A Invest RS abrirá representação permanente na China para atrair investimentos e ampliar negócios do Rio Grande do Sul. Em 2025, o Estado exportou US$ 5,1 bilhões ao mercado chinês, enquanto o comércio bilateral somou US$ 39 bilhões desde 2021, com foco em energia, automóveis, semicondutores e serviços digitais estratégicos.
O Rio Grande do Sul ampliará sua presença econômica na China com a abertura de uma representação permanente da Invest RS, agência de desenvolvimento responsável por atrair investimentos e promover empresas gaúchas. A estrutura pretende criar um canal contínuo com investidores, companhias e instituições financeiras chinesas e aproximar novos projetos do Estado.
As informações foram publicadas pelo Brasil 247 em 24 de agosto de 2026. O lançamento ocorrerá durante uma missão da Invest RS à China, com agendas em Xangai e Pequim e um evento marcado para 25 de agosto com representantes de empresas e instituições brasileiras e chinesas.
Representação permanente busca acompanhar decisões de investimento na China
A estratégia vai além de manter presença institucional no país asiático. A Invest RS pretende construir uma interlocução permanente com empresas, investidores e instituições capazes de direcionar capital para novos projetos no Rio Grande do Sul.
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Rafael Prikladnicki, presidente da agência, afirma que atração de investimentos depende de presença, relacionamento e continuidade. Para ele, estar próximo dos locais onde as decisões são tomadas pode tornar o Estado mais competitivo na disputa internacional por capital.
Invest RS começou a operar em dezembro de 2024

A agência iniciou suas operações em dezembro de 2024 e, desde então, intensificou a atuação do Estado em centros econômicos considerados estratégicos.
A Invest RS já realizou diversas missões à China e também criou uma estrutura em São Paulo para se aproximar de investidores, instituições financeiras e empresas com capacidade de decidir sobre novos empreendimentos.
China é o maior destino das exportações do Rio Grande do Sul
A China ocupa posição central na estratégia internacional gaúcha porque é o maior destino das exportações do Estado, com destaque para produtos ligados ao agronegócio.
O planejamento trabalha ainda com a expectativa de que o país asiático se consolide nos próximos anos como a principal origem de investimento estrangeiro direto no Brasil, abrindo novas oportunidades para projetos no Rio Grande do Sul.
Estratégia combina atração de capital e ampliação das exportações
A atuação foi dividida em duas frentes complementares.
A primeira busca atrair investimentos chineses para o Rio Grande do Sul. A segunda pretende ampliar as possibilidades de empresas gaúchas venderem seus produtos para o mercado chinês.
Energia, automóveis e semicondutores estão entre os setores prioritários
Na atração de investimentos, a Invest RS pretende concentrar os primeiros esforços em setores nos quais identifica convergência entre a capacidade produtiva gaúcha e o processo de internacionalização das companhias chinesas.
Entre os segmentos selecionados estão energia, indústria automotiva, semicondutores e serviços digitais. Na área comercial, o agronegócio permanece em posição de destaque, especialmente com grãos e proteínas animais.
Expointer será usada para aproximar empresas gaúchas e chinesas
A data da missão foi conectada também ao calendário econômico do Rio Grande do Sul.
A estratégia prevê aproveitar o período da Expointer para ampliar a interlocução entre empresas e entidades gaúchas e parceiros chineses, criando novas oportunidades de relacionamento comercial e institucional.
Relação com banco asiático já envolve operação de US$ 300 milhões
O Estado também vem aprofundando relações com instituições financeiras internacionais, entre elas o Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), banco multilateral sediado em Pequim.
Uma operação de US$ 300 milhões foi aprovada em outubro de 2025 dentro das tratativas entre o BRDE e o AIIB. Desse total, US$ 100 milhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, principalmente para reconstrução e retomada econômica após os eventos climáticos que atingiram o Estado.
Recursos poderão financiar infraestrutura, energia e resiliência climática
O financiamento integra o Programa de Desenvolvimento e Resiliência para a Região Sul e contempla projetos públicos e privados ligados à recuperação econômica e ao comércio baseado em exportações.
As frentes incluem transição energética, energia renovável, infraestrutura sustentável, mobilidade urbana, gestão de cheias, transporte e projetos de resiliência climática nos setores público e privado.
Operação com AIIB está nas etapas finais no Brasil
Pelo modelo definido, o AIIB delega ao BRDE responsabilidades de seleção, avaliação, aprovação e acompanhamento dos subprojetos locais, seguindo os critérios socioambientais estabelecidos.
A operação aprovada em outubro de 2025 já recebeu, no Brasil, o aval da Comissão de Financiamento Externo (Cofiex) e estava nas etapas finais de tramitação junto à Secretaria do Tesouro Nacional.
Brasil recebeu US$ 6,1 bilhões em investimento chinês em 2025
O movimento gaúcho ocorre em meio à expansão dos investimentos chineses no Brasil.
Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, o país foi em 2025 o principal destino global do investimento estrangeiro direto chinês, concentrando 11% dos investimentos externos do país asiático. O volume chegou a US$ 6,1 bilhões, maior nível desde 2017 e crescimento de 369% desde 2022.
Rio Grande do Sul acumulou 20 projetos chineses desde 2007
O Estado aparece entre os destinos brasileiros que já receberam projetos de empresas chinesas.
No acumulado entre 2007 e 2025, o Rio Grande do Sul ficou na sexta posição nacional em número de projetos de investimento chinês, com 20 iniciativas. Apenas em 2025, foram quatro novos projetos, colocando o Estado em sétimo lugar naquele ano.
Comércio bilateral chegou a US$ 39 bilhões entre 2021 e 2025
A relação comercial entre Rio Grande do Sul e China já movimenta cifras bilionárias.
Entre 2021 e 2025, o comércio bilateral somou US$ 39 bilhões. A China é o principal parceiro comercial gaúcho desde 2013 e o maior destino das exportações do Estado desde 2008.
Exportações gaúchas para a China atingiram US$ 5,1 bilhões em 2025
Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou US$ 5,1 bilhões para o mercado chinês.
O valor foi quase três vezes superior aos US$ 1,7 bilhão exportados aos Estados Unidos, segundo maior destino naquele ano. O Rio Grande do Sul também mantém superávit comercial com a China desde pelo menos 1997.
Soja respondeu por 69% do valor vendido aos chineses
A soja liderou com ampla margem as exportações gaúchas destinadas à China em 2025.
O produto respondeu por 69% do valor embarcado. Tabaco, pastas químicas de madeira e carne bovina completaram os principais itens da pauta e, juntos, representaram outros 22%.
Invest RS já promoveu ações comerciais em 25 países
A abertura da representação chinesa integra uma estratégia de internacionalização mais ampla.
Desde o início das operações, a Invest RS já realizou ações de promoção comercial em 25 países, aproximando empresas gaúchas de potenciais parceiros e investidores e apresentando oportunidades existentes no Estado.
Fundo Estratégico prevê R$ 5 bilhões e pode mobilizar R$ 25 bilhões
Outra frente planejada é o Fundo Estratégico do Rio Grande do Sul, apresentado na Semana do Brasil de Nova York.
O projeto prevê inicialmente cerca de R$ 5 bilhões em recursos estaduais e deverá funcionar como mecanismo para atrair capital adicional de bancos de desenvolvimento, instituições multilaterais e investidores privados. A ambição é alavancar em até cinco vezes o capital inicial e mobilizar potencialmente R$ 25 bilhões.
Presença permanente na China passa a integrar estratégia por novos projetos
A abertura da representação chinesa reúne três frentes adotadas pela Invest RS: presença internacional, desenvolvimento de instrumentos financeiros e aproximação direta com investidores.
O objetivo é tornar o Rio Grande do Sul mais competitivo na disputa por novos projetos, especialmente em transição energética, indústria automotiva e metalmecânica, máquinas agrícolas, saúde, semicondutores, tecnologia, serviços digitais e atividades relacionadas ao agronegócio.
Prikladnicki afirma que o Estado decidiu assumir postura mais ativa na atração de capital, apresentando ativos e construindo soluções para investidores nos mercados onde os recursos são alocados. A nova estrutura na China passa a ser uma das principais ferramentas dessa estratégia.
Na sua opinião, quais setores deveriam receber prioridade na atração de investimentos chineses para o Rio Grande do Sul: energia, indústria automotiva, semicondutores, serviços digitais ou infraestrutura? Deixe sua opinião nos comentários.

