Projeto de mais de R$ 5 bilhões em Sergipe prevê extrair potássio sob o mar e produzir até 2 milhões de toneladas anuais para fertilizantes.
Um depósito mineral localizado a aproximadamente 2.500 metros abaixo do fundo do mar, na costa de Sergipe, poderá receber um projeto de mineração estimado em mais de R$ 5 bilhões, destinado à produção de cloreto de potássio, matéria-prima essencial para fertilizantes agrícolas. Segundo o Governo de Sergipe, em publicação de 16 de outubro de 2026, a South Atlantic Potash desenvolve uma proposta de mineração offshore com capacidade inicial projetada de 2 milhões de toneladas por ano. O empreendimento utiliza estudos sobre depósitos de sais sob o leito marinho e prevê uma tecnologia de extração diferente da mineração subterrânea convencional. A iniciativa ainda está em fase de estudos técnicos e licenciamento ambiental, sem início confirmado de produção comercial.
Projeto de mais de R$ 5 bilhões pretende explorar potássio no litoral de Sergipe
A South Atlantic Potash (SAP) está estruturando um empreendimento para aproveitar depósitos de potássio identificados na plataforma continental sergipana. A proposta faz parte das iniciativas acompanhadas pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), responsável por apoiar a atração de investimentos privados.
No relatório de gestão publicado em 2026, a agência estadual apresentou o projeto com investimento estimado superior a R$ 5 bilhões e capacidade prevista de produzir até 2 milhões de toneladas anuais de cloreto de potássio.
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O valor representa uma estimativa para implantação do empreendimento, não recursos já desembolsados. A efetivação dependerá da conclusão dos estudos de viabilidade, da estruturação financeira e das autorizações necessárias para a exploração.
Depósito mineral está localizado a 2.500 metros abaixo do fundo do mar
Os estudos apresentados pela South Atlantic Potash apontam a existência de depósitos de sais minerais na Bacia de Sergipe, em áreas marítimas relativamente próximas da costa.
Segundo informações técnicas divulgadas pela companhia em 2026, o projeto está localizado a menos de 30 quilômetros do litoral, em uma região onde a lâmina d’água possui aproximadamente 30 metros de profundidade.

O depósito de potássio investigado está situado a cerca de 2.500 metros abaixo do leito marinho. Essa profundidade corresponde à posição das camadas minerais e não à profundidade da água na região.
A empresa estuda o aproveitamento de formações salinas que incluem silvinita, mineral associado à produção de cloreto de potássio, e halita, utilizada na produção de sal.
Empresa planeja produzir 2 milhões de toneladas de cloreto de potássio por ano
A capacidade inicial planejada pela South Atlantic Potash é de 2 milhões de toneladas anuais de cloreto de potássio (KCl), produto utilizado na fabricação de fertilizantes potássicos.
A estimativa foi reafirmada pelo Governo de Sergipe na atualização de outubro de 2026, quando o estado apresentou suas principais iniciativas de mineração.
O planejamento empresarial considera uma operação inicial com vida útil estimada em aproximadamente 30 anos. A companhia também estuda a possibilidade de ampliar a capacidade ao longo do desenvolvimento do depósito.
Essas projeções dependem da comprovação da viabilidade econômica, da obtenção de licenças e da construção da infraestrutura de extração e beneficiamento.
Mineração utilizará poços para dissolver os sais existentes no subsolo
A principal característica tecnológica do empreendimento é a utilização de lavra por solução, método conhecido internacionalmente como solution mining.
Nesse sistema, poços são perfurados até as camadas de sais minerais, permitindo a circulação controlada de fluidos capazes de dissolver os minerais existentes no depósito.
A solução enriquecida com sais é posteriormente retirada pelos poços e direcionada a instalações industriais, onde passa por processos destinados à separação dos produtos.
A técnica é utilizada em projetos de mineração de sais em outros países, mas sua aplicação nas condições offshore propostas pela SAP ainda precisa passar pelas etapas de desenvolvimento e autorização.
A companhia contratou estudos especializados para avaliar a viabilidade técnica de aplicar o método na costa brasileira.
Projeto prevê plataformas marítimas e tubulação até uma unidade industrial em terra
A configuração apresentada pela South Atlantic Potash contempla estruturas offshore destinadas à perfuração e à operação dos poços de extração.
O planejamento inclui uma plataforma central de produção, conectada a instalações menores de operação dos poços. Essas estruturas permitiriam movimentar os fluidos utilizados no processo de mineração.
Depois da extração, a solução mineral seria transportada por uma tubulação submarina de aproximadamente 30 quilômetros até uma unidade de beneficiamento localizada em terra firme.
Na planta industrial, o material passaria por etapas de evaporação, cristalização e secagem para obtenção do cloreto de potássio.
O projeto também considera o aproveitamento de cloreto de sódio como coproduto, ampliando a quantidade de materiais que poderiam ser comercializados pela operação.
Estudos apontam grande depósito de silvinita no subsolo marítimo
A empresa apresentou informações sobre o alvo mineral denominado SES-3, investigado durante os estudos desenvolvidos para o empreendimento.
Segundo os dados divulgados pela South Atlantic Potash, a área analisada possui uma camada mineralizada com aproximadamente 27,5 metros de espessura e teor informado de 16,6% de cloreto de potássio.
A companhia também apresenta uma estimativa geológica de aproximadamente 3,5 bilhões de toneladas associada ao depósito estudado.
Esse volume precisa ser interpretado como parte das estimativas técnicas do projeto, e não como quantidade de fertilizante pronta para extração ou comercialização.
A transformação de recursos geológicos em reservas economicamente aproveitáveis depende de critérios técnicos, econômicos e regulatórios.
Brasil depende de importações para abastecer sua indústria de fertilizantes
O potássio é um dos principais nutrientes utilizados na agricultura, ao lado do nitrogênio e do fósforo. Sua aplicação contribui para o desenvolvimento das plantas e para diferentes processos relacionados à produtividade agrícola.
Embora o Brasil seja um dos maiores produtores agrícolas do mundo, a produção nacional de potássio é insuficiente para atender ao consumo interno. Essa condição obriga o país a comprar grande parte do insumo no mercado internacional.
Entre os fornecedores relevantes de fertilizantes potássicos estão Rússia, Bielorrússia e Canadá, segundo informações da Agência Nacional de Mineração (ANM).
A dependência externa expõe o abastecimento brasileiro às oscilações de preços, às condições logísticas e a acontecimentos internacionais que podem afetar a oferta.
A produção planejada em Sergipe teria como destino potencial esse mercado interno, atualmente atendido majoritariamente por importações.
Sergipe já abriga a única mina de potássio em operação no Brasil
O estado possui experiência na exploração de potássio por meio do Complexo Mineroquímico de Taquari-Vassouras, localizado no município de Rosário do Catete.
Segundo o Governo de Sergipe, a unidade é atualmente a única produtora de potássio em operação no país, abastecendo parte da indústria nacional de fertilizantes.

A nova proposta da South Atlantic Potash possui características diferentes, pois prevê a extração de sais em depósitos situados abaixo do fundo do mar.
Se implantado, o empreendimento poderá ampliar a produção mineral sergipana e acrescentar uma nova frente de fornecimento de matéria-prima para o setor agrícola.
A operação existente em Taquari-Vassouras é independente do projeto offshore anunciado pela SAP.
Governo de Sergipe mantém acordo de cooperação com a mineradora
A South Atlantic Potash e a Desenvolve-SE firmaram um Memorando de Entendimento destinado à cooperação e ao desenvolvimento de oportunidades de investimento no estado.
O instrumento prevê articulação institucional para estruturar atividades relacionadas ao projeto, incluindo iniciativas voltadas ao avanço das etapas necessárias à sua implantação.
Na atualização divulgada em 16 de outubro, o presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, destacou a presença do empreendimento no Portfólio de Projetos do Setor Mineral 2026, organizado com participação da ApexBrasil.
A inclusão no portfólio permite apresentar a iniciativa a potenciais investidores e interessados na cadeia de mineração. Entretanto, o memorando não equivale a uma autorização de lavra nem garante o financiamento do projeto.
Empreendimento ainda depende de licenciamento e estudos técnicos
Apesar do volume de investimento previsto, a South Atlantic Potash ainda precisa cumprir etapas para transformar o projeto em uma operação mineral.
O relatório da Desenvolve-SE registra que o empreendimento está em fase de estudos técnicos e licenciamento ambiental, procedimentos necessários para avaliar sua implantação.
A operação planejada envolve estruturas marítimas, perfuração de poços, circulação de fluidos e uma unidade industrial em terra. Esses componentes precisam ser considerados nos estudos de engenharia e de impactos ambientais.
Questões relacionadas ao uso de água, ao manejo de soluções salinas e às condições do ambiente marinho deverão ser avaliadas nos processos de autorização aplicáveis.
Não foram confirmadas uma licença definitiva para extração comercial ou uma data de início das obras industriais.
Investimento poderá movimentar serviços de engenharia e fornecedores offshore
A implantação de um empreendimento dessa natureza exigiria atividades de engenharia mineral, perfuração, montagem industrial e instalação de equipamentos.
As estruturas offshore previstas também demandariam sistemas mecânicos, tubulações, equipamentos de controle e serviços especializados em operações marítimas.
Em terra, a unidade de processamento precisaria receber instalações industriais destinadas à separação, ao tratamento e à preparação dos produtos para comercialização.
Essas atividades poderão movimentar fornecedores ligados à mineração, à construção industrial e ao setor de petróleo e gás, caso o projeto avance para a fase de implantação.
A South Atlantic Potash ainda não divulgou uma quantidade confirmada de empregos para a construção ou a operação, e o anúncio mais recente não apresenta cronograma definitivo de contratação de trabalhadores.
Produção offshore de potássio poderá ampliar a cadeia de fertilizantes brasileira
O projeto apresentado em Sergipe reúne investimento estimado superior a R$ 5 bilhões, produção inicial planejada de 2 milhões de toneladas por ano e extração mineral a aproximadamente 2.500 metros abaixo do fundo do mar.
A proposta combina mineração offshore e processamento industrial em terra, com o objetivo de aproveitar depósitos minerais próximos ao litoral e atender à demanda brasileira por cloreto de potássio.
Para avançar, o empreendimento ainda precisa concluir os estudos de viabilidade, obter as autorizações necessárias e estruturar os recursos financeiros para sua implantação.
Se as etapas técnicas e regulatórias forem concluídas, o projeto poderá ampliar a produção brasileira de potássio e reduzir parte da dependência de insumos importados utilizados pelo agronegócio.

