Parceria entre ERI e Cyclic Materials combinará triagem por inteligência artificial e refino no Arizona para reaproveitar componentes descartados e ampliar o fornecimento interno de minerais críticos aos Estados Unidos diante dos riscos de abastecimento
Em 21 de julho de 2026, a ERI e a Cyclic Materials anunciaram uma parceria estratégica global para ampliar a reciclagem de terras raras nos Estados Unidos, recuperando materiais presentes em milhões de laptops, discos rígidos de servidores, motores elétricos e outros equipamentos descartados, segundo o comunicado oficial da Cyclic Materials
Reciclagem de terras raras começa com triagem por inteligência artificial
Como mostoru o IE, a iniciativa pretende formar uma das maiores redes de recuperação de terras raras da América do Norte, reunindo a capacidade nacional de coleta da ERI e as tecnologias de recuperação e refino da Cyclic Materials.
A ERI processa mais de 450 toneladas de lixo eletrônico diariamente em oito instalações nos Estados Unidos. A empresa utiliza sistemas próprios de triagem baseados em inteligência artificial para separar sucata rica em ímãs com elevados níveis de pureza.
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Esse material selecionado será encaminhado para as instalações da Cyclic Materials em Mesa, no Arizona. O centro possui capacidade para processar anualmente 25 mil toneladas de componentes que chegaram ao fim da vida útil.
A operação recupera terras raras pesadas e metais industriais, como cobre e alumínio. A comercialização inicial abrangerá várias categorias de produtos que contêm ímãs.
“Juntos, estamos criando um novo fornecimento de terras raras, desbloqueando materiais que já estão em circulação e recirculando-os na cadeia de suprimentos”, afirmou Ahmad Ghahreman, CEO e fundador da Cyclic Materials.
Estados Unidos produzem 7 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano
Os Estados Unidos são o segundo maior produtor mundial de lixo eletrônico, atrás da China, com aproximadamente 7 milhões de toneladas geradas anualmente.
Apesar desse volume, apenas uma parcela dos aparelhos descartados é coletada e reciclada formalmente. Grande parte acaba em aterros sanitários ou incineradores devido à lacuna existente na infraestrutura de recuperação.
A parceria busca aproveitar materiais que já estão em circulação no país. Segundo as empresas, colocar uma nova mina de terras raras em funcionamento exige entre 10 e 15 anos de licenciamento e construção.
A reciclagem, por sua vez, pode liberar materiais nacionais em questão de meses. A iniciativa procura atender fabricantes que enfrentam dificuldades para encontrar fontes internas desses minerais.
Concentração do refino aumenta preocupação com abastecimento
A China controla a maior parte da capacidade mundial de refino de terras raras. Essa concentração representa um risco de abastecimento para empresas de defesa, fabricantes de veículos elétricos e centros de dados que desenvolvem equipamentos de inteligência artificial.
Controles chineses recentes sobre o licenciamento das exportações de terras raras pesadas, como disprósio, térbio e ítrio, também ampliaram a preocupação de diferentes setores com a cadeia de suprimentos.
Ao recuperar materiais encontrados dentro dos Estados Unidos, a parceria pretende criar um sistema de ciclo fechado. O projeto busca reduzir a exposição a tensões comerciais e ampliar o fornecimento nacional de minerais críticos.
“É uma honra firmar parceria com a Cyclic para que possamos trazer novos níveis de eficiência ao fechamento do ciclo de minerais críticos”, declarou John Shegerian, presidente e CEO da ERI.
Empresas buscarão contratos comerciais e governamentais
A ERI e a Cyclic Materials trabalharão conjuntamente na identificação de oportunidades comerciais, licitações governamentais e solicitações de propostas.
Essas ações serão direcionadas à expansão da infraestrutura circular de materiais críticos. A rede combinará coleta, separação, recuperação e refino para processar, em grande volume, produtos descartados que contenham ímãs.
