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Produtores de São Joaquim acionam canhão antigranizo que dispara ondas a cada sete segundos, tenta desestruturar pedras de gelo ainda dentro das nuvens e promete proteger plantações em um raio de 500 metros durante tempestades que voltaram a atingir a Serra de Santa Catarina

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Escrito por Carla Teles Publicado em 31/08/2026 às 17:34 Atualizado em 31/08/2026 às 19:25
Produtores de São Joaquim acionam canhão antigranizo que dispara ondas a cada sete segundos, tenta desestruturar pedras de gelo ainda dentro das nuvens e promete proteger (1)
Em São Joaquim, produtores usam canhão antigranizo contra granizo; iodeto de prata também é usado para tentar reduzir danos às lavouras.
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O canhão antigranizo particular usado por produtores em São Joaquim gera ondas hipersônicas por explosões controladas de gás acetileno, alcança mais de 10 mil metros de altura e busca reduzir o granizo antes da queda; segundo a empresa responsável, a proteção efetiva chega a 500 metros ao redor do equipamento.

Produtores rurais de São Joaquim, na Serra de Santa Catarina, acionaram um canhão antigranizo particular durante os episódios de instabilidade que voltaram a levar pedras de gelo à região. O equipamento sônico utiliza explosões controladas de gás acetileno para produzir ondas que são direcionadas à atmosfera na tentativa de fragilizar o granizo antes que ele alcance as plantações.

O sistema apareceu em funcionamento em registros divulgados durante os últimos dias de agosto de 2026, período em que cidades catarinenses voltaram a registrar tempestades com granizo. Em São Joaquim, houve queda de pedras de gelo nesta segunda-feira, 31 de agosto, enquanto produtores recorriam aos equipamentos privados para tentar reduzir prejuízos principalmente em áreas agrícolas.

Canhão antigranizo dispara uma nova onda a cada sete segundos

Em São Joaquim, produtores usam canhão antigranizo contra granizo; iodeto de prata também é usado para tentar reduzir danos às lavouras.
imagem: RBS TV / Reprodução

O modelo utilizado por alguns produtores de São Joaquim é conhecido como canhão sônico. Seu funcionamento começa com explosões controladas de gás acetileno, responsáveis por produzir ondas hipersônicas direcionadas verticalmente para a atmosfera.

Segundo as informações divulgadas sobre o equipamento, o canhão antigranizo gera essas ondas em intervalos de aproximadamente sete segundos. A energia formada segue para as camadas superiores da atmosfera e pode alcançar altitudes superiores a 10 mil metros.

Ondas tentam atingir o gelo enquanto ele ainda está dentro da nuvem

A proposta do equipamento não é esperar o granizo atingir o solo. O sistema tenta interferir enquanto as pedras de gelo ainda estão sendo formadas ou permanecem dentro das nuvens de tempestade.

A explicação apresentada para o processo é que as ondas produzidas pelo canhão antigranizo criam sucessivas camadas de energia que atingiriam a célula de granizo e ajudariam a fragilizar sua estrutura. O objetivo é fazer com que o gelo chegue ao solo em dimensões menores ou derreta durante a queda.

Área de proteção efetiva é estimada em raio de 500 metros

De acordo com Emerson Carneiro, diretor da Try Brazil, empresa responsável pelo equipamento citado pela fonte, o sistema oferece uma área de proteção efetiva de aproximadamente 500 metros de raio ao redor do ponto onde está instalado.

A empresa afirma ainda que o canhão antigranizo pode alcançar áreas além dessa distância, porém com redução de eficiência. O índice de 98% citado para a área principal também é uma estimativa informada pela própria fornecedora do sistema e não uma medição independente apresentada na reportagem.

Cada disparo produz uma onda que pode durar cerca de 29 segundos

Embora o intervalo entre os disparos seja de sete segundos, a energia de cada onda permanece por mais tempo. Segundo as informações técnicas apresentadas, cada onda pode durar aproximadamente 29 segundos.

O sistema é programado para oferecer proteção durante períodos médios de aproximadamente 30 minutos. Isso significa que o funcionamento envolve uma sequência contínua de disparos durante a passagem das células meteorológicas consideradas capazes de produzir granizo.

Monitoramento meteorológico ajuda a decidir quando ligar o equipamento

O acionamento não precisa ocorrer somente quando as primeiras pedras começam a cair. O canhão antigranizo pode ser ativado remotamente, associado a acompanhamento meteorológico realizado durante as 24 horas do dia.

Também existe a possibilidade de acionamento manual. A ideia é colocar o equipamento em funcionamento antes ou durante a aproximação de uma tempestade com potencial para produzir granizo, criando a sequência de ondas enquanto a célula ainda está sobre a região protegida.

Som chega a cerca de 50 decibéis a 500 metros

As explosões que produzem as ondas também geram ruído perceptível nas proximidades. Segundo os dados apresentados pela empresa, a intensidade sonora medida a aproximadamente 500 metros fica perto de 50 decibéis.

O som pode ser ouvido a distâncias maiores. Dependendo do relevo, das condições atmosféricas e da posição do observador, os disparos podem ser percebidos a cerca de 1 quilômetro do equipamento.

Produtores recorreram a equipamentos particulares em São Joaquim

Os canhões que entraram em funcionamento recentemente no município não pertencem ao sistema público. Segundo a prefeitura, os equipamentos acionados nos últimos dias foram comprados e instalados por produtores rurais.

Isso acontece enquanto municípios da Serra catarinense avançam na implantação de estruturas públicas para enfrentamento ao granizo. Em São Joaquim, entretanto, o sistema público citado pela prefeitura ainda não estava funcionando quando os equipamentos particulares foram registrados em operação.

Granizo representa ameaça especialmente importante para pomares

A Serra catarinense convive regularmente com tempestades capazes de produzir granizo. Para agricultores, o problema vai muito além do impacto sobre telhados e veículos, porque pedras de gelo podem atingir diretamente culturas em desenvolvimento.

Entre as produções vulneráveis estão as frutas, com destaque para a maçã, fortemente associada à atividade econômica de São Joaquim e de outros municípios serranos. Uma tempestade suficientemente intensa pode danificar frutos, folhas e galhos em poucos minutos, razão pela qual sistemas preventivos atraem interesse dos produtores.

Canhão sônico não é o único sistema antigranizo usado em Santa Catarina

Apesar do impacto visual e sonoro do canhão, existe outra tecnologia bastante utilizada no Estado: a semeadura de nuvens com iodeto de prata. Os dois sistemas tentam reduzir os danos provocados pelo granizo, mas funcionam de maneiras diferentes.

Enquanto o canhão antigranizo sônico trabalha com ondas produzidas por explosões de acetileno, o método com iodeto de prata introduz partículas na atmosfera para aumentar a quantidade de núcleos de congelamento disponíveis dentro das nuvens.

Iodeto de prata tenta fazer muitas pedras menores se formarem

Na semeadura de nuvens, o objetivo não é impedir completamente que o gelo apareça. O iodeto de prata busca multiplicar os pontos onde a água pode congelar, distribuindo a formação do gelo entre um número maior de partículas.

Segundo os dados apresentados na fonte, a quantidade de núcleos congelantes pode passar de apenas 1 ou 2 para cerca de 100 a 120 por metro cúbico. Em vez de poucas pedras crescerem muito, a expectativa é favorecer a formação de granizos menores, com maior possibilidade de derreter durante a queda ou atingir a lavoura com menor força.

Geradores com iodeto de prata alcançam área muito maior

O alcance também diferencia as tecnologias. Segundo João Luiz Walter Rolim, meteorologista e diretor da AGF Antigranizo Fraiburgo, cada gerador de iodeto de prata pode cobrir um raio aproximado de 5 quilômetros.

Esses equipamentos liberam cerca de 8,6 gramas de iodeto de prata por hora, conforme os dados informados pelo especialista. O alcance é, portanto, bem superior aos 500 metros indicados como área de maior eficiência para o sistema sônico citado em São Joaquim.

Granizo nasce quando água é carregada para regiões geladas da nuvem

Video: Redes sociais/@santacatarinaemfotosbr.

Para entender o objetivo desses equipamentos, é necessário observar como o fenômeno se forma. O granizo é uma precipitação de gelo produzida quando correntes ascendentes transportam gotas de água para regiões muito frias dentro das nuvens.

A água congela e pode permanecer circulando dentro da tempestade, acumulando novas camadas de gelo. Quanto mais intensos forem os movimentos verticais capazes de sustentar essas partículas, maior pode se tornar a pedra antes de cair.

Tecnologia tenta reduzir o impacto, não eliminar tempestades

Nem o sistema sônico nem o iodeto de prata são apresentados como mecanismos capazes de impedir que tempestades aconteçam. O objetivo é atuar especificamente sobre o granizo para tentar diminuir suas dimensões e, consequentemente, os danos causados no solo.

No caso do canhão antigranizo, a aposta está nas ondas hipersônicas disparadas repetidamente em direção à célula de tempestade. No sistema de semeadura, a estratégia está na alteração da quantidade de núcleos disponíveis para a formação do gelo.

Produtores apostam em disparos a cada sete segundos para defender as lavouras

A cena de um equipamento produzindo explosões sucessivas no meio da Serra pode parecer incomum, mas revela o tamanho do desafio enfrentado pelos agricultores quando uma tempestade de granizo se aproxima. Em São Joaquim, produtores privados já estão colocando o sistema em funcionamento enquanto a estrutura pública do município ainda não entrou em operação.

Com disparos a cada sete segundos, alcance atmosférico informado acima de 10 mil metros e uma zona de proteção efetiva de 500 metros segundo a empresa responsável, o canhão antigranizo tenta enfrentar o problema antes que o gelo alcance o chão. Você investiria em uma tecnologia desse tipo para proteger uma plantação ou preferiria outra forma de prevenção contra granizo? Deixe sua opinião nos comentários.

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Carla Teles

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