A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, comprou frota própria para ligar duas refinarias a dois terminais no Paraná e no Rio Grande do Sul. A conta dá cerca de R$ 1,3 milhão por caminhão e 54 mil toneladas por mês, sem nenhum litro para posto.
A Transpetro vai colocar caminhões na estrada pela primeira vez. A subsidiária de logística da Petrobras investiu cerca de R$ 43 milhões em 33 caminhões-tanque para começar o transporte rodoviário de combustíveis em janeiro de 2027, informou a Tecnologística, com o comunicado da empresa, em 7 de outubro.
O contrato foi assinado com a própria Petrobras na última semana de setembro, segundo a Portos e Navios. A carga não é gasolina nem diesel de bomba. Os caminhões-tanque vão levar bunker e óleo combustível, o combustível pesado que abastece navios e indústrias.
Por que a Transpetro, dona de dutos e navios, vai usar caminhão?
Porque o trecho é curto. A Transpetro opera hoje 46 terminais, cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 32 navios, pelos números divulgados pela empresa à Tecnologística. Nada disso resolve bem a ponta final, a ligação de poucos quilômetros entre uma refinaria e um terminal.
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É aí que entra o transporte rodoviário. A Portos e Navios registra que as primeiras operações miram distâncias pequenas, “em que o transporte rodoviário se torna um modal mais eficiente”.
O presidente da Transpetro, Sergio Bacci, resumiu a ideia no comunicado reproduzido pela Tecnologística: o novo modal atende a conexão entre ativos do Sistema Petrobras e a chamada última milha.
Onde os 33 caminhões-tanque vão rodar
São duas rotas no Sul, ambas entre refinaria e terminal:
| Rota | Origem | Destino | Carga prevista por mês |
|---|---|---|---|
| Paraná | Repar, Araucária | Tepar, Paranaguá | 36 mil toneladas |
| Rio Grande do Sul | Refap, Canoas | Tenit, Canoas | 18 mil toneladas |
A rota paranaense desce da refinaria de Araucária até o porto, no litoral. A Tribuna do Paraná diz que o trajeto direto deve encurtar o tempo de deslocamento nesse trecho.
No Rio Grande do Sul, a refinaria e o terminal ficam na mesma cidade, Canoas, como informa a Tecnologística, na região metropolitana de Porto Alegre.
A conta dos R$ 43 milhões
Dividido pela frota, o investimento dá cerca de R$ 1,3 milhão por caminhão-tanque. A conta é simples: 43 milhões divididos por 33.
Somando as duas rotas, a previsão é de 54 mil toneladas por mês. Bacci fala em “mais de 50 mil toneladas” no comunicado, e a soma das duas estimativas fecha o número. Por caminhão, isso dá perto de 1.640 toneladas por mês.
O Paraná pesa mais na conta. A rota de Araucária a Paranaguá responde por dois terços de tudo o que a frota vai carregar.
Quem dirige e o que vai no tanque
A Transpetro é dona dos caminhões, mas não vai tocar a operação sozinha. A empresa fechou parceria com a Budel Transportes, especializada na gestão de cargas de combustíveis, segundo a Portos e Navios.
No tanque de cada caminhão vai Diesel R, o diesel da Petrobras com parte renovável de óleos vegetais ou gordura animal. O detalhe tem ironia geográfica: a Agência Petrobras informa que o Diesel R é produzido justamente na Repar, a refinaria de onde sai a rota paranaense.
O primeiro teste comercial do combustível foi em setembro de 2022, na Repar, com 5% de conteúdo renovável, segundo a mesma página da Petrobras.
O que muda no frete de combustíveis
Para o mercado de transporte rodoviário de combustíveis, quase nada por enquanto. O contrato atende exclusivamente à demanda da Petrobras, e a Transpetro não vai oferecer o serviço a distribuidoras ou a outras empresas agora.
Uma expansão para outras operações depende de avaliações de viabilidade técnica, operacional e econômico-financeira, diz o comunicado publicado pela Tecnologística. Não há data nem rota extra anunciada.
Também não há efeito direto no preço dos combustíveis na bomba. A carga é combustível de navio e óleo pesado, que não vai para posto, e nenhum dos textos divulgados fala em preço.
O que muda é quem faz o serviço: nesses dois trechos, a própria subsidiária passa a ser a transportadora da Petrobras, com frota comprada por ela.
A estrada é a terceira frente nova em pouco tempo
A Transpetro vem esticando o cardápio. Desde o fim de 2025, a empresa faz apoio marítimo e controle de emergências em áreas de exploração operadas por consórcios liderados pela Petrobras, de acordo com a Portos e Navios.
Ainda em 2026, a subsidiária prevê estrear a navegação interior, com barcaças para levar bunker dentro dos portos. A primeira operação será no Rio de Janeiro, com oferta depois em Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande, conforme a Tecnologística.
Paranaguá aparece duas vezes nessa lista: vai receber as barcaças e é o ponto final da rota dos caminhões-tanque. A cidade concentra as duas frentes novas da Transpetro no Sul.
A estratégia de diversificação foi confirmada por Bacci em entrevista ao BE News, em Brasília, durante o fórum Brasil Export 2026. A operação de transporte rodoviário com os caminhões-tanque começa em janeiro.
