Unidade Prospector 5 perdeu estabilidade durante preparativos para perfuração no litoral africano; buscas aéreas e marítimas continuam e autoridades investigam o acidente.
Uma sonda de perfuração de petróleo da Borr Drilling afundou na costa do Gabão, na África Central, durante uma operação de preparação para perfuração, deixando cinco pessoas desaparecidas, segundo o balanço oficial mais recente da companhia. O acidente ocorreu na noite de 24 de outubro de 2026, quando a unidade Prospector 5 perdeu estabilidade. Das 115 pessoas que estavam a bordo, 110 foram localizadas em segurança.
A informação foi atualizada pela Borr Drilling nesta segunda-feira, 26 de outubro. A empresa informou que mantém operações aéreas e marítimas de busca e salvamento, enquanto trabalha com autoridades locais e com a BW Energy, contratante da sonda. O episódio também interrompeu atividades de produção na instalação MaBoMo, situada na área de exploração de Dussafu.
Prospector 5 afundou durante preparação para perfurar poços de petróleo no Gabão

O acidente aconteceu aproximadamente às 20h37 de sábado, 24 de outubro, no horário local, durante operações de elevação e posicionamento da plataforma.
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A Prospector 5 é uma unidade do tipo jack-up, estrutura de perfuração autoelevatória que utiliza pernas metálicas apoiadas no fundo do mar para sustentar seu convés acima da superfície da água.
Esse tipo de sonda é empregado principalmente na perfuração de poços em águas relativamente rasas.
Antes de começar a perfuração, a unidade precisa posicionar suas pernas sobre o leito marinho e realizar testes para verificar a capacidade de sustentação do terreno.
Foi durante essa preparação que ocorreu a perda de estabilidade.
No primeiro comunicado sobre o acidente, publicado em 25 de outubro, a Borr Drilling informou que os dados preliminares apontavam para um evento conhecido na indústria offshore como punch-through.
A ocorrência acontece quando uma das estruturas de apoio penetra repentinamente em uma camada menos resistente do fundo do mar, provocando um deslocamento inesperado da unidade.
A alteração brusca de sustentação pode inclinar a plataforma e comprometer sua estabilidade.
Segundo a companhia, a Prospector 5 perdeu estabilidade e afundou após o episódio. As circunstâncias técnicas definitivas ainda serão apuradas em uma investigação.
Buscas continuam por cinco pessoas e Reuters relata uma morte ainda não confirmada oficialmente
O balanço divulgado pela Borr Drilling em 26 de outubro informa que 110 dos 115 ocupantes foram encontrados em segurança.
A companhia também comunicou que os profissionais localizados estavam sendo transportados para terra, no Gabão, onde receberiam atendimento e apoio.
Equipes de resgate continuam procurando os cinco trabalhadores classificados oficialmente como desaparecidos, com operações envolvendo embarcações e aeronaves.
Entretanto, há uma diferença entre o balanço divulgado pela empresa e as informações obtidas pela imprensa internacional.
Em reportagem publicada em 25 de outubro, a Reuters informou, com base em fontes ligadas ao caso, que um trabalhador indiano havia morrido e que outras quatro pessoas continuavam desaparecidas.
Segundo a agência, três dos quatro desaparecidos seriam cidadãos do Gabão e o quarto seria estrangeiro.
O governo gabonês ainda não havia confirmado oficialmente a morte quando a Reuters publicou uma atualização em 26 de outubro.
Por esse motivo, o balanço oficial continua sendo de 110 pessoas localizadas e cinco não localizadas, enquanto o relato de uma morte permanece atribuído às fontes ouvidas pela agência.
A Borr Drilling informou que mantém contato com os familiares dos trabalhadores desaparecidos e disponibilizou um canal de assistência pelo telefone internacional +44 (0)1224 087026.
A empresa também mobilizou sua equipe de resposta a emergências em terra para auxiliar as autoridades durante as buscas.
Sonda construída em 2014 tinha capacidade para perfurar em águas de até 122 metros
A Prospector 5 foi construída em 2014 e pertence à frota de sondas autoelevatórias da Borr Drilling, empresa internacional especializada em serviços de perfuração offshore.
Segundo documentos corporativos da companhia, a unidade possuía projeto Friede & Goldman JU2000E e capacidade operacional para lâminas d’água de até 400 pés, aproximadamente 122 metros.
A classificação refere-se à profundidade de água para a qual a sonda foi projetada, não à profundidade máxima dos poços de petróleo que poderia perfurar.
Antes de ser destinada ao Gabão, a Prospector 5 havia trabalhado em operações no Congo, também na costa africana.
O equipamento integrava a frota utilizada pela Borr Drilling para atender companhias petrolíferas em diferentes mercados.
As operações de perfuração offshore envolvem unidades com características diferentes, definidas conforme a profundidade do mar, as condições ambientais e as especificações dos poços.
Enquanto sondas autoelevatórias utilizam estruturas apoiadas no fundo marinho, navios-sonda empregados em águas profundas dependem de sistemas de posicionamento para manter sua localização durante os trabalhos.
No momento do acidente, a Prospector 5 ainda se preparava para a campanha de perfuração contratada pela BW Energy. A operação de perfuração dos novos poços não havia começado.
Contrato de pelo menos 320 dias com a BW Energy é afetado pelo naufrágio
A Prospector 5 estava destinada a executar atividades de perfuração para a BW Energy, petrolífera que desenvolve projetos de exploração e produção no Gabão.
Em abril de 2026, a Borr Drilling havia anunciado uma carta de adjudicação vinculante para uma campanha de quatro poços no país africano.
O documento enviado ao regulador norte-americano previa uma duração mínima de 320 dias, com possibilidade de extensão por mais 220 dias.
O afundamento retirou a unidade da campanha programada, criando a necessidade de reavaliar o planejamento operacional.
A Reuters informou em 26 de outubro que a perda da sonda também poderá atrasar a produção adicional de petróleo que a BW Energy pretendia iniciar no começo de 2027.
A empresa não havia divulgado, até então, um novo cronograma ou a contratação de uma unidade substituta.
A BW Energy possui operações internacionais, incluindo atividades de produção de petróleo no Brasil, onde desenvolve o projeto Maromba, na Bacia de Campos.
O episódio no Gabão afeta diretamente sua operação africana e a programação de perfuração na licença Dussafu.
BW Energy suspende produção em MaBoMo e informa que não houve danos à instalação
A BW Energy confirmou que a produção na instalação MaBoMo, localizada na licença Dussafu Marin, foi interrompida durante os preparativos para a campanha de perfuração.
Segundo o comunicado divulgado em 25 de outubro, a interrupção ocorreu de acordo com os procedimentos operacionais aplicáveis à preparação dos trabalhos.
A companhia informou que não havia relatos de danos à instalação de produção nem aos equipamentos associados.
Também afirmou que não foram identificadas descargas acidentais de substâncias nocivas no mar provenientes da unidade MaBoMo.
A declaração, entretanto, refere-se especificamente à instalação de produção. Ela não representa um levantamento definitivo sobre todos os possíveis impactos ambientais associados ao afundamento da sonda.
Autoridades gabonesas mobilizaram uma estrutura de resposta para acompanhar a ocorrência e determinar as providências necessárias.
O Ministério do Petróleo e Gás do Gabão ordenou uma investigação técnica sobre o naufrágio, segundo informações divulgadas pela Reuters.
No Brasil, os procedimentos de segurança em plataformas de petróleo também incluem a possibilidade de interromper temporariamente atividades para controlar riscos operacionais.
No caso do Gabão, a extensão da suspensão e seus efeitos sobre o cronograma de produção ainda dependem de novas informações da BW Energy.
Investigação deverá esclarecer perda de estabilidade e condições do fundo do mar
A Borr Drilling informou que pretende colaborar com seus parceiros e com as autoridades para esclarecer as causas do acidente.
Entre os aspectos técnicos que deverão ser avaliados estão as condições de sustentação da unidade, os procedimentos de pré-carga e o comportamento das pernas da plataforma durante o posicionamento.
Esses são pontos relevantes em uma investigação de punch-through, mas a empresa ainda não divulgou resultados conclusivos que permitam atribuir o naufrágio a uma falha específica de equipamento, de procedimento ou de avaliação geotécnica.
O impacto financeiro total também permanece indefinido. Além da perda da unidade de perfuração, poderão surgir custos associados à resposta emergencial, às investigações e ao replanejamento dos serviços contratados.
A prioridade imediata continua sendo localizar os trabalhadores desaparecidos e prestar assistência às pessoas retiradas da sonda.
A próxima atualização oficial deverá indicar eventuais mudanças no balanço das vítimas, no andamento das buscas e nas providências adotadas para investigar o naufrágio da Prospector 5.
