfil de missão que combina custo operacional mais baixo, treinamento avançado e capacidade de emprego em apoio aéreo leve.
Em 2025, a própria FACH voltou a destacar essas características ao descrever o A-29 como um vetor apto a operações de combate aproximado e instrução avançada.
Centenário do Grupo de Aviación Nº 1 ganha destaque na FACH
As celebrações dos 100 anos do grupo foram anunciadas oficialmente pela FACH em fevereiro de 2026 e tiveram programação pública em março, com cerimônias e desfile aéreo em Iquique.
Nesse contexto, a pintura especial aplicada ao FACH 465 funciona como extensão visual da comemoração e também como uma forma de aproximar passado e presente.
De um lado, a unidade que antecede a própria fundação da força aérea chilena.
De outro, o avião brasileiro que hoje representa a espinha dorsal de sua instrução tática.
Mais do que um recurso estético, a personalização do Super Tucano sintetiza uma narrativa institucional bem definida.
A aeronave celebra uma unidade criada para formar pilotos, que atravessou um século de mudanças tecnológicas e permaneceu ligada ao preparo de combate.
Ao exibir a águia do grupo e o número 100 sobre uma pintura negra de forte impacto visual, o A-29 chileno passa a operar também como símbolo histórico de uma tradição que a FACH decidiu levar para o ar no ano de seu centenário.

“Pintura especial em jato brasileiro marca centenário de unidade histórica da aviação chilena, destacando tradição militar, evolução tecnológica e protagonismo do Super Tucano na formação de pilotos de combate ao longo de um século de operações contínuas.”
O A-29 não é jato e sim um turbo hélice.