Rita Owens era professora em Nova Jersey quando perdeu os sentidos diante dos alunos e recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Com esclerodermia, comprometimento pulmonar e necessidade permanente de oxigênio, contou com Queen Latifah, familiares, amigos e profissionais até morrer, em 2018
Rita Owens era professora em Nova Jersey quando perdeu os sentidos diante dos alunos e recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca. Com esclerodermia, comprometimento pulmonar e necessidade permanente de oxigênio, contou com Queen Latifah, familiares, amigos e profissionais até morrer, em 2018
Antes de se tornar porta-voz de campanhas sobre insuficiência cardíaca e apoio aos cuidadores, Queen Latifah viveu o problema dentro de casa. Sua mãe, Rita Owens, desmaiou enquanto trabalhava como professora e, após uma série de exames, descobriu uma doença cardíaca que mudaria a rotina da família pelos 13 anos seguintes.
Enquanto mantinha uma carreira dividida entre música, cinema e televisão, a artista acompanhou consultas, reorganizou compromissos, participou das decisões médicas e mobilizou parentes, amigos, enfermeiros e outros profissionais para garantir que a mãe estivesse sempre amparada.
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A experiência levou Queen Latifah a falar publicamente sobre os sintomas da insuficiência cardíaca, as limitações impostas pela doença e o esgotamento enfrentado por quem cuida de um familiar.
As informações foram divulgadas pela AARP, pela People e em entrevistas concedidas posteriormente pela artista sobre a rotina de cuidados.
Desmaio em sala de aula levou Rita Owens ao hospital
Rita Owens trabalhava como professora em uma escola de ensino médio de Nova Jersey, nos Estados Unidos. Acostumada a uma rotina ativa e ao contato diário com os estudantes, ela não imaginava que alguns sinais aparentemente comuns poderiam indicar um problema grave.
Fadiga, falta de ar e dificuldade para realizar determinadas tarefas surgiram antes do diagnóstico. Parte do desconforto chegou a ser associada ao envelhecimento e ao cansaço provocado pelo trabalho.
A situação mudou quando Rita perdeu os sentidos dentro da sala de aula. Ela foi levada ao hospital e passou por diferentes exames até que os médicos identificassem insuficiência cardíaca e apneia do sono.
Insuficiência cardíaca tornou até tarefas simples difíceis
A insuficiência cardíaca é uma condição crônica na qual o coração não consegue bombear sangue com eficiência suficiente para atender às necessidades do organismo.
Para Rita, o diagnóstico representou uma ruptura com a vida que mantinha. Atividades comuns, como varrer ou passar pano na casa, tornaram-se difíceis. Ela também deixou de ensinar e de sair para dançar, hábitos que faziam parte de sua independência.
Em entrevista à People, a professora contou que começou a se isolar e a pensar mais nas coisas que já não conseguia fazer. O apoio da filha, da família e da igreja ajudou a mudar essa perspectiva.
Medicamentos, dieta e desfibrilador passaram a fazer parte da rotina
O tratamento incluiu medicamentos, mudanças na alimentação e a implantação de um desfibrilador no peito, utilizado para controlar riscos relacionados ao funcionamento do coração.
Rita adotou uma dieta com pouco sal e gordura, além de maior presença de verduras. Mesmo com essas medidas, sua saúde exigia acompanhamento constante.
Queen Latifah passou a participar ativamente dessa rotina. Quando permanecia em Nova Jersey, ficava na casa da mãe e dividia as responsabilidades com parentes e uma enfermeira.
A artista afirmou que faria tudo ao seu alcance para assegurar que Rita estivesse confortável e tivesse o que precisasse.
Diagnóstico de esclerodermia ampliou os problemas de saúde
Além da insuficiência cardíaca, Rita recebeu, em 2013, o diagnóstico de esclerose sistêmica, também chamada de esclerodermia.
A doença autoimune pode provocar o endurecimento e a formação de cicatrizes em diferentes tecidos e órgãos. No caso da professora, houve comprometimento pulmonar, com dificuldade progressiva para respirar.
Rita também convivia com hipertensão pulmonar e precisava utilizar oxigênio 24 horas por dia. A perda de autonomia tornou a rotina ainda mais delicada e exigiu maior organização dos cuidadores.
Queen Latifah acompanhou períodos de internação, passagens pela unidade de terapia intensiva e as oscilações do quadro clínico da mãe.
Queen Latifah levou a mãe para Los Angeles durante trabalho na televisão
A distância entre os compromissos profissionais da artista e a residência de Rita se transformou em um dos principais desafios.
Queen Latifah viajava frequentemente para filmagens, apresentações e gravações. Durante um trabalho televisivo realizado na Califórnia, insistiu para que a mãe se mudasse temporariamente para Los Angeles.
A decisão permitiu que ela continuasse trabalhando sem ficar impossibilitada de chegar rapidamente até Rita. Quando apresentou melhora, a professora retornou para sua casa em Nova Jersey.
Mesmo distante, Queen Latifah começava o dia verificando como a mãe estava, perguntando se precisava de alguma coisa e acompanhando as necessidades médicas.

“Team Rita” reuniu familiares, amigos e profissionais
Embora Queen Latifah ocupasse papel central nos cuidados, ela não realizava todo o trabalho sozinha. A família criou uma rede chamada “Team Rita”, ou “Time Rita”, formada por parentes, amigos próximos e profissionais de saúde.
A prima Tina foi apontada pela artista como uma das principais integrantes da equipe, permanecendo com Rita em tempo integral durante fases mais delicadas.
O grupo organizava um revezamento para garantir que alguém estivesse sempre disponível. Essa estrutura também permitia que cada cuidador tivesse momentos de descanso.
Queen Latifah assumiu a coordenação da rede e recebeu dos familiares o apelido de “general”. Segundo ela, cuidar de alguém exige uma força que muitas pessoas só descobrem quando precisam enfrentar a situação.
Cinema, música e televisão continuaram durante os cuidados
Enquanto acompanhava a evolução das doenças da mãe, Queen Latifah manteve uma carreira consolidada como rapper, cantora, atriz e produtora.
A artista conciliou gravações, viagens e apresentações com telefonemas, consultas e decisões relacionadas ao tratamento. Ela contou que não teria continuado filmando se não tivesse certeza de que poderia chegar até Rita quando necessário.
O trabalho não eliminava a preocupação. Mesmo quando estava longe, a condição da mãe permanecia como prioridade.
A experiência também aprofundou a relação entre as duas. Queen Latifah afirmou que elas aprenderam a se conhecer de maneira diferente e desenvolveram uma ligação ainda mais forte depois do diagnóstico.
Desgaste emocional levou artista a reconhecer os próprios limites
A rotina de cuidados provocou momentos de exaustão. Queen Latifah admitiu que, em alguns dias, sentia vontade de desabar diante da impossibilidade de interromper a progressão das doenças.
Ao mesmo tempo, lembrava que Rita enfrentava diretamente as limitações físicas, os tratamentos e as internações.
Para manter o equilíbrio, a artista procurava dormir, caminhar, assistir a programas com a mãe e reservar pequenos períodos para si. Massagens e momentos de descanso também passaram a fazer parte da rotina das duas.
Segundo Queen Latifah, o cuidador precisa reconhecer quando está sobrecarregado. Uma pausa pode permitir que ele retorne às responsabilidades com mais disposição e clareza.
Experiência virou campanha contra a insuficiência cardíaca
Queen Latifah e Rita Owens decidiram tornar a história pública ao participar da campanha “Rise Above Heart Failure”, da American Heart Association.
A iniciativa divulgava sintomas da insuficiência cardíaca, formas de prevenção e maneiras de controlar a doença. A família acreditava que o conhecimento poderia levar outras pessoas a procurar atendimento antes do agravamento do quadro.
Em 2016, mãe e filha também participaram do “Red Steps Challenge”. A campanha incentivava o público a usar meias vermelhas, praticar atividades físicas e publicar imagens em apoio às pessoas com insuficiência cardíaca e aos familiares responsáveis pelos cuidados.
Queen Latifah declarou que a autorização da mãe foi indispensável para sua participação. Rita, que trabalhou durante anos como educadora, queria utilizar a própria experiência para ajudar pacientes que enfrentavam problemas semelhantes.
Documentário manteve a conscientização depois da morte de Rita
Rita Owens morreu em março de 2018, após anos convivendo com problemas cardíacos, esclerodermia e doença pulmonar intersticial.
Depois da perda, Queen Latifah continuou falando sobre a experiência familiar. Ela participou do documentário Beyond Breathless, dedicado aos pacientes, cuidadores e profissionais que lidam com doenças pulmonares intersticiais.
A artista explicou que inicialmente não queria expor uma fase tão dolorosa. No entanto, aceitou o projeto porque a mãe desejava compartilhar informações que pudessem beneficiar outras famílias.
Queen Latifah defende mais apoio para cuidadores familiares
Ao relembrar os anos dedicados à mãe, Queen Latifah passou a defender uma estrutura mais ampla de apoio aos cuidadores.
Para ela, nunca haverá assistência em excesso para pessoas que reorganizam a própria vida a fim de acompanhar um familiar doente. A artista também destacou programas que permitem remunerar parentes responsáveis por cuidados contínuos.
A jornada transformou um diagnóstico familiar em uma discussão pública sobre saúde, independência, trabalho e desgaste emocional.
Na sua opinião, empresas e governos deveriam oferecer mais apoio financeiro e psicológico a quem precisa conciliar o trabalho com os cuidados de um familiar doente? Deixe sua opinião nos comentários.
