Primeiro aparelho do projeto IRN-Maiden deverá ser instalado em uma plataforma do complexo Mars, no Golfo do México. A proposta é antecipar a identificação de danos, mas o retorno dos trabalhadores continuará dependendo da avaliação das condições de segurança.
A Shell pretende reduzir o tempo de paralisação de suas plataformas após furacões com drones instalados nas próprias unidades. Segundo reportagem da Bloomberg publicada pela Bloomberg Línea, a companhia estima que a iniciativa poderá gerar quase US$ 50 milhões em economia ao longo de três anos, ao acelerar inspeções necessárias à retomada da produção.
Os aparelhos deverão registrar possíveis vazamentos e equipamentos danificados e transmitir imagens ao vivo para equipes em terra pela rede Starlink, da SpaceX. O ganho esperado está em começar essa avaliação sem precisar esperar pela mobilização de um helicóptero com inspetores. A economia anunciada, portanto, é uma projeção da empresa, não um resultado já obtido com a frota.
Inspeção com helicóptero pode consumir um dia inteiro

A passagem de um furacão não encerra automaticamente a interrupção de uma plataforma. Antes de enviar trabalhadores de volta, a operação precisa verificar se as instalações apresentam condições seguras, uma etapa que pode prolongar a suspensão da produção por dias ou semanas.
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No procedimento descrito pela companhia, inspetores usam helicópteros para observar a estrutura. Com binóculos de longo alcance e câmeras, registram fotos e vídeos e encaminham o material ao centro de recuperação pós-tempestade da Shell.
Entre mobilização de profissionais, disponibilidade de aeronaves e espera pelas condições de voo, esse processo pode levar um dia inteiro. Em determinadas situações, nem mesmo o deslocamento a partir da costa pode começar antes da passagem da tempestade.
É essa espera que o projeto pretende encurtar. Kevin McMahon, executivo responsável pelos ativos de produção da companhia na região, afirmou que as plataformas evacuadas deixam de produzir petróleo e que manter drones no local permitiria realizar as inspeções mais rapidamente após o evento climático.
Aparelhos sairão das plataformas e enviarão imagens à costa

Os drones previstos para a operação são movidos a bateria e têm aproximadamente 76 centímetros de largura. Eles poderão sobrevoar e contornar as instalações, utilizando lentes com ampliação de imagem controlada para examinar equipamentos e procurar sinais de danos.
A transmissão pela Starlink deverá permitir que as equipes em terra acompanhem a vistoria ao vivo. Nesse arranjo, a conexão por satélite funciona como o canal entre as imagens coletadas no mar e os profissionais que avaliam a situação na costa.
Quando não estiverem em operação, os aparelhos permanecerão em uma caixa descrita pela empresa como resistente a furacões. A proposta é que o equipamento já esteja disponível na plataforma quando chegar o momento de inspecioná-la.
Ross Doak, engenheiro sênior de robótica que lidera o projeto, espera que os levantamentos estejam adiantados quando outras operadoras conseguirem enviar suas aeronaves. A intenção é usar essa informação antecipada para planejar os passos seguintes, não dispensar as verificações necessárias à segurança da retomada.
Autorização da FAA exigiu dois anos de trabalho
A Shell informou ter obtido uma isenção da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, a FAA, após um processo de dois anos. Essa autorização foi uma etapa importante para viabilizar o projeto de inspeção offshore, expressão usada para instalações de produção no mar.
Embora drones já sejam empregados em refinarias, dutos e unidades químicas, a operação pretendida nas plataformas enfrentava limitações regulatórias específicas. A permissão obtida abre caminho para a instalação dos aparelhos, mas não significa que a frota planejada já esteja funcionando.
A companhia não apresentou um orçamento detalhado do investimento no anúncio. Já a estimativa de quase US$ 50 milhões está associada à redução das perdas provocadas pela interrupção da produção ao longo de três anos, não apenas à economia com deslocamentos de helicóptero.
Projeto Mars receberá o primeiro drone
A primeira instalação está prevista para ocorrer até o fim de 2026 em uma das plataformas do projeto Mars, empreendimento de petróleo e gás em águas profundas situado a cerca de 209 quilômetros ao sul de Nova Orleans. O projeto recebeu o nome IRN-Maiden e um logotipo inspirado na banda britânica Iron Maiden.
Para 2027, a Shell planeja colocar em operação pelo menos mais cinco drones no Golfo do México. A empresa também avalia levar a iniciativa a outros ativos offshore, incluindo instalações no Mar do Norte e na África, mas essas expansões ainda aparecem como possibilidades em estudo.
Você acha que drones vão substituir de vez as inspeções feitas por pessoas em plataformas de petróleo? Deixe sua opinião nos comentários.
