Governo congolês denuncia ofensiva com bombas e drones, atribui ações ao M23 com apoio externo e afirma que envio de tropas ruandesas ameaça ampliar crise humanitária

A República Democrática do Congo acusou a Ruanda de provocar a morte de mais de 1.500 civis no leste do país em apenas um mês. Segundo Kinshasa, as mortes ocorreram desde o início de dezembro, período marcado por uma nova ofensiva do M23. O governo congolês sustenta que o grupo atua com apoio direto de Kigali.
A informação foi divulgada por comunicado oficial do governo congolês, publicado na quarta-feira (31). Conforme o documento, as operações envolveram uso combinado de bombas e drones kamikaze, empregados em áreas densamente povoadas das províncias orientais do país. Por isso, as autoridades classificaram os ataques como ato de agressão direta.
Além disso, o governo da RD Congo afirmou que Ruanda enviou três novos batalhões para a província de Kivu do Sul. Segundo o alerta, as tropas podem avançar em direção ao eixo de Kalemie, na província de Tanganyika, região estratégica para a economia nacional.
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Ofensiva do M23 desafia acordo de paz recente
A escalada da violência ocorreu poucos dias após a assinatura de um acordo de paz, mediado pelos Estados Unidos, firmado em 4 de dezembro entre os governos da RD Congo e de Ruanda. No entanto, apesar do entendimento diplomático, o M23 lançou uma ofensiva em 2 de dezembro, antes mesmo da consolidação do acordo.
Como resultado, o grupo tomou a cidade de Uvira em 10 de dezembro, provocando a fuga de dezenas de milhares de pessoas em direção ao Burundi. Assim, a crise humanitária voltou a se agravar rapidamente, com impacto direto sobre civis.
Caso o M23 avance para Tanganyika, passará a atuar em uma área central do antigo território de Katanga. Essa região possui grande importância para a mineração e para a arrecadação do Estado congolês. Por isso, autoridades temem efeitos econômicos e sociais ainda mais profundos.
Crise humanitária se intensifica no leste do Congo
Desde que retomou as armas em 2021, o M23 ocupa vastas áreas ricas em minerais no leste da RD Congo. Além disso, o grupo desloca populações, desestabiliza comunidades e amplia uma crise humanitária prolongada.
Após acusações de Washington de que Ruanda violou o acordo de paz, o M23 anunciou em 17 de dezembro que deixaria Uvira. No entanto, autoridades dos Estados Unidos e do Congo questionaram a veracidade da retirada. Moradores relataram à AFP que integrantes do grupo, à paisana, além de policiais, permaneceram na cidade.
No início da semana, o Exército congolês informou que retomou vilarejos ao redor de Uvira após confrontos diretos. A captura da cidade ocorreu quase um ano depois da tomada de Goma e Bukavu, capitais das províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, respectivamente.
Diante desse cenário, autoridades alertam que, sem pressão internacional efetiva, o conflito pode se expandir e aprofundar ainda mais o sofrimento da população civil.
Diante de um acordo de paz recente e tantas mortes de civis, até quando a comunidade internacional pode continuar assistindo a esse conflito sem agir de forma mais firme?
