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País gasta milhões para conter mexilhões que entopem tubulações, forçam limpezas arriscadas, derrubam a vazão da água e geram um custo oculto que se repete todo ano, mesmo longe dos olhos do consumidor

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/01/2026 às 15:30
Assista o vídeoReino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.
Reino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.
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Custo pouco visível pressiona sistemas de abastecimento, obriga manutenções frequentes e expõe impacto contínuo de espécies invasoras sobre infraestrutura crítica, eficiência operacional e planejamento financeiro do setor de água no Reino Unido.

A indústria de água do Reino Unido gasta mais de £8 milhões por ano para lidar com espécies invasoras que comprometem infraestrutura, incluindo mexilhões que se fixam em estruturas submersas e podem entupir tubulações e reduzir a vazão em captações e redes internas.

Embora esse custo pese no dia a dia operacional, ele costuma ficar fora do radar de quem só percebe o abastecimento quando há interrupção ou aumento de tarifa.

Ao longo do tempo, o problema ganhou outra escala à medida que diferentes sistemas hídricos passaram a registrar colonizações capazes de mudar rotinas técnicas.

Mexilhões invasores, como o mexilhão-zebra, formam colônias densas sobre superfícies duras.

Na prática, isso significa acúmulo em grades de tomada d’água, túneis, válvulas, tubulações e componentes de estações de tratamento, com obstrução gradual e perda de eficiência do fluxo.

Custos operacionais recorrentes no setor de abastecimento de água

Na conta anual citada por entidades do setor, o gasto se repete porque a remoção pontual não impede a recolonização.

A Water UK, que representa empresas do setor, já registrou em comunicado que a indústria investe mais de £8 milhões por ano para enfrentar animais e plantas invasores que danificam infraestrutura e pressionam a operação cotidiana.

Já em materiais ligados à Universidade de Cambridge, a estimativa de £8 milhões por ano aparece associada ao impacto de tubulações obstruídas por mexilhão-zebra e ao esforço para desobstruí-las com métodos menos perigosos.

Reino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.
Reino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.

Uma das comunicações acadêmicas sobre testes de uma tecnologia chamada BioBullets também descreve que o método vinha sendo avaliado por sete companhias de água, em ensaios voltados a reduzir obstruções em canos.

O efeito econômico, para quem opera sistemas de abastecimento, não se resume a um evento isolado.

Quando a espécie se espalha por rios, lagos e reservatórios, as ocorrências se distribuem e deixam de ser tratadas como exceção.

Assim, cada ponto de captação com histórico de infestação tende a exigir monitoramento mais frequente, inspeções e intervenções recorrentes, porque os organismos voltam a se fixar após limpezas.

Impacto dos mexilhões invasores na vazão e na eficiência dos sistemas

O ponto mais sensível, em geral, está onde a infraestrutura conversa diretamente com o ambiente.

Captações, grades e telas funcionam como a primeira barreira física antes da água seguir para transporte e tratamento.

Mexilhões podem se prender a essas superfícies e criar camadas que restringem a passagem.

Com a vazão reduzida, sistemas de bombeamento e transporte precisam operar fora do ideal, o que exige ajustes de engenharia e pode elevar custos de manutenção e energia.

Por outro lado, o trabalho de remoção não é uma simples limpeza rotineira.

Intervenções em áreas submersas, ambientes confinados ou estruturas críticas exigem protocolos de segurança, planejamento de interrupções e coordenação para evitar riscos adicionais.

Mesmo quando não há paralisações longas, o gasto aparece em horas de equipes técnicas, uso de equipamentos, logística, descarte do material retirado e, em alguns casos, necessidade de repetir o procedimento ao longo do ano.

Enquanto isso, parte do peso financeiro fica oculta na operação diária, porque não se apresenta como obra nova ou expansão de rede.

Trata-se de despesa contínua para manter o funcionamento de um serviço que, para o público, deveria simplesmente ocorrer sem ruído.

Essa característica faz o tema ganhar relevância, já que a pressão sobre sistemas essenciais surge do acúmulo de custos pequenos, mas permanentes.

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Espécies invasoras e prejuízo econômico no Reino Unido

O custo anual do setor de água é apenas um recorte de um problema mais amplo.

No Reino Unido, comunicações e documentos públicos frequentemente citam que o impacto econômico de espécies invasoras no país foi estimado em mais de £1,8 bilhão por ano.

Um briefing do Parlamento britânico destaca que essa estimativa foi calculada em 2010, ao discutir os efeitos ambientais e econômicos dessas espécies.

Em outra frente, comunicados do governo britânico sobre a descoberta e o monitoramento do mexilhão-quagga também mencionam o custo geral das invasoras para a economia.

Esses materiais apontam, de forma direta, o risco de entupimento de canos e impactos na qualidade da água.

A abordagem oficial enfatiza a necessidade de monitoramento e cooperação para evitar a disseminação e reduzir danos.

Vale notar que o número de £1,8 bilhão não se refere apenas a mexilhões.

Ainda assim, ele ajuda a contextualizar por que o tema é tratado como questão de gestão pública e infraestrutura, além de biodiversidade.

Ao atingir setores como utilidades, transporte e abastecimento, a pressão passa a ser econômica e operacional, com reflexo em planejamento e custos de longo prazo.

Tecnologias de controle e desafios de prevenção

Reino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.
Reino Unido gasta £8 milhões por ano para conter mexilhões invasores que entopem tubulações e reduzem a vazão no abastecimento de água.

Para o setor de água, a contenção envolve tanto tecnologia quanto governança.

Algumas soluções buscam reduzir a fixação dentro de tubulações ou eliminar colônias já estabelecidas, levando em conta requisitos ambientais e o tipo de ativo.

No caso dos BioBullets, a Universidade de Cambridge descreve uma tecnologia desenvolvida para atuar em tubulações com mexilhão-zebra.

Os testes foram realizados em parceria com companhias de água do Reino Unido e tiveram como foco reduzir custos e riscos de métodos alternativos.

Além das ferramentas de controle, a prevenção aparece como eixo central porque a dispersão pode ocorrer com ajuda involuntária de atividades humanas.

Quando uma espécie se estabelece em um novo corpo d’água, reverter totalmente o quadro tende a ser difícil.

Por isso, protocolos de limpeza, inspeção e cuidados para evitar a transferência entre sistemas costumam integrar as estratégias públicas de enfrentamento.

Mesmo com ações coordenadas, o cenário que se desenha para operadores é o de um custo recorrente e permanente.

Monitorar, intervir, reduzir riscos e repetir o ciclo passa a fazer parte da rotina para manter a água chegando às torneiras dentro dos parâmetros exigidos.

Esse gasto, por ser operacional e contínuo, nem sempre é percebido fora do ambiente técnico, embora esteja diretamente ligado à eficiência do sistema.

Se o combate a mexilhões invasores já se consolidou como despesa anual para manter a água circulando sem obstruções, até que ponto redes de abastecimento conseguem absorver esse custo repetido antes que o consumidor perceba o impacto no serviço e na conta?

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Misael
Misael
08/02/2026 08:40

É comestíveis?

Flávio Fernandes
Flávio Fernandes
07/01/2026 22:38

Já temos um tratamento físico e sem nenhum tipo de dano ao meio ambiente, empresa BRASILEIRA TEM A TECNOLOGIA E JA TRABALHA EM DIVERSAS USINAS HIDRELÉTRICAS NO COMBATE AO MEXILHÃO DOURADO (LGM ENGENHARIA E TECNOLOGIA D’ÁGUA) COM SEDE EM BSB.

Rafael Pereira Batista
Rafael Pereira Batista
07/01/2026 22:17

Nós da LGM engenharia e tecnologia d’água já operamos a anos, em várias frentes de trabalho, seja companhias de água ou UHE’s em todo território nacional, com um equipamento eficiente e que não gera resíduos para os sistemas

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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