O balanço do Bradesco BBI sobre o setor de petróleo e gás em 2025 revela forte contraste entre empresas menos expostas à commodity e produtores, além de indicar os principais vetores que devem orientar o mercado em 2026.
O ano de 2025 deixou um retrato claro do setor de petróleo e gás na América Latina. Enquanto empresas menos dependentes do preço da commodity entregaram retornos expressivos aos acionistas, os chamados “proxies” de petróleo enfrentaram um cenário mais adverso.
A avaliação é do Bradesco BBI, que fez um balanço detalhado de quem ganhou, quem perdeu e quais tendências devem nortear as decisões de investimento em 2026.
Segundo a equipe de research do banco, o desempenho do petróleo ao longo do ano foi bastante fraco, algo que o mercado, em grande medida, já antecipava.
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Ao mesmo tempo, companhias com modelos de negócios mais defensivos ou menos comoditizados se beneficiaram de fatores estruturais, como eficiência operacional, mudanças regulatórias e reprecificação de contratos.
Excesso de oferta e prêmio geopolítico moldaram o preço do petróleo
O pano de fundo de 2025 foi marcado pelo fortalecimento das expectativas de excesso de oferta no mercado global de petróleo. Essas projeções, no entanto, foram temporariamente mitigadas por um elevado prêmio geopolítico ao longo do ano.
Esse prêmio atingiu seu pico em junho, durante a guerra de 12 dias entre Estados Unidos e Irã, que trouxe volatilidade e sustentou preços em determinados momentos.
Com a aproximação do fim do ano, o cenário mudou. Um ambiente geopolítico mais calmo, combinado a sucessivos aumentos de produção pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), tornou o excesso de oferta mais visível. Como consequência, os estoques globais cresceram, pressionando as cotações da commodity.
Nesse contexto, o desempenho das ações do setor de petróleo e gás na América Latina passou a refletir com mais clareza essa dinâmica. Empresas com maior exposição direta ao preço do petróleo sofreram mais, enquanto nomes menos atrelados à commodity conseguiram se destacar.
Empresas menos comoditizadas lideram os ganhos em 2025
Dentro desse ambiente desafiador para o petróleo, algumas companhias conseguiram resultados expressivos. A principal vencedora de 2025, segundo o levantamento do BBI, foi a distribuidora de combustíveis Vibra (VBBR3).
As ações da empresa acumularam alta de 65% no ano, superando com ampla margem tanto o MSCI da América Latina quanto o Ibovespa.
O desempenho da Vibra foi impulsionado, sobretudo, pelo sucesso no combate à informalidade no setor de distribuição de combustíveis. Esse movimento fortaleceu os agentes formais do mercado, ampliando volumes e melhorando margens.
Logo atrás, a medalha de prata ficou com a OceanPact (OPCT3), que registrou valorização de 62% em 2025. A empresa foi beneficiada pela forte reprecificação de contratos de day rate, pela melhora na gestão de contratos spot e por uma perspectiva favorável de remuneração aos acionistas.
A Ultrapar (UGPA3) completou o pódio, ficando com o bronze. Suas ações encerraram o ano em linha com o Ibovespa, com alta de 44%. A visão positiva para o segmento de distribuição de combustíveis ajudou, mas parte desse potencial foi neutralizada por riscos relacionados à alocação de capital.
De forma geral, os demais nomes do setor apresentaram desempenho inferior aos índices ou resultados negativos quando medidos em dólares, reforçando a seletividade do mercado em um ano marcado por pressão sobre o petróleo.
Proxies de petróleo enfrentam o pior desempenho do ano
Na outra ponta do ranking, os chamados “proxies” de petróleo tiveram um desempenho bem mais fraco em 2025. Os piores resultados vieram das produtoras independentes de menor porte, conhecidas como junior E&Ps. Esse grupo acumulou queda de 18% no ano, refletindo a maior exposição direta às oscilações do preço do petróleo.
As empresas químicas também enfrentaram dificuldades, com recuo médio de 6%. O setor foi impactado pela perspectiva de excesso global prolongado de oferta e por ciclos ainda deprimidos, que pressionaram margens e rentabilidade.
As estatais de petróleo apresentaram queda mais moderada, de 3%. Esse desempenho relativamente melhor foi influenciado, em grande parte, pela Ecopetrol, que subiu 18% no ano.
A valorização esteve associada ao ciclo político na Colômbia, que trouxe expectativas específicas para a companhia.
Recomendações do BBI: acertos, ajustes e frustrações ao longo do ano
Na avaliação do Bradesco BBI, as principais recomendações feitas ao longo de 2025 funcionaram bem, apesar de alguns equívocos no percurso. Durante o ano, a casa recomendou de forma consistente a construção de posições em Vibra, PRIO (PRIO3) e OceanPact, com preços-alvo de R$ 36, R$ 62 e R$ 10, respectivamente.
Entre os acertos mais claros, o banco destaca Vibra e OceanPact, cujos fundamentos e vetores positivos se confirmaram ao longo do ano.
Por outro lado, a PRIO acabou sendo penalizada pela queda do petróleo. Ainda assim, conseguiu apresentar desempenho positivo de 9% em dólares, enquanto seus pares latino-americanos, com exceção da Ecopetrol, registraram quedas relevantes.
O BBI também iniciou 2025 com Petrobras entre suas principais apostas. No entanto, a ação foi retirada da lista no primeiro semestre.
Apesar dos bons resultados operacionais, níveis elevados de capex e expectativas crescentes de fusões e aquisições reduziram o potencial de dividendos. Além disso, o papel passou a se mostrar cada vez mais sensível ao ciclo eleitoral de 2026.
Preferências para 2026 mantêm foco fora do petróleo puro
Ao olhar para 2026, o Bradesco BBI entra no novo ano com as mesmas preferências do fim de 2025: Vibra, PRIO e OceanPact, com Vibra ocupando a posição de principal escolha.
O banco destaca, especialmente, os avanços do Brasil no combate à informalidade no mercado de combustíveis. Esse tema ganhou força em 2025 com uma série de reformas legais e administrativas. Como resultado, distribuidores formais como Vibra, Ipiranga e Raízen já começaram a colher os frutos desse movimento.
A expectativa é que, em 2026, haja intensificação desse processo, com maiores volumes, margens mais robustas, crescimento de NOPAT e ROIC, além de redução do custo de capital. Esse conjunto de fatores pode abrir espaço para expansão de múltiplos no setor.
PRIO e OceanPact: crescimento, produção e remuneração ao acionista
No caso da PRIO, o BBI avalia que a empresa deve ser a que mais compensará um cenário de preços fracos do petróleo por meio de crescimento de produção. A projeção é de aumento de 60% na produção média em 2026 frente a 2025, alcançando 173 mil barris de óleo equivalente por dia. Além disso, a companhia apresenta o menor custo de manutenção por barril da região. “Mesmo assim, o papel deve continuar pressionado pelo cenário negativo do petróleo, embora deva novamente se destacar em termos relativos.”
Já para a OceanPact, a expectativa é de um ano marcado por crescimento e dividendos. Além de novos contratos na área de serviços de inspeção, o BBI projeta um recebimento líquido de R$ 328 milhões relacionado a uma disputa judicial com a Petrobras.
Esse recurso deve reduzir significativamente a alavancagem e abrir espaço para uma política mais agressiva de remuneração aos acionistas.
O banco estima que a empresa possa devolver mais de 80% do seu valor de mercado aos acionistas ao longo dos próximos três anos, reforçando o apelo do papel mesmo em um ambiente desafiador para o petróleo.
Temas estruturais que devem influenciar o setor em 2026
Por fim, o relatório do BBI elenca sete grandes temas que devem orientar o setor de petróleo e gás em 2026. Entre eles estão os ciclos políticos no Brasil e na Colômbia, a dinâmica global de oferta e demanda de petróleo, a perspectiva de queda de juros e o avanço contínuo no combate à informalidade no mercado de combustíveis.
Também entram no radar o desempenho da economia argentina sob o governo Milei e um ambiente potencialmente favorável para fusões e aquisições.
Esse movimento tende a ganhar força, especialmente se os preços do petróleo recuarem de forma mais acentuada ao longo do próximo ano.

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