Sob uma camada de pedras em Utah, pesquisadores estimaram gelo equivalente a cerca de 600 piscinas olímpicas. O estudo ajuda a medir reservas de água escondidas nas montanhas, mas sua contribuição anual aos rios ainda é incerta.
Uma camada de pedras esconde uma grande reserva de gelo no Monte Timpanogos, no estado americano de Utah. Ao medir essa geleira de rocha, pesquisadores estimaram um volume equivalente ao de cerca de 600 piscinas olímpicas.
O que há sob as pedras
A descoberta ajuda a medir uma reserva difícil de enxergar. Vistas da superfície, geleiras de rocha parecem depósitos de cascalho. Debaixo dos fragmentos, porém, há gelo que se desloca lentamente montanha abaixo.
A reportagem do Gizmodo, publicada em 21 de setembro, destacou a busca por essas reservas ocultas. O resultado central vem de um estudo científico publicado em agosto, que estimou o gelo no interior da formação de Timpanogos.
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Segundo os cálculos, o gelo ocupa aproximadamente 1,55 milhão de metros cúbicos. No núcleo examinado, sua fração é de 83%; os 17% restantes são rochas soltas. A espessura média estimada do gelo é de 18,8 metros.
Como os pesquisadores mediram as geleiras de rocha
A equipe fez 232 medições de gravidade sobre a formação e em seu entorno. Pequenas variações nesses registros permitiram construir um modelo tridimensional do gelo enterrado, cuja extensão e profundidade não podem ser determinadas apenas por imagens da superfície.
O trabalho de campo ocorreu em 2024. Antes de calcular o volume, os pesquisadores corrigiram as leituras para considerar fatores como relevo, altitude e posição do Sol e da Lua.
O Monte Timpanogos foi escolhido, entre outros motivos, pelo acesso e por sua história de observação. A formação já era conhecida como “geleira Timpanogos”, embora seja classificada pelos pesquisadores como geleira de rocha.
De onde vem o gelo enterrado
Um segundo estudo da equipe investigou como essas formações podem ganhar massa. Seu modelo indica que pedras desprendidas das encostas cobrem a neve acumulada e ajudam a preservá-la.
Esse acréscimo não ocorre de modo uniforme. A quantidade de neve, o derretimento e a queda de rochas variam de um ano para outro. O modelo mostra que a combinação desses processos pode acrescentar gelo à formação estudada mesmo em uma região que está aquecendo.
O alcance das estimativas
Usando os dados de Timpanogos e medições de outras dez geleiras de rocha, os autores calcularam uma relação entre a área dessas formações e o volume de gelo que armazenam. A partir dela, estimaram cerca de 48 bilhões de toneladas de água equivalente nas geleiras de rocha intactas do mundo.
É uma estimativa global, não uma medição direta de cada reserva. Os próprios pesquisadores ressaltam que ainda se conhece pouco sobre a quantidade de gelo nessas formações e sobre quanto dele derrete a cada ano e contribui para a água disponível a jusante.
