Quem roda com caminhão Scania vai ter mais lugar para fazer manutenção a partir de 2027: a montadora vai investir R$ 100 milhões para abrir 20 pontos de atendimento, e pelo menos metade deles será montada dentro da própria operação do cliente, com mecânico, ferramenta e peça no pátio da frota
O plano foi apresentado por Fernando Valiate, diretor de serviços da Scania, na coletiva que a marca fez antes da Fenatran, segundo reportagem da AutoData publicada em 16 de outubro.
O dinheiro será aplicado ao longo de 2027. Além das 20 casas novas, a rede vai mexer em outras 20 a 30 unidades que já existem, com melhorias, mudanças de endereço ou ampliação do que cada uma atende.
As cidades que vão receber os novos pontos não foram divulgadas. A montadora informou apenas o critério que vai usar para escolher onde abrir cada um deles.
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Rede sai de 270 pontos e chega a 290, número recorde da marca
Hoje a Scania tem 270 pontos de atendimento no Brasil. Desse total, 130 já funcionam como oficinas dedicadas, instaladas dentro das operações de clientes.
Com as 20 unidades previstas, a rede chega a 290 pontos, o maior número da história da marca no país, segundo a AutoData.
O número coincide com um aniversário. Em 2027, a Scania completa sete décadas de operação no Brasil, o mesmo ano em que a rede deve chegar aos 290 endereços.
Isso quer dizer que quase metade da rede atual, 130 de 270 endereços, já fica dentro de operações de clientes. O plano de 2027 aprofunda um caminho que a marca vem trilhando há alguns anos.
O ritmo não é novo. “Estamos crescendo nos últimos três anos na média de vinte a trinta pontos por ano”, disse Valiate.

Metade das casas novas vai funcionar dentro da garagem do frotista
O ponto central do plano é o chamado serviço dedicado. “O principal alicerce deste plano são os serviços dedicados”, afirmou o diretor de serviços da montadora.
Na prática, a Scania instala uma estrutura de manutenção dentro da operação do cliente, com mecânicos, ferramentas e peças. Em vez de o caminhão ir até a concessionária, a oficina fica onde a frota já está estacionada.
Pelo menos metade dos 20 novos pontos seguirá esse modelo. Ou seja, no mínimo dez transportadoras ou operações vão ganhar uma oficina da marca no próprio pátio em 2027.
Menos tempo parado, menos deslocamento e menos fila de agendamento
Segundo a montadora, o modelo reduz o tempo em que o motorista fica parado esperando a manutenção. Também corta o custo de levar o caminhão até a oficina e diminui as filas de agendamento.
Para quem vive de frete, caminhão parado é dinheiro que não entra. A Scania argumenta que, somados, esses ganhos reduzem o custo operacional total do cliente.
Fico imaginando o efeito disso numa transportadora que roda dia e noite: uma revisão feita no pátio, entre uma viagem e outra, devolve horas de estrada que antes ficavam na fila da concessionária.
Telemetria vai dizer onde abrir cada nova unidade
A escolha dos endereços não será feita só por mapa de vendas. A marca vai usar dados de telemetria da frota conectada para identificar as rotas de maior circulação e as lacunas de cobertura da rede.
“Como os veículos estão conectados sabemos onde eles estão rodando”, explicou Valiate. Dessa forma, a rede tende a crescer onde os caminhões realmente passam, e não apenas onde estão os grandes centros.
Por isso, rotas com muito tráfego de caminhões Scania e pouca oficina por perto devem aparecer primeiro na lista. A empresa, porém, não antecipou quais regiões estão nesse grupo.

Mais 20 a 30 casas antigas vão passar por reforma ou mudança
O investimento de R$ 100 milhões não vai só para endereços novos. Entre 20 e 30 unidades que já atendem clientes vão receber melhorias, realocações ou ampliação de escopo.
Ampliar o escopo significa que um ponto pode passar a fazer serviços que hoje não faz. A AutoData não detalhou quais casas entram nessa lista nem quais serviços serão incluídos.
Contrato de manutenção vai cobrir motor e câmbio por até cinco anos
Junto com a rede, a Scania mexeu no contrato de manutenção. O plano intermediário Scania Pro Professional passa a incluir cobertura estendida do trem de força por até cinco anos.
A cobertura vale para motor, caixa de transmissão, diferencial e sistema de pós-tratamento. A montadora apresentou o benefício como inédito no mercado brasileiro de caminhões.
De acordo com a marca, a mudança responde a dois fatores. Os caminhões estão ficando mais tempo nas frotas, e a qualidade do combustível varia bastante de uma região para outra do país.
Na Fenatran, a meta é vender ao menos 3 mil caminhões
O anúncio da rede faz parte do pacote que a Scania leva à Fenatran, marcada para 9 a 13 de novembro no São Paulo Expo, na capital paulista.
A marca pretende vender pelo menos 3 mil caminhões durante a feira. É lá que estreia o novo motor de 11 litros, e quem acompanha a linha pode ver os detalhes do novo G430 de 11 litros da Scania.
O que muda para quem depende do caminhão rodando
Para o dono de frota, a conta é simples. Mais pontos de atendimento e oficinas dentro da operação significam menos quilômetros rodados só para fazer manutenção.
Se a meta for cumprida, a Scania vai fechar 2027 com mais oficinas dedicadas do que tinha no começo do ano, somando pelo menos dez às 130 atuais. A localização de cada uma vai seguir os dados de telemetria da frota.
Para o motorista, a mudança aparece no tempo de espera. Contudo, o efeito real só vai poder ser medido quando as cidades forem anunciadas e as unidades começarem a funcionar ao longo de 2027.
E na sua rota, falta oficina de caminhão por perto ou a manutenção já é fácil de encaixar entre uma viagem e outra?
