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Startup cria “cowboys robôs” com drones que movem o gado pelo celular, reduzem o uso de motos, cavalos e helicópteros e ainda monitoram peso, pasto, água e animais doentes nas fazendas

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 11/06/2026 às 19:27
Atualizado em 11/06/2026 às 19:29
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Uma tecnologia criada para o manejo bovino promete mudar a forma como produtores acompanham o rebanho em áreas extensas, usando drones com IA para observar animais, planejar rotas no pasto e transformar tarefas tradicionais em operações digitais pelo aplicativo.

Imagine abrir um aplicativo, escolher o pasto no mapa e mandar um drone buscar o rebanho como se fosse um peão invisível no céu. É essa a promessa dos “cowboys robôs”, tecnologia que usa drones autônomos com inteligência artificial para mover gado, vigiar pastagens e transformar uma rotina antiga da pecuária em operação digital.

A GrazeMate, startup criada por Sam Rogers, aposta em drones que não apenas sobrevoam o campo. Eles tentam entender o comportamento dos animais, ajustar a pressão sobre o rebanho e conduzir o gado até outro piquete com poucos comandos no celular.

O peão agora pode estar dentro de um aplicativo

Drone autônomo da GrazeMate sobrevoa o pasto e usa inteligência artificial para mapear o rebanho, indicar rotas de deslocamento e mostrar como o manejo do gado pode ser controlado por aplicativo.
Drone autônomo da GrazeMate sobrevoa o pasto e usa inteligência artificial para mapear o rebanho, indicar rotas de deslocamento e mostrar como o manejo do gado pode ser controlado por aplicativo.

Na pecuária tradicional, mover gado em grandes áreas pode exigir motos, cavalos, caminhonetes, equipes inteiras e até helicópteros. É um trabalho caro, cansativo, arriscado e cada vez mais difícil.

A Y Combinator apresenta a tecnologia como um sistema capaz de fazer em três cliques no telefone uma tarefa que, em grandes propriedades, podia tomar um dia inteiro. A promessa é tirar parte do esforço físico do campo e colocar o manejo dentro de um aplicativo.

O sistema voa até o piquete, localiza o rebanho e conduz o grupo com movimentos. Em vez de um operador pilotando manualmente, a proposta é que a IA leia a reação do gado em tempo real.

O fundador cresceu vendo o gado ser tocado na raça

A história chama atenção também por quem está por trás da ideia. A Forbes Australia informou que Rogers tem 19 anos, cresceu em uma fazenda no norte de Queensland, na Austrália, e viu o pai manejar 6.000 cabeças de gado com cavalos e motos.

A startup foi formalizada em 2025 e levantou US$ 1,2 milhão em uma rodada inicial com apoio de investidores de tecnologia. Menos de um ano depois, já aparecia associada a pilotos e compromissos em áreas que somam 1,7 milhão de acres entre Queensland e New South Wales, além de expansão para a Califórnia.

Não é apenas uma invenção de laboratório distante da realidade rural. É uma tentativa de automatizar uma dor vivida por quem cresceu no campo e viu de perto o custo de mover animais por horas.

O drone também quer ler a fazenda

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O ponto mais interessante é que os drones não foram pensados apenas para empurrar o gado de um lado para o outro. Enquanto fazem o manejo, eles também podem coletar dados sobre peso estimado dos animais, biomassa de pasto, água, cercas e possíveis sinais de animais doentes.

A plataforma descreve um processo simples: o produtor define os limites dos pastos no aplicativo, cria uma espécie de gêmeo digital da fazenda, agenda voos, acompanha a missão ao vivo e recebe relatórios depois da operação.

Para propriedades grandes, isso pode significar menos deslocamento diário, mais controle sobre o rebanho e decisões mais rápidas sobre rotação de pasto.

Os números que tornam a tecnologia difícil de ignorar

A empresa afirma que cada unidade pode cobrir até 10 km por carga, recarregar em cerca de 30 minutos e controlar rebanhos de até 2.000 animais com um único drone, embora reconheça que grupos muito grandes tornam a precisão mais difícil.

O sistema ainda não deve ser tratado como uma tecnologia espalhada em massa pelo mundo. A operação está ligada a testes, demonstrações e programas piloto. Parte das análises mais avançadas, como peso estimado e disponibilidade de matéria seca, aparece como recurso em fase beta.

Mesmo assim, a lógica é poderosa. Se o produtor consegue mover o gado com mais frequência e menor esforço, pode melhorar o uso do pasto e reduzir deslocamentos longos.

Imagem aérea mostra o rebanho visto pela câmera de um drone durante uma operação de manejo no campo, tecnologia que vem ganhando espaço na pecuária para monitorar animais, orientar deslocamentos e reduzir o trabalho pesado nas fazendas.
Imagem aérea mostra o rebanho visto pela câmera de um drone durante uma operação de manejo no campo, tecnologia que vem ganhando espaço na pecuária para monitorar animais, orientar deslocamentos e reduzir o trabalho pesado nas fazendas.

Por que isso conversa diretamente com o Brasil

No Brasil, o impacto potencial de qualquer inovação no manejo bovino é gigantesco. O IBGE registrou 238,2 milhões de cabeças de bovinos em 2024, o segundo maior efetivo da série histórica, e apontou 42,94 milhões de bovinos abatidos em 2025, recorde da pesquisa e alta de 8,2% em relação ao ano anterior.

Esses números ajudam a explicar por que tecnologias de agro com drones, pecuária digital e inteligência artificial no campo estão deixando de ser curiosidade para virar disputa econômica. Em um país com rebanhos espalhados por áreas imensas, reduzir tempo de manejo pode significar economia, segurança e produtividade.

Drones autônomos ainda dependem de regras de aviação, conexão, segurança operacional e adaptação à realidade de cada fazenda. A promessa é enorme, mas o uso em larga escala ainda precisa vencer etapas técnicas e regulatórias.

O campo está entrando na era dos robôs discretos

O mais impressionante não é apenas ver um drone tocando boi. É perceber que a pecuária começa a ganhar máquinas capazes de observar, decidir e agir em tarefas que, durante gerações, dependeram quase exclusivamente da experiência humana.

Os cowboys robôs não significam o fim imediato do vaqueiro, do peão ou do produtor. Mas mostram que uma nova fase começou: a do manejo rural assistido por IA, em que o celular pode virar curral digital e o drone pode virar auxiliar de campo.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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