China apresenta o supercomputador Lingshen, uma máquina sem GPUs que busca 2 exaflops e pode mudar o futuro dos supercomputadores e reduzir a dependência de GPU
O anúncio do supercomputador Lingshen coloca a China novamente no centro da disputa global por liderança em computação de alto desempenho. Apresentado em 24 de abril de 2026 pelo Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, o projeto promete algo que nenhum outro sistema alcançou até agora: superar a marca de 2 exaflops sem utilizar qualquer GPU.
Na prática, isso significa que a nova máquina aposta em uma arquitetura totalmente baseada em CPUs, rompendo com o modelo dominante entre os principais supercomputadores do mundo. A proposta de uma máquina sem GPUs não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia clara de independência tecnológica.
Segundo Lu Yutong, diretora do centro e responsável pelo design do sistema, o objetivo é alcançar desempenho sustentado acima de 2 exaflops — um número que, se confirmado, colocaria o projeto entre os mais avançados já concebidos.
-
Um gás raro corta pelas fontes termais na Zâmbia e revela uma falha profunda que pode atravessar a crosta até o manto terrestre
-
Esqueça a imagem de continente congelado e parado: cientistas acabam de revelar centenas de terremotos sob a Antártida Oriental, em uma área onde ninguém esperava encontrar esse fenômeno
-
Huawei vai colocar baterias chinesas em 24 cidades da Amazônia, em projeto de R$ 850 milhões que pode virar o maior sistema de armazenamento de energia do Brasil
-
China liga à rede elétrica a maior estação de armazenamento com baterias ultragrandes já construída no mundo e fecha contrato bilionário que consolida uma tecnologia capaz de sustentar cidades inteiras com energia limpa
Arquitetura massiva aposta em escala para substituir GPU
Para compensar a ausência de GPU, o supercomputador Lingshen aposta em escala extrema. O projeto prevê uma infraestrutura impressionante, tanto em processamento quanto em armazenamento.
Entre os principais números divulgados estão:
- 47.000 processadores distribuídos em 92 gabinetes de computação;
- 36 gabinetes de rede formando uma malha com cerca de 1 milhão de portas;
- 650 petabytes de armazenamento distribuídos em 428 nós;
- 67 gabinetes de armazenamento com refrigeração líquida;
- Largura de banda de 10 TB/s.
Essa estrutura mostra como a China pretende compensar a ausência de GPU com volume massivo de CPUs e alta eficiência de interconexão. A proposta é clara: transformar a escala em vantagem competitiva.
O sistema também será implementado em etapas. A fase piloto utiliza 100 servidores Huawei Kunpeng, baseados nos núcleos Taishan de arquitetura ARM, totalizando 12.800 núcleos. Já a fase de produção amplia significativamente essa capacidade.
Máquina sem GPUs desafia padrão dominante dos supercomputadores
Hoje, praticamente todos os supercomputadores de nível exascale dependem de GPU ou aceleradores híbridos. Esses componentes são essenciais para lidar com processamento paralelo em larga escala.
A proposta do supercomputador Lingshen, portanto, rompe com esse padrão consolidado. Ao apostar em uma máquina sem GPUs, a China desafia diretamente o modelo tecnológico adotado por sistemas líderes.
Esse movimento levanta discussões importantes:
- É possível manter eficiência sem GPU?
- CPUs podem escalar o suficiente para competir?
- O consumo energético será sustentável?
Embora não haja respostas definitivas, o projeto representa uma tentativa concreta de redefinir a arquitetura dos supercomputadores.
Comparação direta com o El Capitan e outros supercomputadores
Atualmente, o supercomputador mais rápido do mundo é o El Capitan, operado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos. Ele alcança 1,809 exaflops no benchmark Linpack e possui pico teórico de 2,79 exaflops.
Diferentemente do supercomputador Lingshen, o sistema americano utiliza 44.544 APUs AMD MI300A, que combinam CPU e GPU no mesmo chip.
A proposta da China é superar o desempenho real do El Capitan com uma máquina sem GPUs, algo que, se concretizado, representaria um marco histórico.
No entanto, é importante manter cautela. O supercomputador Lingshen ainda não foi construído, e nenhum benchmark foi executado. O desempenho divulgado é apenas uma meta de projeto, não um resultado comprovado.
CPUs domésticas levantam dúvidas técnicas na China
Um dos pontos mais debatidos envolve os processadores utilizados no sistema. O supercomputador Lingshen pretende operar com componentes produzidos na China, reforçando a busca por autonomia tecnológica.
As principais opções disponíveis no país incluem:
- Zhaoxin, parceria entre a VIA Technologies e o governo de Xangai;
- Hygon, que já teve acesso à arquitetura Zen da AMD antes das restrições de 2019.
Apesar disso, nenhuma dessas empresas demonstrou desempenho comparável aos chips mais avançados do mercado global. Isso levanta dúvidas sobre a capacidade da máquina sem GPUs de atingir os níveis prometidos.
A ausência de detalhes sobre os fornecedores específicos aumenta o ceticismo entre especialistas.
Supercomputador Lingshen e o histórico de atrasos em Shenzhen
O Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen já anunciou projetos ambiciosos anteriormente. Em 2021, análises conduzidas por David Kahaner apontaram que um sistema de 2 exaflops estava em desenvolvimento, com previsão de entrega em 2022.
Esse projeto, no entanto, foi adiado. Um dos fatores foi a dependência de tecnologias impactadas pelas restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos em 2019.
Esse histórico faz com que o supercomputador Lingshen seja recebido com cautela. A promessa de uma máquina sem GPUs reforça a ambição, mas também aumenta o nível de desafio.
Precedente do Fugaku mostra que máquina sem GPUs é possível
Apesar do ceticismo, há precedentes técnicos relevantes. O supercomputador japonês Fugaku operou sem GPU e alcançou aproximadamente 0,44 exaflops, liderando o ranking mundial entre 2020 e 2022.
Esse caso demonstra que uma máquina sem GPUs é viável do ponto de vista técnico. No entanto, o supercomputador Lingshen pretende atingir um desempenho quase quatro vezes maior.
Isso exige avanços significativos em:
- Arquitetura de CPU;
- Eficiência energética;
- Sistemas de interconexão.
A comparação reforça tanto o potencial quanto o desafio do projeto da China.
Pressão geopolítica acelera aposta em supercomputadores sem GPU
O desenvolvimento do supercomputador Lingshen ocorre em um contexto de crescente tensão tecnológica. A China enfrenta restrições severas no acesso a GPU avançadas, especialmente para aplicações de inteligência artificial.
Nesse cenário, investir em uma máquina sem GPUs se torna uma resposta estratégica. O objetivo não é apenas inovar, mas também garantir continuidade no avanço tecnológico.
Entre os principais objetivos estão:
- Reduzir dependência de fornecedores estrangeiros
- Criar uma cadeia de suprimentos nacional
- Demonstrar resiliência diante de sanções
Assim, o projeto ultrapassa o campo técnico e se posiciona como ferramenta geopolítica.
O que pode mudar no futuro dos supercomputadores
Se o supercomputador Lingshen alcançar suas metas, ele poderá redefinir o futuro dos supercomputadores. A possibilidade de operar sem GPU abre novos caminhos para a indústria.
Entre os possíveis impactos estão:
- Redefinição de arquiteturas computacionais
- Expansão do uso de CPUs em larga escala
- Maior diversidade tecnológica no setor
- Redução da dependência global de GPU
A proposta de uma máquina sem GPUs pode inspirar outros países a explorar alternativas semelhantes, especialmente em cenários de restrição tecnológica.
Um projeto que pode mudar o equilíbrio global da tecnologia
O supercomputador Lingshen simboliza mais do que um avanço técnico. Ele representa a tentativa da China de assumir protagonismo em uma das áreas mais estratégicas da atualidade.
Ao apostar em uma máquina sem GPUs, o país desafia diretamente o modelo dominante e tenta provar que é possível alcançar desempenho extremo sem depender de GPU estrangeiras.
Ainda há incertezas, especialmente pela ausência de testes reais e pelo histórico de atrasos. No entanto, o impacto do projeto já é evidente. Ele amplia o debate sobre o futuro dos supercomputadores e reforça a importância da autonomia tecnológica.
Se cumprir o que promete, o supercomputador Lingshen poderá não apenas alcançar 2 exaflops, mas também redefinir as regras da corrida global por poder computacional.

Seja o primeiro a reagir!