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Sem espaço para construir, País Basco decide erguer casas nos telhados de prédios públicos: plano prevê quase 200 moradias na primeira fase e até 2.000 apartamentos sociais

Escrito por Carla Teles
Publicado em 16/03/2026 às 16:50
Sem espaço para construir, País Basco decide erguer casas nos telhados de prédios públicos plano prevê quase 200 moradias na primeira fase e até 2.000 apartamentos sociais
País Basco leva casas aos telhados de prédios públicos para ampliar a habitação social sem ocupar novos terrenos. Imagem: Governo Basco
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Plano de casas no País Basco aposta na construção sobre edifícios já existentes para ampliar a habitação social sem depender de novos terrenos urbanos

As casas viraram o centro de uma solução pouco comum no País Basco diante da falta de espaço para construir. Em vez de buscar novos terrenos, o governo regional decidiu olhar para cima e transformar telhados de prédios públicos em áreas para novas moradias, numa tentativa de enfrentar a pressão habitacional sem expandir a ocupação do solo.

A proposta prevê uma primeira fase com 189 unidades e um plano mais amplo que pode chegar a 2.000 apartamentos sociais distribuídos em 65 edifícios. A ideia combina urgência habitacional, adaptação urbana e foco social, sobretudo para ampliar a oferta destinada a grupos vulneráveis e, principalmente, a jovens inquilinos.

Por que o País Basco decidiu construir casas nos telhados

A discussão nasce do mesmo problema que afeta outras partes da Espanha: o número de novos lares cresce mais rápido do que a construção de moradias. Em áreas urbanas já adensadas, a pergunta deixa de ser apenas quantas casas faltam e passa a ser também onde essas casas podem ser construídas.

No País Basco, a resposta proposta pelo governo foi clara: usar estruturas que já existem. Em outubro, a gestão regional apresentou a ideia de levantar novos apartamentos em cima de edifícios públicos com telhado plano, aos quais podem ser acrescentados até dois pisos recuados. É uma forma de ganhar espaço sem abrir novas frentes de ocupação urbana.

O plano prevê 189 casas na primeira fase

País Basco leva casas aos telhados de prédios públicos para ampliar a habitação social sem ocupar novos terrenos.
Imagem: Governo Basco

A iniciativa não ficou só no discurso. Segundo a base fornecida, o Departamento de Habitação e Agenda Urbana já conta com seis projetos preliminares para criar 189 unidades de habitação social, que seriam as primeiras dentro da meta de 2.000 apartamentos.

Essas casas iniciais serão distribuídas por cinco cidades. Em Miribilla, em Bilbao, dois edifícios de 2008 receberão 28 apartamentos. Em Leioa, um prédio de 2019 ganhará 34 novas unidades.

Em Vitoria Gasteiz, dois empreendimentos devem receber 82 apartamentos. Já Mutriku e Arrasate terão cerca de 20 apartamentos cada. O objetivo é transformar o plano em obra concreta, e não em projeto de vitrine.

Casas com foco social, não apenas expansão imobiliária

Um dos pontos mais importantes do programa é que ele não mira qualquer tipo de habitação. Os edifícios escolhidos pertencem ao parque público de arrendamento, e o projeto foi desenhado para criar casas de perfil social, destinadas a reforçar a oferta para grupos mais vulneráveis.

Isso muda o peso da proposta. Não se trata apenas de aumentar o número de imóveis disponíveis, mas de atacar um déficit habitacional com recorte social bem definido. Se a iniciativa avançar como planejado, a oferta desse tipo de moradia pode triplicar na região, que hoje conta com 937 unidades ocupadas e outras 253 em construção.

Como será possível construir sem mexer no solo

Para viabilizar essas novas casas, o País Basco se apoia em dois pilares. O primeiro é um modelo de construção industrializada com módulos pré fabricados, apontado pelo próprio governo como uma solução capaz de reduzir prazos e custos.

O segundo pilar é regulatório. A estratégia se apoia na Lei 3/2015 sobre Habitação e na Lei 6/2025 sobre Medidas Urgentes em Planejamento Urbano.

Na prática, isso permite aprovar habitações sociais em determinados lotes residenciais públicos sem a necessidade de alterar o plano diretor. É justamente essa combinação entre arquitetura e legislação que dá tração ao projeto.

O que torna a proposta tão chamativa

A força da iniciativa está no fato de ela responder a um problema real com uma solução urbana direta. Em cidades onde o terreno disponível já é escasso, construir para cima parece uma saída mais rápida do que esperar por grandes expansões ou longas revisões urbanísticas.

Além disso, essas casas surgem em áreas já urbanizadas, o que evita a necessidade de abrir novos espaços em zonas onde o solo disponível praticamente desapareceu.

O plano também tenta escapar de parte da burocracia que costuma atrasar grandes projetos residenciais. É uma resposta prática a uma crise que não para de crescer.

A ideia existe só no País Basco?

Não. A lógica de aumentar a altura dos edifícios para criar mais moradias já apareceu em outros pontos da Espanha. Barcelona, por exemplo, já concedeu autorizações para elevar prédios residenciais. Palma também seguiu uma linha semelhante.

Outro exemplo citado é Valência, onde foi discutida a possibilidade de rever regras urbanísticas para permitir mais altura e reforçar a oferta habitacional.

Embora a proposta não tenha avançado, ela mostrou o potencial dessa estratégia. Segundo os autores da ideia, um único andar adicional poderia gerar dezenas de milhares de moradias.

Nem tudo é vantagem na expansão vertical

Apesar do potencial, o modelo não é visto como solução perfeita. Construir mais casas no mesmo espaço significa aumentar a densidade urbana, e isso pode pressionar bairros que já convivem com falta de infraestrutura, serviços públicos e áreas livres.

É citado esse receio em lugares como Madri, onde propostas de intensificação urbana despertaram desconfiança entre moradores.

A crítica é simples: sem reforço em serviços, mobilidade e equipamentos públicos, colocar mais gente em áreas já cheias pode apenas transferir o problema de lugar. Ganhar apartamentos não resolve tudo quando a cidade não acompanha esse crescimento.

O que o caso do País Basco revela

A experiência do País Basco mostra como a crise habitacional tem forçado governos a buscar soluções mais ousadas. Quando quase todo o espaço urbano já está ocupado, os telhados deixam de ser apenas cobertura e passam a ser vistos como reserva construtiva.

Ao apostar em casas erguidas sobre prédios públicos, a região tenta unir rapidez, foco social e aproveitamento inteligente da cidade que já existe.

Ainda há desafios pela frente, mas o plano revela uma mudança de mentalidade importante: em vez de expandir para fora, a saída pode ser reorganizar o que já está de pé.

Você moraria em casas construídas sobre o telhado de prédios públicos se isso significasse aluguel social e melhor acesso à moradia?

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Carla Teles

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