Início Restrições externas ao petróleo da Rússia intensificam o desejo do país em criar o seu próprio preço de referência para o combustível

Restrições externas ao petróleo da Rússia intensificam o desejo do país em criar o seu próprio preço de referência para o combustível

18 de julho de 2022 às 17:00
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foto: reprodução pixabay

A Rússia já vinha, há mais de uma década, tentando criar o seu próprio preço de referência para o petróleo e, com a guerra na Ucrânia e as sanções ocidentais, essa necessidade foi amplificada

Diante de uma série de sanções impostas pelos EUA e seus aliados ao petróleo vindo da Rússia, devido à guerra na Ucrânia, o governo russo resolveu traçar um plano para a criação de seu próprio preço de referência para o combustível, numa tentativa de contornar as restrições sofridas.

Sob esse viés, os principais ministérios russos, produtores domésticos de petróleo e o banco central do país pretendem lançar, já no mês de outubro, uma plataforma de negociação de petróleo, conforme documento acessado pelo noticiário Bloomberg News. 

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Assim, a Rússia tentará, de acordo com o plano, atrair parceiros internacionais que comprem o petróleo através de seu novo mercado, a fim de alcançar volumes de negociação grandes o suficiente para o estabelecimento de uma referência de preços entre os meses de março e julho do próximo ano.

Há mais de uma década, a Rússia já vinha realizando tentativas de criar a sua própria referência de petróleo, porém obteve pouco sucesso. Nesse sentido, alguns dos produtores do país têm vendido lotes de petróleo voltados à exportação na bolsa de commodities Spimex, em Moscou, todavia os volumes comercializados não atingiram valor alto o suficiente para estipular uma referência aceita globalmente.

Ambições da Rússia são ampliadas desde que os países do G7 entraram em acordo para a imposição de um teto ao preço do petróleo russo

Após a invasão da Ucrânia ocasionar múltiplas restrições ocidentais ao petróleo russo, as ambições do país se intensificaram ainda mais. No último mês, as nações do G7 concordaram em, urgentemente, concentrar esforços para a diminuição da receita de petróleo de Moscou, mediante a imposição de um teto ao preço.

O principal petróleo de exportação da Rússia é denominado Urals, sendo normalmente comprado e vendido a um preço reduzido em relação ao petróleo tipo Brent, que é referência mundial. Desde a invasão, porém, o desconto sobre o valor do Urals teve aumento significativo, à medida que as sanções tornaram os barris russos menos atrativos.

Ainda assim, o rali mais amplo dos preços globais permitiu que o fluxo de petrodólares para os cofres do Kremlin tenha permanecido elevado e inabalável.

Autoridades russas discorrem a respeito da criação de uma referência de preço independente

Segundo duas autoridades russas, que falaram sob condição de anonimato, o trabalho para a criação de uma referência de preço nacional está em andamento, e o objetivo do país é garantir que o seu petróleo possa ser vendido sem qualquer pressão ou restrições externas. Uma das autoridades completou, ainda, que a proposta do G7 apenas reafirmou a necessidade de uma referência russa independente.

Além do mais, um executivo de uma produtora de petróleo russo, que também resolveu preservar a sua identidade, confirmou a ocorrência de discussões sobre um benchmark.

O documento demonstra que a proposta está ainda em estágio inicial, e que ainda é necessário que os órgãos governamentais determinem se a Rússia precisa de marcos legais adicionais para o comércio de petróleo na plataforma.

O Ministério de Energia da Rússia não concedeu resposta imediata a um pedido de comentário do site Bloomberg.

Leia também esta matéria: G7 promete deixar de importar petróleo da Rússia

Para a Casa Branca, a atitude do G7 de privar a importação do petróleo da Rússia trará um impacto negativo na economia do presidente Vladimir Putin e o privará do financiamento necessário para apoiar seu esforço de guerra.

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